Dica da Semana | Estrelado por Brendan Fraser e Rachel Weisz, ‘A Múmia’ é um filme de aventura perfeito

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Se você é um fã assíduo de filmes de terror, com certeza já ouviu falar de uma famosa e lendária franquia conhecida como Universal Monsters. Tendo sua estreia oficial em 1913 com ‘O Médico e o Monstro’, adaptação do aclamado romance de Robert Louis Stevenson, esse universo permanece em contínua expansão, ramificando-se através de mais de um século para eternizar algumas das criaturas mais populares do cenário do terror – como Drácula, Sr. Hyde, Frankenstein, a Múmia, o Monstro da Lagoa Negra, o Homem Invisível e tantos outros. E é claro que, com a constante remodelação da sétima arte, inúmeras releituras ganharam vida nas telonas – e uma das mais famosas e mais adoradas pelo público é a aventura A Múmia, de 1999.

O longa-metragem, dirigido e escrito por Stephen Sommers, funciona como remake do clássico homônimo de 1932 e acompanha Evelyn Carnahan (Rachel Weisz), uma bibliotecária apaixonada pela história do Antigo Egito que, ao lado do irmão Jonathan (John Hannah) e do ex-capitão da Legião Francesa Rick O’Connell (Brendan Fraser), que foi preso por dissidência e está prestes a ser enforcado. Ao ser libertado por Evelyn, ele tem a tarefa de levá-los à cidade perdida de Hamunaptra, conhecida também como Cidade dos Mortos, localizada em alguma região do Cairo. Ao chegarem lá, eles encontram um misterioso volume intitulado Livro dos Mortos e inadvertidamente, trazem de volta à vida o sumo-sacerdote Imhotep (Arnold Vosloo), que foi condenado à mumificação e que nutriu, durante mais de três milênios, um desejo de vingança.

À época de sua exibição nos cinemas, o projeto atraiu críticas mistas por parte dos especialistas, mas transformou-se em um clássico cult com o passar dos anos, sendo redescoberto e apreciado por seu total despojamento criativo. Solidificando-se como um dos grandes sucessos financeiros de 1999 ao arrecadar quase US$420 milhões mundialmente, A Múmia é o filme perfeito de aventura ao não se levar a sério e ao conseguir misturar de forma bastante balanceada incursões do terror, da comédia e da aventura em um mesmo lugar – pegando páginas emprestadas do atemporal filme da Universal Pictures e de produções como ‘Indiana Jones’.

Sommers encontra sucesso ao divertir-se do começo ao fim nessa empreitada. Ele já havia explorado os conceitos de ação e comédia com sua estreia diretorial, ‘Tudo ou Nada’, mas alcançou níveis estratosféricos ao nos levar ao encontro entre passado e presente em meio às escaldantes areias egípcias. É claro que, considerando o teor puramente recreativo da produção, inúmeras incongruências históricas e anacronismos crassos despontam constantemente (como, por exemplo, o retrato de pirâmides em Tebas ou a mitologia por trás do embalsamento de cadáveres) – mas a ideia não é posar como um documentário didático sobre civilizações antigas, e sim nos envolver em uma aprazível e jocosa jornada. Não é surpresa que Sommers regressaria para a cadeira de direção em ‘O Retorno da Múmia’ e o spin-off ‘O Escorpião Rei’.

O realizador faz um bom trabalho ao saber dosar os dramas interpessoais dos personagens, os claustrofóbicos corredores da tumba onde Imhotep foi enterrado, e a idílica paisagem do Egito – que, apoiando-se na fervorosa fotografia de Adrian Biddle, se afasta dos comodismos panfletários. Todavia, a cereja do bolo vem com o trabalho aplaudível do elenco, em especial de Fraser e de Weisz, que brilham quando sozinhos e explodem em uma química apaixonante que é mantida para o filme subsequente e que transforma essa inebriante epopeia em uma história de romance marcante e emocionante. Hannah insurge como o principal escape cômico como o fanfarrão Jonathan, que preza pelo dinheiro, mas que tem o coração no lugar certo; e Vosloo desfruta de uma presença enigmática que casa com perfeição com a personalidade vilanesca de Imhotep.

Não se pode cometer o erro de criticar aspectos sociais e culturais do filme, considerando que, à época, a discussão sobre Orientalismo e temas afins ainda não ocupava espaço significativo na sociedade – e, apesar dos claros estereótipos à comunidade árabe, é inegável comentar sobre o entretenimento que o projeto nos traz. Em contraposição, é notável como a construção de Evelyn foge dos preceitos das “donzelas em perigo” eternizados pelo cinema e a transforma em uma das heroínas seminais da virada de século, influenciando, indiretamente, diversas personagens similares que ganhariam espaço no show business; aliás, a própria arquitetura de Rick também serviu como destituição dos moldes intocáveis dos heróis masculinos, ganhando uma camada mais humana e vulnerável que seria repetida anos à frente.

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Mais de duas décadas e meia depois de chegar aos cinemas mundiais, A Múmia permanece como um dos melhores filmes de aventura dos anos 1990 e, cada vez que é redescoberto ou revisitado, aumenta sua crescente legião de fãs – e, no final das contas, é sempre bom assistir a uma produção que não se leva a sério e que entrega exatamente o que promete aos espectadores.

Lembrando que o longa está disponível no Prime Video e no Telecine.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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