Os indicados ao Globo de Ouro 2021 foram anunciados ontem e cinéfilos pelo mundo não falam de outra coisa. A verdade é que estávamos precisando de alguma novidade que mexesse com o marasmo de um ano sem cinema. E sem dúvida o primeiro anúncio para um grande prêmio da temporada sacudiu as coisas. Como de costume, o Globo de Ouro chega como uma prévia do Oscar, e será exibido no dia 28 de fevereiro. O Oscar, igualmente adiado, ocorrerá em abril este ano.

O Globo de Ouro é o prêmio criado pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood (a HFPA) e já existe desde 1944. Ao longo de sua trajetória se tornou a segunda maior premiação quando falamos em cinema (e segundo muitos, a 2ª mais importante também). Desde sua criação, a cerimônia é tida como um termômetro dos prêmios da Academia, com muitos filmes selecionados pela imprensa estrangeira de Hollywood voltando a aparecer no Oscar e muitas vezes também levando os prêmios por lá. Pensando nisso, resolvemos introduzir uma série de matérias visando colocar você mais por dentro dos indicados deste ano. Começaremos nossa primeira com os nomeados a melhor filme na categoria de drama. Saiba mais sobre os cinco escolhidos abaixo, não esqueça de anotar e comentar.

Mank



O campeão de indicações na categoria, com 6 ao total, Mank é também um dos mais chamativos desta edição. Aclamado pela crítica especializada, o filme tem na direção um dos melhores cineastas da atualidade, David Fincher (responsável por obras extremamente cultuadas vide Seven, Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e Garota Exemplar). Mank é o primeiro filme de Fincher em seis anos e tem um valor bem sentimental, já que o roteiro foi escrito por seu pai, Jack Fincher, falecido em 2003. O longa é puro estilo até a alma, todo filmado em preto e branco, dono de uma parte técnica riquíssima (direção de arte, edição, fotografia) e atuações grandiosas. Desde sua estreia na Netflix no início de dezembro passado, especialistas dão como certa sua presença no Oscar.

Esse é, no entanto, um caso de filme do qual a divergência entre críticos e o público parece certa. Mank, como dito, é em preto e branco, estilo de filme clássico, tem um ritmo deliberadamente lento, é bastante longo e aborda um assunto restrito, digamos, para os que se interessam pelos bastidores da sétima arte: ou seja, é um “filme sobre fazer filmes”. Mank é na verdade uma espécie de biografia de Herman J. Mankiewicz, roteirista em baixa de Hollywood que recebe nova chance de estrelato ao ser convidado por ninguém menos que Orson Welles para ajudá-lo a escrever Cidadão Kane (1941), considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. Mank desmistifica, de quebra, a participação de Welles como autor da obra. O protagonista é vivido por Gary Oldman (vencedor do Oscar por O Destino de uma Nação) em estado de graça. Porém, mesmo os entusiastas de todos estes elementos podem encontrar barreira ao “encarar” Mank, um filme que não facilita seu acesso, é extremamente verborrágico e não tem qualquer intenção de apresentar seus personagens e sua história aos não escolados. A sensação é a de que pegamos o bonde andando e precisamos correr para acompanhar.

Os 7 de Chicago

Assim como ano passado, a Netflix chega forte à época de prêmios em 2021 e emplaca logo dois filmes na categoria de drama. E são justamente os dois filmes com mais indicações e que já estão disponíveis para você assistir aqui no Brasil. Os 7 de Chicago também fala sobre uma história real e é garantido de agradar mais o grande público. Tudo porque seu tema é bastante atual e acessível, se encontrando em perfeita harmonia com os tempos politicamente engajados que vivemos, onde a todo instante questionamos nossos governantes e seu poder. É o povo querendo pegar as rédeas de sua nação. Os 7 de Chicago é um filme vibrante e emocionante, mais identificável e que, além de todos os seus atrativos, traz um dos melhores elencos da temporada: com nomes como Eddie Redmayne, Sacha Baron Cohen, Joseph Gordon-Levitt, Michael Keaton, Mark Rylance, Frank Langella e Yahya Abdul-Mateen II.

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Com cinco indicações ao Globo de Ouro, Os 7 de Chicago também traz um nome de peso na direção, aqui temos Aaron Sorkin no comando, roteirista de sucesso que levou o Oscar por A Rede Social (2011) e marcou sua estreia como diretor em A Grande Jogada (2017). A trama acompanha um grupo de protestantes, em uma passeata que escalou para uma revolta durante a Convenção Nacional do Democratas em 1968. Sete homens foram presos pelos mais diversos motivos, e o filme acompanha seu julgamento, que entrou para a história como uma verdadeira luta contra a injustiça e pelos direitos dos cidadãos.

