InícioCríticasCrítica | Você – 2ª Temporada Mais Paranoica, Intensa e Obsessiva!

Crítica | Você – 2ª Temporada Mais Paranoica, Intensa e Obsessiva!


Quando a sérieVocê’ (‘You’) estreou na Dona Netflix, imediatamente ela se tornou um sucesso entre os assinantes, simplesmente porque contava a história de um cara comum que nutria um amor obsessivo por uma mulher que havia recém conhecido. A grande inovação da série foi contar a história pelo ponto de vista do sujeito obcecado e colocar o espectador no lugar do objeto de idolatria, de modo que a gente sentia e ouvia todos os pensamentos de Joe (Penn Badgley, com sua sedutora voz narrando cada escolha de seu personagem).

A 2ª temporada começa com uma história toda nova, então, aí vai a primeira boa notícia: se você não viu a 1ª temporada, fica tranquilo que você pode começar direto nessa 2ª parte, pois o primeiro episódio começa com uma nova fase na vida de Joe, que agora passa a se chamar Will Bettleheim porque Joe teve que abandonar literalmente toda a sua vida de Nova York e se mudar para Los Angeles com um novo nome, sem vínculos com o que aconteceu no passado. Sem contar que os primeiros dois episódios trazem flashbacks constantes sobre o que aconteceu na temporada anterior, então, se você não viu, fique tranquilo que você não vai ficar perdido.



Maaas, como conhecemos Joe/Will, apesar de ele se esforçar bastante em ter uma nova vida e enterrar o passado (com o perdão do trocadilho), ele logo encontra um novo objeto de desejo: Love Quinn (Victoria Pedretti, que rouba a cena deixando a gente sempre com uma sensação de que tem algo mais nessa personagem), uma jovem rica e que claramente precisa de ajuda, pois seu irmão gêmeo Forty Quinn (James Scully, muito convincente no papel de um rapaz mimado e noiado), com quem divide a gerência da rede Anavrin (Nirvana ao contrário), é um sujeito traumatizado pela vida, um perdedor nato e que – como todo mundo em LA – quer muito entrar para a indústria do cinema (e, por conta desse personagem, ‘Você’ faz uso da metalinguagem para criticar, ironizar e falar sobre cinema). Assim, muito mais rápido do que Joe/Will desejava, ele se vê na urgência de ajudar a pobre família rica dos Quinn.

Se na 1ª temporada tivemos uma pegada muito maior da literatura e do caos da cidade de Nova York, o panorama de fundo dessa 2ª temporada é alternado drasticamente, trazendo o retrato de uma Los Angeles fútil, focada nas dietas absurdas de celebridades e que acha que o bem-estar só pode ser atingido com a auto-exposição constante na internet. Portanto, ver Joe/Will tentar se adaptar em uma cidade ensolarada, de pouca roupa e muita rede social é um choque constante que traz boas risadas durante os novos episódios – e é um dos méritos do roteiro escrito por nove pessoas, muitas das quais também participaram da temporada anterior.

Dos dez episódios de cerca de cinquenta minutos cada, os que se destacam são o 4º, com um final bastante chocante; o 8º, que é o mais engraçado e nervoso de todos, até mesmo pro próprio Joe/Will; e, claro, o 10º, com uma conclusão absurda e uma última cena que definitivamente deixa a gente ansioso pela 3ª temporada (que já está confirmada!).

Quem aí tem teorias sobre o que acontece nessa cena final? :O

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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