Diretora de ‘Matrix’ detona J.K. Rowling e gera nova polêmica envolvendo ‘Harry Potter’: “Financiando o genocídio contra pessoas trans”

A aguardada série de Harry Potter ainda nem terminou de colocar sua nova versão do Mundo Bruxo diante do público, mas continua cercada por uma das maiores controvérsias envolvendo a franquia: os posicionamentos de J.K. Rowling sobre questões relacionadas à comunidade trans. Agora, a discussão ganhou um novo capítulo após Lilly Wachowski, cineasta por trás do clássico Matrix, fazer duras acusações contra a escritora britânica e questionar diretamente o apoio do público às produções baseadas em suas obras.

Wachowski, que é uma mulher trans, criticou não apenas Rowling, mas também a continuidade comercial da franquia Harry Potter, argumentando que consumir produtos ligados à marca acaba, em sua visão, beneficiando financeiramente a autora. A cineasta afirmou que Rowling estaria usando parte de seus recursos para apoiar iniciativas e disputas jurídicas relacionadas a questões de sexo e gênero — e empregou termos extremamente fortes para descrever o que acredita serem as consequências dessas ações.

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‘Ela está financiando o genocídio contra pessoas trans. J.K. Rowling financia o genocídio contra pessoas trans, ponto final. Portanto, se você apoia Harry Potter, está apoiando o genocídio contra pessoas trans’, declarou Wachowski. Na sequência, a diretora argumentou que o dinheiro movimentado pela gigantesca franquia inevitavelmente chega até sua criadora. ‘O dinheiro que você gasta para desfrutar desses produtos, uma parte desse dinheiro vai para J.K. Rowling, e esse dinheiro é usado por ela para financiar legislação antitrans em todo o mundo. Portanto, o fato de você gostar desses programas e continuar apoiando-os está contribuindo para a minha eliminação’, completou.

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As declarações rapidamente repercutiram justamente porque Harry Potter continua sendo uma das propriedades mais importantes da indústria do entretenimento. A nova adaptação televisiva transformou novamente a relação entre Rowling e a franquia em assunto recorrente, especialmente porque a autora permanece ligada criativamente à produção. Ao longo dos últimos anos, diferentes nomes associados ao universo de Harry Potter manifestaram discordância das posições da escritora sobre pessoas trans, enquanto outros defenderam seu direito de expressar suas opiniões.

A discussão também atingiu diretamente o elenco da nova adaptação. John Lithgow, intérprete de Alvo Dumbledore, já revelou ter recebido críticas por aceitar o papel e chegou a considerar abandonar a produção diante da repercussão, embora tenha decidido permanecer. O ator afirmou publicamente que não concorda com as opiniões de Rowling sobre questões trans e ressaltou que enxerga nos próprios livros mensagens contra intolerância e preconceito. Paapa Essiedu, escalado como Severo Snape, também já manifestou publicamente apoio aos direitos de pessoas trans.

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Durante suas declarações, Wachowski ainda ampliou suas críticas ao falar sobre outras figuras públicas, incluindo Elon Musk, recorrendo novamente a uma comparação extremamente pesada. ‘Quero dizer… essas pessoas são nazistas. São nazistas de verdade’, afirmou. A fala provocou ainda mais repercussão e levou uma representante de J.K. Rowling a divulgar uma resposta contestando diretamente as acusações feitas pela diretora.

‘A liberdade de expressão é um princípio que todos devemos valorizar. O que importa é que as opiniões de J.K. Rowling, assim como as de qualquer outra pessoa, sejam representadas de forma precisa, justa e respeitosa, e que a opinião individual não diminua o valor dessas visões’, afirmou a representante.

O comunicado também rebateu especificamente a alegação de que Rowling estaria financiando iniciativas destinadas a retirar direitos de pessoas trans. Segundo a representante, através do J.K. Rowling Women’s Fund, a escritora oferece apoio a mulheres envolvidas em ações judiciais no Reino Unido relacionadas aos direitos previstos pela Equality Act de 2010. A declaração sustenta que o fundo não financia processos cujo objetivo seja prejudicar pessoas trans ou restringir seus direitos.

‘Para corrigir Lilly Wachowski, por meio do Fundo das Mulheres de J.K. Rowling, J.K. Rowling apoia as mulheres que movem ações judiciais no Reino Unido para preservar seus direitos já estabelecidos pela Lei da Igualdade de 2010, que muitas vezes são ignorados ou ameaçados. Ela não apoia ações judiciais que visem prejudicar pessoas trans nem esforços para limitar os direitos trans’, diz o comunicado.

A equipe de Rowling ainda classificou as acusações de Wachowski como potencialmente difamatórias e criticou especificamente o uso de referências ao nazismo e ao genocídio. ‘As pessoas têm liberdade para discordar de suas opiniões, mas alegações gravemente difamatórias dessa natureza — mesmo aquelas que invocam de forma ultrajante os nazistas e o genocídio que cometeram — nunca devem ser apresentadas como fatos quando são claramente inventadas e não se baseiam em nenhuma evidência’, concluiu a representante.

A polêmica acrescenta mais um capítulo à complicada relação entre Harry Potter, sua criadora e parte do público. A HBO já havia defendido anteriormente a participação de Rowling na adaptação, afirmando que trabalha com a escritora e com o universo de Harry Potter há mais de duas décadas e que ela possui o direito de expressar suas opiniões pessoais. Ao mesmo tempo, o estúdio tenta manter o foco na série propriamente dita e na proposta de transformar os sete livros da saga em uma adaptação televisiva muito mais extensa.

Com J.K. Rowling permanecendo como produtora executiva e uma das figuras diretamente ligadas à propriedade intelectual que deu origem ao fenômeno, porém, a discussão dificilmente ficará separada da nova versão de Harry Potter. As declarações de Lilly Wachowski mostram que, para parte da indústria e do público, consumir ou trabalhar em projetos relacionados à franquia passou a carregar também uma dimensão política e social — enquanto Rowling e seus representantes rejeitam as acusações de que sua atuação tenha como objetivo retirar direitos de pessoas trans. E, com a franquia novamente ocupando o centro da cultura pop, esse debate provavelmente continuará acompanhando Harry Potter muito além dos corredores de Hogwarts.

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