Nomadland

Programado para estrear nos cinemas do Brasil no dia 4 de fevereiro, Nomadland está indicado a 4 prêmios no Globo de Ouro deste ano. O filme é vendido pela presença da sempre ótima vencedora do Oscar Frances McDormand protagonizando. A atriz já guarda em seu currículo duas estatuetas como atriz principal (por Fargo e Três Anúncios para um Crime), além de outras três indicações – que podem aumentar para quatro este ano. Esse é um dos filmes “Woman power” (ao invés de girlpower) da temporada, com McDormand também produzindo, e a chinesa Chloé Zhao no roteiro e direção. Os nerds fãs da Marvel sabem bem quem ela é, já que a cineasta asiática irá entregar o ambicioso blockbuster Os Eternos também este ano. E agora todos se sentem mais confiantes, após este trabalho da diretora ser abraçado por críticos, prêmio e em breve prometendo agradar ao público igualmente.



Esta é uma obra intimista, no entanto, contrastando com o ar de superprodução dos itens acima. Na trama, McDormand vive uma mulher numa jornada de autodescoberta, ao viajar em seu trailer, sem casa ou destino, pelas estradas norte-americanas, buscando trabalho numa época difícil e no caminho conhecendo todo tipo de pessoa. Dadas as devidas proporções, é uma espécie de Na Natureza Selvagem (2007) da meia idade e feminino.

Bela Vingança

Este item é o filme mais jovem, descolado e espertinho do lote. Criativo em sua narrativa, Bela Vingança tem um visual chamativo e uma performance cativante de sua protagonista, a indicada do Oscar Carey Mulligan (Educação), que pode descolar uma segunda nomeação da Academia em 2021. Promising Young Woman (no título original) também possui quatro indicações ao Globo de Ouro deste ano e promete sua estreia para o dia 18 de março em nosso país. Apesar de sua dinâmica mais arrojada e atrativa ao grande público, Bela Vingança não esquece seu discurso de empoderamento feminino, possui direção e roteiro da jovem cineasta britânica Emerald Fennell, e produção da estrela Margot Robbie e da própria Mulligan.

Apesar do “embrulho” colorido e pop, Bela Vingança, como diz o título brasileiro, é, bem, sobre vingança. O longa chega com a promessa de ser a revanche definitiva das mulheres contra homens abusadores, machistas e estupradores. Na trama, Mulligan vive uma jovem que sofreu abuso no passado e decide sair em busca de justiça pessoal, com as próprias mãos, transformando a vida de homens tóxicos num verdadeiro inferno. Os críticos compraram a ideia e chamaram o filme de “provocativo e esperto, uma comédia incorreta e sombria com a melhor performance da carreira da talentosa jovem atriz”.

Meu Pai



Baseado numa peça, chegamos agora ao último item da lista. The Father (no original) é o terceiro da lista com 4 nomeações ao Globo de Ouro este ano. Este drama estarrecedor e enigmático aborda a chegada da velhice e os problemas acarretados com ela, além da forma que lidamos com sua fragilidade inerente. Desde já desponta como opção para lista de filmes a assistirmos com nossos pais. Uma bela homenagem para o relacionamento de pais e filhos. O chamariz aqui é a performance do veteraníssimo Anthony Hopkins no auge de seus gloriosos 83 anos interpretando… bem, um octogenário lidando com problemas de memória e situações que não aparentam ser o que são. Mas, estará tudo acontecendo mesmo, ou sua mente começa a lhe pregar peças?

Prometido para o dia 11 de março no Brasil, o filme é dirigido pelo autor da peça, o francês Florian Zeller, que também adapta seu texto para as telas no roteiro. O cineasta é conhecido por ter assinado o roteiro das produções francesas A Viagem de Meu Pai (2015) e A Outra Mulher (2018). No drama enigmático, temos o bate-bola do vencedor do Oscar Hopkins com uma recente ganhadora do mesmo prêmio, Olivia Colman (A Favorita), que interpreta a sofredora filha do idoso ranzinza. Meu Pai já desponta com um dos filmes mais interessantes da temporada – é só conferir seu trailer – e nos faz aguardar ansiosos sua estreia.

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