quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Crítica | Você Só Precisa Matar – Com Plot Interessante, Anime sobre Looping Cansa Pela Sua Estrutura



Os filmes e curtas de anime tem seu público no Brasil. Mesmo considerando que a oferta desse tipo de produção seja pequena, se comparada ao volume de produção nos países asiáticos, ainda assim as produções que chegam em nosso território, seja no circuito exibidor ou nas plataformas de streaming, encontra seu público. Ainda bem. Pensando nesse nicho exigente e sedento por novidades, chega essa semana aos cinemas brasileiros o longa de animaçãoVocê Só Precisa Matar’.

Rita (na voz original de Ai Mikami) é uma jovem sobrevivente. Depois da invasão alienígena há um ano que instaurou o Darol, uma espécie de grande árvore que ameaça a vida de todos e ninguém sabe direito qual o objetivo, Rita e outros tantos sobreviventes moram em um bunker-laboratório, onde dormem, fazem as refeições, treinam e combatem o Darol. Mas hoje Rita acordou e sentiu algo diferente no ar. E, ao sair para trabalhar no Darol, foi perseguida por flores gigantes e assassinas (que parecem Demogorgons) que acabaram por matá-la. Porém, Rita acorda no dia seguinte, e vive as mesmas experiências seguidamente. E no outro dia também. E no outro. Quando percebe que está vivendo um looping eterno e que sempre termina com sua própria morte, Rita passa a buscar formas de conseguir quebrar esse ciclo sem fim e sobreviver ao final.

Baseado no mangá de sucesso de nome ‘Edge of Tomorrow’, de Hiroshi Sakurazaka, ‘Você Só Precisa Matar’ (cujo título original é ‘All You Need is Kill’) tem uma ideia interessante, uma proposta provocadora: uma protagonista que se percebe dentro de um looping em cujo final ela sempre morre e precisa fazer o ciclo quebrar. Bacana. E a protagonista é realmente interessante, esforçada, forte, determinada, sem medo de quebrar a cara.



O problema aqui reside na forma como essa história foi contada em ‘Você Só Precisa Matar’. No anime, nos primeiros trinta minutos aproximadamente o espectador basicamente só observa Rita em seu looping sem fim, morrendo, acordando, apanhando, tentando de novo. É muito tempo de filme para explicar algo que nos primeiros dez minutos já ficou claro pra qualquer um no roteiro de Yûichirô Kido. E porque esse tempo se prolonga, o filme acaba perdendo a atenção de quem o assiste – afinal, todo mundo já entendeu e o filme continua sem fim se explicando. Aí quando a história finalmente começa a andar, já estamos pra além da metade do longa e um tanto quanto sem paciência.

O curioso é que essa mesma história já foi adaptada para o audiovisual antes, em 2014, no longa ‘No Limite do Amanhã’, estrelado por Tom Cruise e numa proposta menos cansativa pois explica o contexto antes de o personagem entrar no looping. E isso faz toda a diferença.

Entretanto, o longa de Ken’ichirô Akimoto e Yukinori Nakamura acerta na escolha estética da produção, optando por um traço que se assemelha aos traços de mangás, com cores fortes e vibrantes em cujos momentos de ataque na história brilham com mais intensidade, aumentando o contraste e proporcionando as sensações no espectador.

Com um título provocador, ‘Você Só Precisa Matar’ é um filme interessante, que poderia ter sido realizado de maneira mais palatável para o espectador. Uma alternativa em animação para os fãs do gênero no feriadão de Carnaval.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.