A aguardada fusão entre a Paramount Pictures e Warner Bros. Discovery sofreu um novo revés nos tribunais. Segundo informações da Deadline, uma decisão judicial permitiu que grupos contrários ao negócio apresentassem manifestações no processo, o que torna praticamente impossível que a operação seja aprovada imediatamente.
A autorização foi concedida pela juíza federal Araceli Martínez-Olguín, poucas horas antes de uma audiência que era vista como uma etapa protocolar para validar o acordo antitruste firmado entre a Paramount, a Warner Bros. Discovery e uma coalizão de procuradores-gerais estaduais.
A organização Block the Merger recebeu autorização para protocolar um documento como parte interessada. Todos os memoriais deverão ser apresentados até 0h01, no horário do Pacífico, de 25 de setembro. De acordo com a determinação da juíza, o prazo não será prorrogado e documentos entregues depois do limite não serão considerados.
“Estamos satisfeitos porque o tribunal está permitindo que o público se manifeste sobre uma questão tão importante”, declarou Jessica J. González, codiretora-executiva da Free Press e uma das advogadas do grupo, conforme citado pela Deadline. Para ela, o acordo proposto é “fraco e impossível de aplicar” e não representa adequadamente o interesse público.
A movimentação preocupa a Paramount porque qualquer atraso pode gerar custos milionários. A partir de 1º de outubro, a empresa poderá ser obrigada a pagar uma taxa de US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner Bros. Discovery enquanto a transação não for concluída. Segundo a Deadline, o valor pode ultrapassar US$ 630 milhões por trimestre.
O chamado “ticking fee” foi um dos principais pontos de pressão sobre a Paramount durante as negociações. A companhia chegou a ameaçar deixar a Califórnia e transferir suas operações para um estado como o Tennessee caso a fusão fosse bloqueada ou adiada até o julgamento previsto para março de 2027.
Antes da decisão que autorizou as manifestações, Paramount e Warner Bros. haviam apresentado uma oposição ao pedido. As empresas argumentaram que permitir que grupos que não são parte do processo atrasassem o fechamento do negócio seria inadequado e poderia causar “danos enormes” à Paramount.
“Qualquer processo de comentários que permitisse a terceiros atrasar o fechamento desta transação — causando prejuízos imensos à Paramount — seria impróprio”, afirmaram os advogados das empresas.
A defesa também alegou que organizações externas não entraram com ações antitruste próprias, não demonstraram os requisitos necessários para obter uma liminar contra a fusão e não ofereceram uma garantia financeira para cobrir eventuais prejuízos provocados pelo atraso.
O acordo antitruste foi firmado em 21 de setembro após uma longa disputa envolvendo os procuradores-gerais de diversos estados. A proposta prevê, entre outras medidas, a criação de conselhos de supervisão para garantir a independência editorial da CNN e da CBS News.
A Paramount considera que o acordo é justo tanto do ponto de vista processual quanto de seu conteúdo. Em um documento apresentado ao tribunal, os advogados da companhia afirmaram que doze procuradores-gerais estaduais negociaram o decreto após discussões extensas e difíceis, com representação jurídica especializada de todos os lados.
Os críticos, entretanto, defendem que as medidas não resolvem o principal problema do caso: o risco de que a fusão reduza a concorrência e provoque cortes de empregos em Hollywood. O senador Cory Booker também pediu que o tribunal faça uma análise independente do interesse público antes de aprovar o acordo.
“A corte deve comparar as soluções propostas com o que os estados pediram originalmente: uma liminar que bloqueasse completamente a fusão”, escreveu Booker em uma carta à juíza, de acordo com a publicação.
A audiência ainda permanece na agenda do tribunal, mas a decisão sobre os memoriais tornou improvável uma aprovação imediata. Enquanto isso, a Paramount e a Warner Bros. Discovery continuam sob pressão para concluir a operação antes que a conta diária de US$ 7 milhões comece a pesar — transformando a fusão em uma corrida contra o relógio.
Pressão para produzir mais filmes
Vale ressaltar que nesta semana o Deadline revelou que a empresa resultante da fusão poderá ser obrigada a se desfazer da Miramax se não cumprir as metas de produção estabelecidas no documento firmado com as autoridades norte-americanas.
A cláusula faz parte do acordo negociado por procuradores-gerais de quatro estados dos Estados Unidos e determina que a companhia combinada produza pelo menos 30 filmes por ano durante os dois primeiros anos. Nos três anos seguintes, a meta sobe para 32 longas anuais.
Caso exista um déficit, a nova empresa terá um período de seis meses para compensar os filmes que deixaram de ser produzidos. Se a pendência não for resolvida dentro desse prazo, a companhia deverá vender toda a sua participação direta e indireta na Miramax para um comprador aprovado pelo comitê formado pelas autoridades estaduais.
Embora não seja um dos maiores braços da Paramount, a Miramax continua sendo um ativo relevante. O estúdio foi responsável, em parceria, pelo novo filme da franquia ‘Todo Mundo em Pânico‘, que se tornou a maior bilheteria da Paramount no ano, arrecadando US$ 231,9 milhões mundialmente, sendo US$ 108,2 milhões apenas nos Estados Unidos. A empresa também produz a série ‘Magnatas do Crime‘, um dos maiores sucessos globais da Netflix.


