terça-feira, janeiro 6, 2026

‘Dark Horse’: Produtora da cinebiografia de Bolsonaro recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo

Destaque'Dark Horse': Produtora da cinebiografia de Bolsonaro recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo

O anúncio de Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel, gerou grande atenção e curiosidade. Agora, uma investigação do Intercept Brasil revelou detalhes controversos sobre a produção do longa.

O filme foi produzido pela Go Up Entertainment, liderada por Karina Ferreira da Gama. No entanto, o que chamou a atenção é que Karina da Gama também está à frente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma ONG que possui um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, gerida por Ricardo Nunes (MDB).



O ICB ficou responsável por instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuitos em comunidades de baixa renda na cidade, no âmbito do programa WiFi Livre SP.

A ONG apresentou sua proposta em uma licitação em julho do ano passado. Um adiantamento de R$ 26 milhões foi realizado para agilizar a instalação de parte dos pontos antes das eleições municipais.

No entanto, conforme a reportagem, após as eleições que reelegeram Nunes, apenas 3.200 dos 5 mil pontos propostos foram estabelecidos.

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Além disso, a investigação destaca que o valor da contratação do ICB se mostra acima do normal em comparação com projetos semelhantes. Por exemplo, no final de 2023, a Prefeitura contratou a Prodam (empresa municipal de informação e tecnologia) para instalar quase 11 mil pontos de Wi-Fi em unidades educacionais por R$ 125 milhões.

Outro ponto levantado é que o Instituto Conhecer Brasil não possuía nenhuma experiência prévia com instalação ou manutenção de pontos de Wi-Fi antes do contrato com a gestão Nunes. Sua área de atuação era, na verdade, eventos religiosos.

Em 2018, por exemplo, o ICB realizou o encontro literário IDE, um evento milionário com autores gospel financiado com emendas de ex-vereadores, como Milton Leite (União Brasil) e o bispo da Universal Atílio Francisco (Republicanos).

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Ao Intercept Brasil, ambas as partes negam irregularidades e defenderam a separação entre os projetos:

Prefeitura de SP afirmou que a contratação do Instituto Conhecer Brasil foi regular e que considera “irresponsável” qualquer associação entre as filmagens do longa e o programa WiFi Livre SP.

E o Instituto Conhecer Brasil (ICB) declarou que os projetos são “executados de forma independente” e que “não financia projetos ou atividades de outras organizações”. A ONG reforçou que todas as suas ações “seguem rigorosamente os termos contratuais, a legislação vigente e as diretrizes dos órgãos de controle”.

O longa é estrelado por Jim Caviezel (‘A Paixão de Cristo’), além de Esai Morales (‘Missão: Impossível – O Acerto Final’), Lynn Collins (‘John Carter – Entre Dois Mundos’) e Felipe Folgosi.

Cyrus Nowrasteh assume a cadeira de direção. Mário Frias, Secretário Especial da Cultura durante a gestão Bolsonaro, ficou responsável pelo roteiro.

Mais informações não foram reveladas.

Bolsonaro assumiu a presidência do Brasil entre 2019 e 2022, tentando se reeleger para um segundo mandato, mas perdendo a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva. Após inúmeras polêmicas que envolveram discursos desmoralizantes e preconceituosos, negligência médica durante a pandemia de COVID-19 e organização de um golpe de Estado, Bolsonaro se encontra atualmente preso em uma cela da Polícia Federal, cumprindo a pena de 27 anos.

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José Guilherme
Jornalista e redator apaixonado por cinema, séries e animes, sempre em busca de boas histórias para contar e compartilhar.
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