Filmes água com açúcar: antídoto para deprê ou constatação do previsível?


De previsíveis a quentinhos no coração, os filmes ‘água com açúcar’ aparecem de vez em quando diante de nós, apresentando aquele clima de eterno otimismo para conflitos que geralmente se desenvolvem em narrativas leves, sem necessidades de reflexões profundas. É o tipo de filme feito para agradar, que raramente não encontra o final feliz.

Da maioria dos filmes de natal, também aquelas comédias com humor inofensivo, passando pelos romances com personagens estereotipados – a sensação de reconforto está em cada linha desses roteiros. Mas será que esses filmes refletem realmente a realidade, ou são simplesmente a validação de que é melhor nos contentarmos com o ‘happy end’ da ficção?

Pensando nesse tema – que para algumas pessoas pode parecer peculiar – vamos fazer a seguir uma curta análise de três pontos associados a essas produções:

 

Fórmula de bolo batida mas com a eficiência da simpatia

Convencional até a última página do roteiro, essas produções parecem ligar alguns pontos rumo ao ‘faz de conta que acontece’. Podem perceber: personagens estereotipados, pequenos obstáculos no caminho dos protagonistas, nenhuma tragédia – no final, tudo é lindo e maravilhoso. E, claro, dos relacionamentos ligados ao coração sempre vem acompanhando de uma carga adicional de clichês.

A junção desses elementos geralmente ganha uma pitada de empatia – e, aí, podemos ser conquistados nesse ponto. Não é nenhum absurdo você abraçar cm força um filme ‘água com açúcar’. Fique tranquilo.

Um grande exemplo é Minha Família quer que eu Case, longa-metragem disponível no Telecine. Flertando com os clichês dos filmes românticos ‘água com açúcar’, mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, esse longa-metragem britânico pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur, com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e pelas as raízes conservadoras.

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Constatação do previsível pelo público

Por se esconder de conflitos dramáticos e trazer leveza ao invés de provocações, a constatação do previsível é algo marcante nessas produções. Quem nunca viu um filme que começa e você mais ou menos já sabe como vai terminar? Ou mesmo aquele filme com um casal que se conhece e sabemos que eles vão ficar juntos no final?  Essa falta de surpresa, é um ponto que pega muito para esses filmes, afastando parte do público que está em busca de reflexões mais profundas.

Podemos conferir isso em: At Midnight, disponível no Disney Plus. Na trama, conhecemos Alejandro (Diego Boneta) um exemplar funcionário de um hotel de luxo no México que tem o sonho de ter seu próprio empreendimento nos Estados Unidos. Certo dia, chega para se hospedar no hotel a conhecida atriz hollywoodiana Sophie (Monica Barbaro), que passou recentemente por uma decepção amorosa com um outro ator. Ela está no México para rodar a continuação de uma franquia de sucesso que faz parte. Alejandro e Sophie se esbarram de maneira inusitada e a partir desse dia combinam encontros sempre à meia-noite para se conhecerem melhor.

10 ÓTIMOS filmes água com açúcar

 

Um antídoto ao caos do nosso cotidiano

Muita gente reclama dessas produções, mas uma coisa é certa: há dias em que esses filmes se encaixam como uma luva. Estresse no trabalho, uma semana difícil, distância do grande amor de sua vida, briga com amigos – alguns momentos que surgem ao longo da nossa estrada de vida nos levam a necessitar por um filme em que tudo acontece de maneira leve e, no desfecho, tudo dá certo.

Pode perceber: é só dar o play em um filme ‘água com açúcar’ para aquelas suas previsões pessimistas sobre os próximos dias comecem, aos poucos, a mudar.

Um caso que ilustra bem isso é Virando a Página, filme disponível na Diamond Films Plus. Na trama, acompanhamos a trajetória do roteirista Keith Michaels (Hugh Grant), um trabalhador do mundo do cinema que, após um grande sucesso, nunca mais repetiu o feito e foi esquecido por estúdios. Sem dinheiro nem para pagar a conta de luz de sua casa, resolve aceitar uma oferta: dar aula de roteiros em uma faculdade no interior dos Estados Unidos. Chegando na desconhecida cidadezinha, começa a tentar reconstruir sua vida. Para isso, vai contar com a ajuda da Holly Carpenter (Marisa Tomei), um estudante do curso de roteiro.

 

Há muitos outros pontos que fazem parte desse universo dos filmes ‘água com açúcar’, mas uma coisa é certa: cada filme chega de maneira diferente para cada pessoa. No final, o importa é a diversão – nem que seja com uma dosezinha de mais do mesmo.

 

 

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.