Crítica Netflix | Velvet Buzzsaw – Sátira ao mundo das artes com pinceladas de terror

Apresentado no Festival de Sundance e lançado ao público pela Netflix, Velvet Buzzsaw surpreende à primeira vista pelo elenco composto por Jake Gyllenhaal, Rene Russo e Toni Collette e, ainda mais, por ser tratar de um filme satírico sobre a milionária e esnobe esfera social dos merchants e um seletíssimo grupo de artistas sob a forma do gênero terror, especificamente, com a franquia Premonição (2000, 2003, 2006, 2009, 2011).

Com um bom começo, o filme apresenta os personagens em suas posições sociais de desprezo, soberba e poder. Encabeçados pelo petulante crítico de arte Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal), a gente navega com eles sobre perspectivas de julgamento e ilusão do valor de obra que demanda fazer as pessoas sentirem novas experiência.

A composição de Gyllenhaal para o crítico bissexual Morf é admirável, ele consegue mostrar soberania e fragilidade, além de extremos tiques e manejos, mas não se compara à sua atuação anterior com o mesmo diretor Dan Gilroy, em O Abutre (2014). Mais uma vez, Gilroy cria uma um panorama de perdição em frente à  ambição humana, mas ao invés de um psicopata, agora é um espírito vingador que traz a sua mensagem.

Se compararmos ambos, a psicopatia de Gyllenhaal é mais assustadora que todas as mortes nesta mistura de comédia com assombração maligna e mortes esdrúxulas. As melhores sacadas da produção, entretanto, está no jogo entre os personagens e na exaltação exacerbada  às obras das galerias de arte, além da relação, no mínimo, bizarra entre Morf e Josephina (Zawe Ashton).

Com um elenco ótimo em uma história comicamente trash, Zawe Ashton destoa pela sua falta de expressão, passando de semblantes mórbidos a pávidos. Depois de colocadas as peças no tabuleiro, Gilroy começa a teia de maldição a partir da morte súbita de um vizinho de Josephina. O desconhecido deixa uma coleção incrível das obras de Vetril Dease, um artista desconhecido que arrebata a todos à primeira vista.

Ambicioso, Morf já planeja uma biografia e começa a pesquisa sobre a origem e vida do anônimo talento, enquanto busca informações a atmosfera ao redor começa a mudar e a primeira vítima é o instalador da galeria Bryson (Billy Magnussen), dado como desaparecido após sofrer um estranho acidente. Conforme a popularidade das obras de Dease espalha-se, as mortes também começam a ocorrer uma atrás da outra.

Se em Premonição, a morte agia das formas mais inusitada para dragar a vida das pessoas, em Velvet Buzzsaw os contextos tentam ser engraçados e menos trash, mas concebem cenas sem suspense ou graça. Se focarmos apenas nas esquisitices dos personagens artísticos, tal como Mapa para as Estrelas (2014), de David Cronenberg, a obra seria mais interessante, sem a parte do terror burlesco.

Notícias

Kaylee Hottle, atriz de ‘Godzilla vs. Kong’, morre aos 18 anos

Kaylee Hottle, conhecida por interpretar a Jia nos filmes...

Disney+ dá SINAL VERDE para ‘Afterlife with Archie’, série que traz Riverdale tomada por zumbis

Segundo a Variety, o Disney+ deu sinal verde à produção 'Afterlife With...

Sabrina Elba e Ashley Thomas irão estrelar a nova ROM-COM ‘Not Like Us’

Sabrina Elba ('Era Uma Vez um Gênio') e Ashley Thomas ('Refém')...

Maria Sten é ‘Neagley’ no cartaz INÉDITO do derivado de ‘Reacher’; Confira!

O Prime Video divulgou um cartaz inédito de 'Neagley', série derivada...
Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.