O primeiro trabalho de um diretor ou diretora geralmente se inclina para dois cenários possíveis: ou contar uma história “pé na porta”, para chamar a atenção, ou contar algo mais intimista, que parta de alguma experiência pessoal. Independentemente, o início de uma carreira nos cinemas quase sempre começa por festivais de cinema independentes, como o SXSW, no sul dos Estados Unidos. Por lá debutam estreantes na sétima arte de todos os gêneros de filmes, como o suspense ‘Vou Morrer Amanhã’, que chega hoje às plataformas brasileiras de aluguel sob demanda.

A história de ‘Vou Morrer Amanhã’ começa com Amy (Kate Lyn Sheil), uma jovem ex-alcóolatra que, num surto paranoico, começa a ter certeza de que irá morrer no dia seguinte. Nesse movimento vertiginoso do medo, Amy tenta desabafar com a mãe, Jane (Jane Adams), que a princípio não lhe dá muita atenção e a deixa sozinha com seus pensamentos, porém, ao retornar para casa e confrontar a solidão, Jane começa a pensar nas coisas que a filha disse, e também ela passa a entrar nessa espiral de pensamentos congelantes que, aos poucos, vai tomando conta do seu pensamento ao ponto de também Jane criar a certeza de que irá morrer no dia seguinte. Começa, assim, o ciclo sem fim.



Escrito e dirigido por Amy Seimetz, o conceito do filme é interessante, porém, sua execução (com o perdão da redundância) é conceitual demais. Valendo-se de uma boa ideia, a produção se ampara no medo inerente no ser humano de morrer, armando-se desse medo para gerar a tensão e o suspense psicológico de seus personagens. Em teoria, isso poderia ser muito legal. Na prática, o longa acaba se tornando cansativo, redundante, pois ao abordar o tema de maneira superficial (conscientemente, pois relega ao espectador a missão de entender o que está acontecendo), perde grande oportunidade de mergulhar de cabeça no gênero do terror ou do thriller psicológico para construir uma história imersiva que conduza o espectador para dentro da paranoia dos protagonistas. Do jeito que ficou, o mergulho ficou mais para um banho tcheco.

Curiosamente, o longa conta com nomes renomadinhos em Hollywood: Michelle Rodriguez (de ‘Velozes e Furiosos’), Chris Messina (‘Aves de Rapina’), Jane Adams (‘Poltergeist: O Fenômeno’) e Josh Lucas (‘Ford x Ferrari’). Entretanto, todos interpretam personagens experimentais, com pouquíssimas falas e reforçados por expressões faciais (ou a falta delas) diante da iminência da morte. Por ter reunido um elenco de apelo popular, esperava-se que a diretora Amy Seimetz explorasse melhor seus atores, dando-lhes personagens mais palpáveis no enredo.

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Vou Morrer Amanhã’ tem uma boa ideia: a de questionar a iminência da morte, assunto este que a maioria das pessoas não quer falar a respeito, muito menos pensar na possibilidade de isso acontecer no dia seguinte. Para tal, o longa traz uma imersão psicológica da criação viral da paranoia – uma desconfiança bem plantada é levada adiante pelas pessoas, até que todo mundo passa a considerar a possibilidade de ela acontecer, como acontece com as fake news, por exemplo. Um filme para quem curte propostas subjetivas e experimentais.



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