Depois de explodir muitas cabeças por ter uma trama complexa e fora da caixinha, Dark marcou como uma das melhores séries originais da Netflix por sua estrutura narrativa, qualidade e engajamento do público. Mesmo sendo uma série alemã com só três temporadas, chamou a atenção por mostrar que o tempo pode ter várias percepções. Onde passado, presente e futuro se entrelaçam em um único nó. Uma grande viagem de ficção científica com muito suspense que ainda mexe com quem acompanhou toda essa saga mesmo após um ano do seu fim.

Dos criadores alemães Baran Bo Odar e Jantje Friese, a ousada ideia original poderia ter tido grandes problemas de execução, mas foi amplamente aceita pela crítica. Ficou famosa, além das viagens no tempo, pela quantidade de personagens e pela gigantesca árvore genealógica que vai se formando e se encaixando no enredo ao longo das temporadas. A produção alemã, lançada em 2017, foi um sucesso no seu ano de estreia, sendo a série de língua não-inglesa mais assistida no catálogo do streaming. Foram dezenas de teorias desenvolvidas para entender como os criadores iriam entregar o final e ele não decepcionou! Mas do que se trata essa trama que causou tanto alvoroço e despertou atenção pelo mundo todo?

Ela parte do presente, quando acontece o desaparecimento de Mikkel (Daan Lennard Liebrenz), na pequena cidade fictícia de Winden, na Alemanha. Essa situação remete a alguns acontecimentos idênticos que ocorreram há 33 anos e 66 anos atrás, entrelaçando o destino de quatro famílias nesse mistério. Além disso, a cidade gira em torno de uma usina nuclear cheia de segredos, dando a entender que todos esses acontecimentos e lugares estranhos estão intimamente conectados em uma grande teia. Por falar na usina, em um determinado momento acontece um acidente nuclear e os criadores da série confirmaram a inspiração direta com acidente de Chernobyl.



Por se tratar de uma cidadezinha pequena, todos os seus habitantes se conhecem e a chegada de um estranho forasteiro deixa tudo ainda mais confuso. Ele parece ter uma conexão com uma misteriosa caverna que se encontra no meio da floresta e todas essas pistas juntas parecem fazer parte da solução desse enigma. Ao longo do desenvolvimento da série, descobrimos que na verdade a caverna é um “buraco de minhoca” e que este homem é um viajante do tempo. Além disso, o jovem protagonista Jonas Kahnwald (Louis Hofmann), sofre pela perda repentina de seu pai por suicídio. Ao voltar para a escola, após um tempo em que esteve em tratamento para se recuperar desse baque, descobre que Martha (Lisa Vicari), a menina que ele gostava, estava namorando com o seu melhor amigo Bartosz (Roman Knizka).

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SPOILERS

A partir daqui o texto estará repleto de spoilers de todas as temporadas, como um resumão para quem quer relembrar o que aconteceu ou ainda está perdido com tanta viagem no tempo.

Como dito anteriormente, a primeira temporada é focada em apresentar os personagens principais da trama, principalmente Jonas Kahnwald e os misteriosos acontecimentos que insistem em se repetir em Winden. A história começa em 2019, mas se desenvolve para incluir histórias em 1986 e 1953 através de viagens no tempo. Ao longo da temporada podemos acompanhar os segredos que vão se revelando sobre quatro famílias bem conhecidas na cidade: Kahnwald, Nielsen, Doppler e Tiedemann. Suas vidas começam a entrar em grande colapso, a medida que se aprofundam nas viagens temporais e conflitos gerados por suas próprias histórias, evidenciando que toda ação, tem uma reação que pode acontecer tanto no presente, como no passado e no futuro, já que o tempo não é linear.



Já na segunda temporada temos a busca incessante dos familiares pelos entes desaparecidos. Continuamos a seguir Jonas em novas viagens do tempo, chegando nos anos de 2053 e 1921, acrescentando novos detalhes e enigmas para a história, como a existência de uma sociedade secreta chamada Sic Mundus, que aparentemente manipula esse trânsito temporal e personagens que se movem pela linha do tempo como um grande tabuleiro de xadrez. Enquanto isso, um apocalipse está prestes a acontecer na cidade em 2020 e parece que a usina nuclear tem ligação direta nisso. E para finalizar, na terceira e última temporada da saga desses personagens, vemos toda essa trama de eventos interconectados entrarem em uma nova perspectiva com a introdução de realidades diferentes. O que poderia deixar tudo mais confuso, na verdade esclarece muita coisa e se conecta diretamente para a resolução de todos esses mistérios, em uma cena bem bonita e poética, fechando assim essa cadeia de eventos.

Percebemos que não só de ficção científica, palavras difíceis, teorias e viagens no tempo é constituída a série. Também temos muito drama familiar com traições, decepções, conspiração, mentiras e jogo de influência, o que coloca um super tempero a mais nessa salada dramática. Falando especificamente da viagem no tempo, o mais interessante, e talvez o motivo de várias das confusões causadas no público pela série, é encontrar seus diversos personagens em várias fases da vida: infância, adolescência, vida adulta e velhice. A boa escolha dos atores e suas caracterizações foram fundamentais para dar credibilidade e ajudar o espectador a entender quem é quem, já que como foi falado anteriormente, são muitos personagens em uma gigantesca e complicada árvore genealógica.

Por muitas vezes a série flerta com o misticismo e o religioso, que acrescenta uma camada bastante interessante à trama. É citado Adão, Eva e Noé, até algumas passagens bíblicas, mas tudo não passa de alegorias para chegar até um ponto crucial para o desenvolvimento do enredo de Dark. Com apenas 3 temporadas e uma trama bem redondinha, não tem como duvidar que Dark realmente merece todas as críticas positivas que recebeu. Sua complexidade e carinho pelos detalhes deixam o roteiro rico, além de ter uma fotografia incrível, beirando o cinematográfico.

Para os que ainda não assistiram, a recomendação é a seguinte: pegar um papel e uma caneta e ir anotando os personagens e seus parentescos. Parece que vai dar tudo errado e que nada vai fazer sentido, mas nada ali está por acaso e no final tudo converge para um único momento.

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