O novo filme de Alejandro González Iñárritu, ‘Digger‘, quase chegou aos cinemas com um título bastante inusitado: Blah, Blah, Blah. Em entrevista à IndieWire, o diretor explicou que o nome provisório estava diretamente ligado ao tema central da obra e ao poder que os seres humanos têm de distorcer a realidade por meio das palavras.
O longa é uma sátira sobre ganância, mudanças climáticas, mídia, líderes políticos e bilionários, estrelada por Tom Cruise e Riz Ahmed. Na trama, os dois atores interpretam um magnata do petróleo e um cientista que se enfrentam dentro de um jatinho particular enquanto uma catástrofe ecológica, provocada pela exploração desenfreada do combustível fóssil, ameaça o mundo.
“Era uma referência a essa incrível, terrível e assustadora arma que nós, seres humanos, temos: a língua. Ela pode mudar sua percepção da realidade que seu corpo está vivenciando. Pode fazer você acreditar em algo que não vê.”
O cineasta acabou optando por ‘Digger‘, nome do personagem de Cruise, mas a ideia por trás do título original continua presente na história. Para Iñárritu, a linguagem é capaz de criar versões convenientes dos fatos e convencer as pessoas de que uma situação evidente não está acontecendo.
A ironia é que, enquanto desenvolvia o roteiro, o diretor sentiu que o mundo real começou a se aproximar perigosamente da ficção. ‘Digger‘ levou quase uma década para sair do papel e teve a produção interrompida três vezes durante o período de instabilidade causado pela pandemia de Covid-19 e pelas greves de Hollywood.
Quando as filmagens finalmente aconteceram, incêndios florestais ameaçavam Los Angeles. Riz Ahmed contou que observava a equipe acompanhar o avanço do fogo por imagens de satélite enquanto muitos funcionários temiam perder as próprias casas.
“Tudo o que é explorado, exposto e satirizado neste filme estava diante dos nossos olhos”, declarou o ator.
Iñárritu afirmou que os acontecimentos do mundo passaram a perseguir a narrativa. Donald Trump voltou à presidência dos Estados Unidos, Elon Musk apareceu associado à medidas drásticas no governo e executivos da área de inteligência artificial começaram a alertar sobre o potencial destrutivo da própria tecnologia.
“Nós estamos vivendo em uma sátira. Quanto mais esticávamos a nossa imaginação, mais a realidade nos perseguia e nos alcançava. Foi louco. Agora acho que o tom do filme parece quase realista, porque, se você liga a televisão, é isso que está acontecendo. As pessoas no poder tentam convencer todos nós de que está tudo bem, e as pessoas querem acreditar nisso”, refletiu o cineasta.
Essa sensação também influenciou a forma como Iñárritu decidiu abordar os temas políticos e ambientais. Embora o filme faça um alerta sobre o caminho perigoso seguido pela humanidade, o diretor não quis transformar a obra em um discurso partidário.
“Não estou interessado em apontar o dedo ou reduzir o filme a um comentário político, a uma questão de direita ou esquerda. Estou tentando dizer, por meio do discurso de ‘Digger‘, que todos fazemos parte dessa loucura”, afirmou.
Com 96 reviews publicadas até o momento, a comédia satírica ‘Digger‘ dividiu a opinião dos críticos – alcançando apenas 52% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Apesar da forte performance de Tom Cruise no papel titular, o consenso geral criticou o desenvolvimento da narrativa criada pelo cineasta Alejandro González Iñárritu, que, apesar de ser inventiva, falha em sustentar seu próprio conceito.

O longa será lançado nos cinemas nacionais no dia 1º de outubro.
Confira o trailer:
Saiba Mais » Digger
Além de dirigir, Iñárritu assina o roteiro ao lado de Sabina Berman, Alexander Dinelaris Jr. e Nicolás Giacobone.
O elenco ainda conta com Sandra Hüller, Jesse Plemons, Riz Ahmed, Sophie Wilde, Emma D’Arcy, Robert John Burke, Burn Gorman, Michael Stuhlbarg e John Goodman.



