Crítica | Zoom


Cool World

De Pablo Bazarello, enviado especial a Toronto.

Zoom tem sabor especial para os brasileiros. Se trata do novo trabalho do “garoto” Pedro Morelli, que veio representar nosso país no prestigiado Festival de Toronto, onde o filme fez sua estreia. Coprodução entre o Brasil e Canadá, Zoom é um projeto ambicioso e cheio de energia, diferente de tudo o que o cinema nacional está acostumado a apresentar. E o objetivo é justamente este, como afirmou Morelli numa conversa comigo, que você lê e assiste em breve.

O jovem cineasta chamou atenção em 2013 ao co-dirigir ao lado do pai, Paulo Morelli, o eficiente drama Entre Nós, vencedor de alguns prêmios no Festival do Rio daquele ano. Dessa vez Morelli se arrisca numa produção muito pouco usual, que ficou em desenvolvimento por cinco anos, e será uma venda difícil para o grande público.

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Zoom funciona num nível tão alto de metalinguagem que se torna um exercício bem complicado explica-lo, mas vamos tentar. Existem três histórias compondo a obra (seriam quatro, como me contou o diretor), que se entrecruzam em determinado momento, mas não da maneira esperada.

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Em uma das narrativas, a jovem talentosa Alison Pill (que trabalhou com Woody Allen duas vezes, em Meia Noite em Paris e Para Roma, Com Amor) vive uma funcionária em uma fábrica de bonecas sexuais, infeliz com as formas de seu corpo – em especial os seios. Ela acredita que uma mudança física irá transformar sua vida. Em outra narrativa, a conterrânea Mariana Ximenes quer ser algo mais além de uma modelo de belas formas, e para isso decide investir na carreira de escritora – sem o apoio do companheiro, o “barrado no baile” Jason Priestley.

Finalizando, Gael García Bernal protagoniza a subtrama “animada” da obra, que faz uso de personagens totalmente criados numa estética de animação semelhante a Waking Life e A Scanner Darkly, ambos de Richard Linklater. Bernal interpreta um diretor de cinema “garanhão”, tendo problemas de desempenho em sua área favorita.

O elo de ligação entre as subtramas é a arte. Quadrinhos, cinema e literatura se cruzam em três histórias, adentrando assim outras realidades.

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Morelli merece créditos pela ousadia e eficiência, demonstrando um talento de veterano no comando da obra e de atores de nome. Se a direção é digna de elogios, o mesmo não pode ser tão dito do roteiro de Matt Hansen, que não acerta sempre em criar situações críveis ou personagens carismáticos. O destaque fica justamente com a “animação”, que exibe ainda ares da icônica Heavy Metal (1981), e momentos para lá de hilários. Este trecho é o mais identificável e poderia render por si só um longa-metragem.

A mensagem de aceitação que faz parte da história de Alison Pill é um tanto “batida” e não é explorada da maneira devida, embora renda alguns bons momentos, em especial no desempenho da carismática atriz canadense. Já o conto com Ximenes funciona no nível de prazer culposo. Como um todo a coisa fica com sabor mais especial e funciona. O saldo positivo, no entanto, creio eu, não será absorvido pela maioria.

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