Gostou de ‘Meu Nome é Dolemite’? Conheça os mais famosos filmes blaxploitation

Gostou de ‘Meu Nome é Dolemite’? Conheça os mais famosos filmes blaxploitation



Meu Nome é Dolemite já está em cartaz na Netflix. O longa que marca o retorno de Eddie Murphy aos filmes após um longo hiato estreou no Festival de Toronto e vem gerando falatório de prêmios desde então. O filme narra a trajetória do ator da vida real Rudy Ray Moore, que adotou o pseudônimo de Dolemite e bancou seu próprio filme – se tornando uma das figuras mais icônicas do movimento conhecido como blaxploitation (filmes feitos por artistas negros para o público negro), da década de 1970.

Pense em um mistura de Ed Wood (1994) e Artista do Desastre (2017), e temos o retrato de um homem apaixonado por filmes, querendo emplacar na indústria. Os filmes blaxploitation sempre vinham servidos de tramas policiais, crime, nudez, sexo e violência. Acima de tudo, este movimento foi responsável por introduzir e consolidar artistas negros, como Pam Grier (a maior estrela do gênero) por exemplo, no mercado, sendo alguns de seus filmes cultuados como marcos do cinema – como veremos abaixo.

Pensando nisso, e aproveitando o lançamento do ótimo Meu Nome é Dolemite, o CinePOP resolveu criar uma lista com alguns dos mais famosos filmes do movimento blaxploitation. Vem conhecer.

Shaft (1971)

Sem dúvida o mais icônico filme do movimento blaxploitation, que ecoou para além do gênero, transformando o policial durão e pegador num produto da cultura pop. Shaft é inclusive mencionado duas vezes em Meu Nome é Dolemite.

Richard Roundtree deu vida ao personagem e segue interpretando-o até hoje. Com o sucesso do longa, Shaft apareceu numa continuação (O Grande Golpe de Shaft, 1972), e num terceiro filme (Shaft na África, 1973). O personagem também gerou uma série de TV (1973-1974), um reboot com Samuel L. Jackson interpretando o protagonista (2000) e uma sequência tardia lançada este ano.

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Super Fly (1972)

Se tem um filme do blaxploitation que se equipara a Shaft em termos de popularidade, este filme é Super Fly. O longa também é mencionado em Meu Nome é Dolemite.

A trama acompanha um traficante de cocaína pra lá de cool, que deseja se aposentar após um último grande negócio. As tramas sempre focavam em policiais ou criminosos, e Super Fly é a antítese de Shaft. O longa foi refilmado, com uma adaptação aos dias de hoje, e lançado em 2018. No Brasil, com o título Superfly: Crime e Poder, teve um lançamento em vídeo, apesar dos elogios da imprensa.

Dolemite (1975)

Eddie Murphy decidiu prestar homenagem a Rudy Ray Moore no longa da Netflix. E muitos fãs irão correr atrás do filme original. Na trama, um cafetão (Moore) persegue e se vinga de criminosos e policiais corruptos que o incriminaram após ser libertado da cadeia.

Moore voltaria ao papel de Dolemite no ano seguinte, com The Human Tornado (1976), levando a trama para a Califórnia. O personagem retornaria em 1999, com Shaolin Dolemite, e em 2002, com The Return of Dolemite. Em 1994, um documentário intitulado The Legend of Dolemite, sobre o ator e seu famoso personagem foi lançado.

Um dos trabalhos famosos de Rudy Moore nesta fase foi Disco Goodfather (1979), filme que aproveitava o sucesso de O Poderoso Chefão e sua sequência e o misturava com a onda das discotecas que assolava o mundo. Na trama, Moore vive um ex-policial, trabalhando como DJ de uma famosa boate, conhecido como Disco Godfather.

Coffy: Em Busca de Vingança (1973)

Como dito, um dos grandes nomes do movimento blaxploitation foi o de Pam Grier. Justamente por isso, a atriz e o gênero foram homenageados em Jackie Brown (1997), filme de Quentin Tarantino.

