O processo judicial entre Gina Carano e a Disney/Lucasfilm referente à demissão da atriz da série ‘The Mandalorian’ chegou ao fim. Carano, que acusava os estúdios de discriminação e demissão injusta por suas opiniões conservadoras, anunciou que um acordo foi selado, embora os termos financeiros não tenham sido divulgados.
Em um comunicado ao The Hollywood Reporter, um porta-voz da Lucasfilm expressou a esperança de futuras colaborações: “Com este processo encerrado, esperamos encontrar oportunidades para trabalhar com a Sra. Carano em um futuro próximo”.
O estúdio complementou, elogiando a atriz: “Chegamos a um acordo com Gina Carano para resolver as questões em seu processo contra as empresas. A Sra. Carano sempre foi muito respeitada por seus diretores, colegas de elenco e equipe, e trabalhou com dedicação para aprimorar seu talento, tratando seus colegas com gentileza e respeito”.
Por sua vez, Gina Carano afirmou que o acordo representa “o melhor resultado para todas as partes envolvidas” e que seus “desejos permanecem nas artes”.

O processo, movido no ano passado, alegava que Carano foi demitida por expressar opiniões conservadoras nas redes sociais. A atriz pedia uma ordem judicial para ser reescalada em seu papel.
A ação ganhou destaque devido ao apoio de Elon Musk, que, cumprindo sua promessa de financiar processos judiciais de usuários que alegam discriminação na plataforma X (antigo Twitter), ajudou a custear as despesas legais. Carano expressou sua “mais profunda e sincera gratidão” a Musk por esse “ato de bom samaritano”.
A demissão da atriz pela Lucasfilm, anunciada em 2021, ocorreu após uma série de postagens consideradas controversas. Entre elas, uma publicação em que comparava a perseguição de judeus na Alemanha Nazista ao “odiar alguém por suas opiniões políticas”.
“A maioria das pessoas hoje não percebe que, para chegar ao ponto em que os soldados nazistas poderiam facilmente reunir milhares de judeus, o governo primeiro fez seus próprios vizinhos odiá-los simplesmente por serem judeus. Como isso é diferente de odiar alguém por suas opiniões políticas?”, afirmou na época.
Antes disso, a ex-lutadora de MMA já havia zombado dos mandatos de uso de máscaras durante a pandemia de COVID-19 e feito alegações falsas sobre fraude nas eleições presidenciais de 2020, o que a levou a ser dispensada de sua agência, a UTA.

De acordo com a denúncia, a Disney e a Lucasfilm teriam assediado e difamado Carano, que recebia US$ 25.000 por episódio como atriz convidada e mais tarde negociou um bônus único de US$ 5.000.
A atriz alegava que foi demitida por se recusar a aderir aos posicionamentos dos estúdios sobre temas como o movimento Black Lives Matter, pronomes de gênero e alegações de fraude eleitoral, que foram desmentidas.
Carano argumentou que sua demissão foi motivada por suas crenças culturais e religiosas, enquanto comportamentos semelhantes de colegas homens teriam sido ignorados. Ela citou como exemplo uma publicação de 2017 de Pedro Pascal, seu colega de elenco, que comparava o então presidente Donald Trump a Hitler.
A ação judicial também afirmava que Carano foi demitida de ‘The Mandalorian’ e de outros projetos do universo Star Wars após recusar uma reunião com a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, e 45 funcionários que se identificam como LGBTQ+.
No ano passado, o tribunal recusou o pedido da Disney para arquivar o processo, rejeitando o argumento da empresa de que teria o direito de não se associar a talentos cujas opiniões pudessem afastar os fãs da franquia.

