Game Of Thrones – Temp. 04 – Ep. 06

Game Of Thrones – Temp. 04 – Ep. 06


E, FINALMENTE, O VERDADEIRO REI SENTA NO TRONO

 

O colosso de Bravos, logo na abertura, anunciava mais um grande ep. de Game Of Thrones – GoT, o que se confirmou logo no primeiro diálogo. Stannis Baratheon (Dean-Charles Chapman), acompanhando de Davos Seaworth (Liam Cunningham), foi ao Banco de Ferro em busca de financiamento para seu exército. Inicialmente, os banqueiros negaram, mas, após Davos expor os méritos de Stannis, o dinheiro foi concedido. Suas palavras reforçaram minha certeza sobre as dimensões de Stannis, uma figura trágica, que carrega nas costas um misto de dever (de manter o reino em mãos legítimas) e ambição. A atuação de Chapman revela isso, por meio de seu semblante e do peso de seus ombros.

Ainda na sequência no Banco de Ferro, há um plano de conjunto da lateral da mesa. Do lado direito, três cadeiras altas e bem trabalhadas, nas quais os banqueiros sentam-se. Do lado esquerdo, um banquinho fuleiro para Stannis e Davos. Nesta breve tomada, traduziu-se visualmente a força do Banco de Ferro. De que adiantam os títulos, se não há recursos? E, se pensarmos que nesse mesmo banquinho sentou-se Tywin Lannister (Charles Dance), concordaremos com a frase atribuída ao Barão Rothschild: “Me dê o controle sobre o dinheiro da nação, e eu não me importarei com quem faz suas leis”.

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Neste ep., Yara Greyjoy (Gemma Whelan) tentou resgatar seu irmão Theon Greyjoy (Alfie Allen). A operação não foi bem sucedida, não por causa dos soldados de Ramsay (Iwan Rheon), mas pela sujeição completa de Theon. Ele fora reduzido a um animal, um cãozinho. Quando bateu em retirada, Yara sabia que não tinha mais irmão. De Theon, restou apenas Reek. Na cena seguinte, Ramsay deu um banho em Theon/Reek, e ordenou-lhe que se passe por Theon Grayjoy! Será um interessante jogo de espelhos.

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Em Meereen, Khaleesi (Emilia Clarke) começa a sentir o peso do trono. Assistimos duas das mais de duzentas audiências que concedeu aos súditos. O primeiro era um camponês, que perdeu as ovelhas por causa de um dos dragões. O segundo, um filho de um dos nobres que fora crucificado por ordens de Daenerys. Ele desejava enterrar seu pai, conforme os costumes. Depois de discutirem, Khaleesi autorizou o sepultamento. O diálogo remete ao clássico grego Antígona, de Sófocles, no qual o personagem título deseja enterrar seu irmão, mas o rei de Tebas não permite.

A atuação de Emilia Clarke, diante das dificuldades do trono, ressaltou as ambiguidades da personagem. Khaleesi está sentindo na pele a dificuldade de traçar uma linha clara entre o justo e o injusto.

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No momento seguinte, durante a reunião do conselho real, num diálogo entre Varys (Conleth Hill) e Pycelle (Julian Glover), ficamos sabendo que Jorah Mormont (Iain Glen) atou, por certo tempo, como espião da coroa, fato que terá repercussões.

Mas falemos do ponto alto deste ep. 6, o julgamento de Tyrion Lannister (Peter Dinklage).

Depois de um pronunciamento, o fantoche Tommem Lannister (Callum Wharry) cedeu o trono ao imperador Tywin Lannister (Charles Dance). Este, junto com Oberyn Martell (Pedro Pascal) e Mace Tyrell (Roger Ashton-Griffiths), formaram a corte.

Em um julgamento de cartas marcadas, os depoimentos releram fatos de episódios passados, de maneira depreciativa. Uma das falas mais clássicas de Tyrion – quando se dirigiu a Joffrey e, ironicamente, alertou-o de que de muitos reis estavam perdendo a cabeça, ultimamente – foi transformada em uma ameaça de morte. O alerta que ele deu a Joffrey de que morreria igual ao Rei Louco, foi lido como outra ameaça. O colar que Sansa recebera de Dontos Hollard (Tony Way), tornou-se prova do envolvimento de ambos no regicídio. Foi cruelmente curioso ver essa releitura da vida de Tyrion.

No intervalo do julgamento, Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) negociou com seu pai a substituição da pena de morte pelo exílio de Tyrion em Castelo Negro. Em troca, ele deixaria a guarda real para se casar e assumir Rochedo Casterly. O acordo não durou muito…

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Na segunda parte do julgamento, Shae (Sibel Kekilli) depôs. Suas palavras não foram de uma mulher traída, mas de uma mulher ferida, que não conseguiu curar-se das suas paixões; e temos certeza disso quando ela olha para Tyrion e, com a voz atravessada, recorda-lhe que ela era a sua cadela… A história de amor dos dois era deturpada em um mar de ódio e ressentimento.

Sem mais suportar, Tyrion confessou, não o assassinato de Joffreu, mas seu único crime, ser um anão. Suavemente, ouvimos os acordes de Rain Of Castamere. Também assumiu seu arrependimento por ter defendido Porto Real do ataque de Stannis, assumiu que gostaria de ter sido responsável pela morte de Joffrey e seu desejo de envenenar cada membro da corte. Ao final, apelou à justiça divina e pediu um julgamento por combate. O ep. 6 terminou com as faces contrapostas de Tyrion e Twyin.

Foi um dos maiores momento de GoT. Peter Dinklage matou a pau e colocou Tyrion, definitivamente, na galeria das maiores personagens da TV.

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