E foi neste filme que tudo começou. Este foi o primeiro trabalho como protagonista da atriz num filme do gênero. Como Coffy, Grier vive um enfermeira atrás de vingança contra traficantes de drogas após sua irmã se tornar vítima deles.

Foxy Brown (1974)

Logo no ano seguinte, Pam Grier voltou a estrelar um filme escrito e dirigido por Jack Hill. Em mais uma personagem icônica em busca de vingança, desta vez pelo assassinato de seu namorado, Grier vive uma mulher voluptuosa que precisa se disfarçar de prostituta.

‘Sheba, Baby’ (1975)

Aqui, Pam Grier vive uma policial, que volta para sua antiga cidade a fim de ajudar seu pai a enfrentar mafiosos. No elenco, D’Urville Martin, diretor de Dolemite, interpretado pelo rouba-cenas Wesley Snipes em Meu Nome é Dolemite.

Cleópatra Jones (1973)

Versão feminina de Shaft, Cleópatra Jones é uma agente especial dos EUA, interpretada por Tamara Dobson. O longa fez tanto sucesso que gerou uma continuação dois anos depois, com Cleópatra Jones e o Cassino de Ouro (1975), onde a agente, novamente vivida por Dobson, vai até Hong Kong para investigar o desaparecimento de dois colegas oficiais.

Tais filmes com personagens femininas fortes foram homenageados em Austin Powers: O Homem com o Membro de Ouro (2002), no qual Beyoncé interpretou a agente Foxxy Cleopatra, uma brincadeira com os nomes das icônicas personagens acima.

Blacula, O Vampiro Negro (1972)

O domínio do blaxploitation eram filmes policiais de crime e ação, porém, muitos filmes de terror dentro do gênero foram produzidos e também faziam sucesso. O mais famoso deles foi este Blacula, subversão de Drácula para a comunidade negra. Na trama, um príncipe africano é transformado em vampiro pelo próprio Drácula. Ele desperta em Los Angeles na década de 1970 para assombrar seus habitantes.

O filme gerou uma continuação intitulada Os Gritos de Blacula (Scream Blacula Scream, 1973), na qual o príncipe é manipulado por magia negra voodoo e forçado a matar de novo. Esta sequência conta com a participação de Pam Grier (e quem mais?) no auge da fama como a mocinha que enfrentará o vampiro.

Eddie Murphy homenageou o clássico em Um Vampiro no Brooklyn (1995), dirigido por Wes Craven.

Blackenstein (1973)

Outro filme mencionado em Meu Nome é Dolemite. Esta produção é, obviamente, uma investida no clássico Frankenstein. Na trama, um veterano do Vietnã perde os braços e as pernas ao pisar numa mina. De volta aos EUA, ele é operado com novos membros, mas um sabotador altera seu DNA, transformando-o numa monstro assassino.

A Vingança dos Mortos (1974)

Até mesmo os filmes de zumbi ganharam um tratamento na época do blaxploitation. Aqui, Sugar Hill (Marki Bey) – título original da obra – quer vingança contra mafiosos após seu namorado ser morto. Ela decide usar magia negra para evocar os mortos, tendo ajuda de um grupo de zumbis para dar seu troco nos criminosos.

J.D.’s Revenge (1976)

Aqui o foco é a possessão de espíritos. Um dócil estudante de direito negro é possuído pelo espírito de um mafioso da década de 1940, atrás de vingança por seu assassinato e o de sua irmã. O veterano Louis Gossett Jr. está no elenco no papel de um reverendo.

Petey Wheatstraw (1977)

Filme de terror protagonizado por Rudy Ray Moore. O ator interpreta um sujeito assassinado por seus rivais, que é ressuscitado após aceitar casar com a filha do Diabo.

O Último Dragão (1985)

Um dos últimos exemplares do gênero blaxplotation, já sem a mesma força da década anterior, este longa traz o universo das artes marciais para a Nova York da década de 1980. Um jovem mestre das artes marciais se apaixona e passa a defender uma famosa cantora (vivida pela estonteante Vanity) de uma gangue.



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