Cinco anos depois de ter apresentado o já esquecido A Última Fronteira no Festival de Cannes 2016, Sean Penn volta a Croisette com Flag Day na competição oficial pela Palme d’Or. Pela primeira vez o artista trabalha como diretor e ator ao mesmo tempo e também é a estreia de pai e filha juntos diante das câmeras. Aos 30 anos, Dylan Penn experimenta seu primeiro grande filme e responde a muitas questões sobre misturar os papéis entre pai e filha em cena e na vida real. 

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Entre Pai e Filha 

Baseado no livro de memórias da jornalista norte-americana Jennifer Vogel (Flim-Flam Man: A True Family History, 2004), Flag Day conta a relação da escritora, da infância à idade adulta, com o seu progenitor, um falsário e fugitivo da polícia. Segundo o Sean Penn, o interesse pelo projeto nasceu simplesmente do encontro com uma história fantástica, que o emocionou. Ele ainda confessou: “a primeira imagem que eu tive enquanto estava lendo o roteiro foi o rosto dela [apontando para filha ao seu lado] e com isso veio todo o resto. Claro, a história em si é tocante, por razões claras, e Jennifer [Vogel] escreveu um ótimo livro que tornou-se uma bíblia de referência”. 



Dylan Penn e Sean Penn na coletiva de Flag Day (Foto: Letícia Alassë)

Já Dylan, que esteve apenas em pequenos trabalhos – como o desconhecido filme de terror Condemned (2015) -, viu-se com a chance de estrear como protagonista em Cannes. Sobre a história, ela diz ter lido o livro pela primeira vez aos 15 anos, então ao ler o roteiro aos 30 foi quase como ler o seu diário da adolescência. A verdadeira dona da difícil trajetória apresentada no filme, Jennifer Vogel afirmou: “quando uma história é tão íntima, como esta é, a gente deseja que esteja em boas mãos. Porque é importante saber como as coisas serão representadas e se o diretor dará a devida atenção a todos os personagens”. 

Ser ou não ser o protagonista

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A princípio Sean Penn não queria atuar no filme. “Nunca tive vontade de ter um segundo trabalho, além do de diretor, neste filme”, expõe. Quase dois meses antes de começarem as filmagens, o protagonista não estava decidido. “Eu realmente fiz tudo que pude para não pegar este papel. Eu enviei o roteiro um mês e meio antes de começar a filmar par Matt Damon, que foi muito generoso em me ligar rapidamente, não para dizer que ele não poderia fazer ou que poderia, mas que eu seria um idiota completo se eu não o fizesse e perder a oportunidade de atuar com a minha filha neste trabalho”. 

Jennifer Vogel, elenco e produtores de Flag Day, filme da Mostra Competitiva em Cannes 2021. (Foto: Letícia Alassë)

Com a pressão dos produtores e conselho do colega Matt Damon, Sean Penn topou o jogo duplo. Como ele representa um pai ausente, Penn mencionou a suposição das pessoas dele ter sido, por conta da profissão de ator, um pai ausente igualmente ausente na vida dos filhos Dylan e Hooper Penn (também presente no filme). O artista explica que é exatamente o oposto: “Nunca passei mais de duas semanas longe deles. (…) Na verdade, quando não estou em gravação, estou em casa 24/7”. 



Fora das Filmagens

Lembrado pelos seus atos humanitários, Sean Penn alfinetou a desinformação do governo de Donald Trump no início da pandemia e a declarou como “obscena”. “Fomos decepcionados, negligenciados, mal informados”, declarou. O ator estava com a máscara do projeto CORE (Community Organized Relief Effort, na tradução Esforço de Ajuda Organizado pela Comunidade), o qual ele ajudou a divulgar e ampliar a testagem contra Covid-19 e a distribuir alimentos, em Los Angeles, nos Estado Unidos, logo no início do contágio em abril de 2020.

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