Poucos nomes no cinema de comédia são tão instantaneamente reconhecíveis quanto o de Adam Sandler. Com seu estilo inconfundível — que mistura humor físico, personagens esquentados e uma dose surpreendente de sensibilidade — ele construiu uma carreira sólida e cheia de sucessos que marcaram gerações. Seja como o cara imaturo tentando amadurecer, o romântico atrapalhado ou o maluco de bom coração, Sandler deixou sua marca em dezenas de filmes que, mesmo quando dividem a crítica, conquistam o público com facilidade.
Pegando carona no sucesso de ‘Um Maluco no Golfe 2’, lançamento recente da Netflix que reacendeu o amor dos fãs pelo personagem Happy Gilmore, revisitamos aqui as 10 melhores comédias da carreira de Adam Sandler. Subimos degrau por degrau até o topo do pódio, relembrando os filmes que fizeram rir, emocionaram e consolidaram Sandler como um dos grandes nomes da comédia contemporânea. Prepare-se para nostalgia. Confira abaixo.
10 | Tratamento de Choque (2003)

Em ‘Tratamento de Choque’ (Anger Management), Adam Sandler contracena com ninguém menos que o monstro sagrado Jack Nicholson, em uma dupla improvável que rende ótimos momentos de humor e caos. Na trama, Sandler interpreta Dave Buznik, um pacato executivo que, após um mal-entendido em um avião, é condenado a participar de um programa de controle da raiva conduzido pelo excêntrico Dr. Buddy Rydell (Nicholson). O problema é que o terapeuta é ainda mais instável que seus pacientes — e sua metodologia inclui invadir a vida de Dave de maneira cada vez mais invasiva e absurda.
Lançado em 2003, o filme mistura comédia pastelão com uma pitada de crítica ao culto do autocontrole e da repressão emocional. Nicholson se diverte no papel, enquanto Sandler entrega um de seus melhores desempenhos no papel do “cara comum” que se vê à beira do colapso. Dirigido por Peter Segal (‘Como Se Fosse a Primeira Vez’), ‘Tratamento de Choque’ foi um sucesso de bilheteria e marcou mais um passo na consolidação de Sandler como um dos reis da comédia dos anos 2000.
Disponível na HBO Max e no Mercado Play.
09 | Juntos e Misturados (2014)

Adam Sandler e Drew Barrymore se encontram pela terceira vez nas telonas, depois de ‘Afinado no Amor’ e ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’. A química entre os dois continua afiada, em mais um enredo que flerta mais com o sentimental do que com o escracho. Aqui, eles vivem dois pais solteiros que têm um encontro desastroso, mas acabam obrigados a dividir uma viagem à África com seus respectivos filhos. O resultado? Muitas situações inusitadas e, claro, o início de um improvável romance.
Dirigido novamente por Frank Coraci (de ‘Click’), o filme acerta ao misturar comédia familiar com paisagens exóticas e um clima de aventura, além de momentos genuinamente tocantes sobre paternidade e reconstrução de laços. Ainda que não tenha sido um fenômeno de crítica, o longa foi bem recebido pelo público e se destaca por equilibrar o humor típico de Sandler com um tom mais doce e acessível para todas as idades. É o tipo de comédia que abraça o clichê sem medo e ainda arranca boas risadas no processo.
Disponível na Netflix, Amazon Prime Video e HBO Max.
08 | O Paizão (1999)

Um marco na carreira de Adam Sandler, mostrando que ele era capaz de ir além do humor escrachado e entregar um filme com coração — mas, é claro, sem perder a piada. No longa, ele interpreta Sonny Koufax, um homem imaturo e preguiçoso que, em um esforço desesperado para impressionar a ex-namorada, decide adotar Julian, um garotinho deixado na porta do seu apartamento. O que começa como uma manobra infantil acaba se transformando em um processo de amadurecimento sincero, tanto para o protagonista quanto para o público.
Dirigido por Dennis Dugan, parceiro frequente de Sandler, ‘O Paizão’ combina piadas bobas, cenas emocionantes e uma dinâmica adorável entre o ator e os irmãos gêmeos Dylan e Cole Sprouse, que se revezam no papel de Julian. Lançado no auge da popularidade de Sandler, o filme foi a maior bilheteria de sua carreira até hoje e ajudou a firmar sua imagem como um comediante de apelo familiar, capaz de atrair tanto os fãs do besteirol quanto os que buscavam uma história com alma. Uma comédia que fala sobre crescer — mesmo que seja na marra.
Disponível na HBO Max.
07 | Afinado no Amor (1998)

Aqui Adam Sandler mergulha nos anos 80 para viver Robbie Hart, um cantor de casamentos com coração partido e penteado duvidoso. Após ser abandonado no altar, Robbie entra em crise até conhecer Julia (Drew Barrymore), uma garçonete doce e noiva de um verdadeiro idiota. O romance entre os dois vai sendo construído aos poucos, embalado por um clima nostálgico irresistível, uma trilha sonora impecável e um humor que equilibra o sarcasmo com ternura.
Dirigido por Frank Coraci, o filme marcou a primeira parceria entre Sandler e Barrymore — uma dupla que viraria queridinha do público e voltaria a brilhar junta em outros dois sucessos. Com seu figurino berrante, piadas certeiras e uma sensibilidade inesperada, ‘Afinado no Amor’ ajudou a mostrar uma faceta mais romântica e carismática de Sandler, sem perder o timing cômico. É uma comédia romântica com alma, ritmo e aquele charme retrô que continua encantando gerações.
06 | Golpe Baixo (2005)

Adam Sandler entra em campo — literalmente — para comandar uma comédia esportiva cheia de pancadaria, piadas de cadeia e redenção improvável. No filme, ele interpreta Paul Crewe, um ex-jogador de futebol americano caído em desgraça, que acaba preso após um escândalo e, na cadeia, é convocado para montar um time de detentos que enfrentará os brutais guardas da penitenciária. O resultado? Um campo de batalha onde o humor encontra a superação em meio a socos, passes e estratégias malucas.
Remake de um clássico dos anos 70 estrelado por Burt Reynolds (que também faz uma participação especial aqui), o filme é dirigido por Peter Segal e acerta ao combinar a típica comédia escrachada de Sandler com uma estrutura de “filme de esporte”, com direito a treino, motivação e virada heroica. Sandler brilha como o líder relutante, cercado por um elenco afiado que inclui Chris Rock, Terry Crews, Nelly e até o lutador Stone Cold Steve Austin. ‘Golpe Baixo’ é diversão sem firulas, com muita testosterona e uma dose generosa de camaradagem no melhor estilo “nós contra o sistema”.
05 | Tá Rindo do Que? (2009)

Chegamos ao top 5 com um dos filmes mais surpreendentes da carreira de Adam Sandler. Em ‘Tá Rindo do Quê?‘ (Funny People), ele mostra que sabe rir da própria fama — e também das dores escondidas por trás do riso. Dirigido por Judd Apatow, o filme traz Sandler no papel de George Simmons, um comediante de stand-up de enorme sucesso que, ao ser diagnosticado com uma doença grave, passa a reavaliar sua vida, carreira e relacionamentos. Nesse processo, ele contrata um jovem comediante aspirante (vivido por Seth Rogen) como assistente e confidente, dando início a uma relação cheia de sarcasmo, aprendizados e afeto torto.
Muito mais do que uma simples comédia, o longa equilibra drama e humor de forma sofisticada, oferecendo uma visão sensível — e por vezes cruel — sobre os bastidores da fama, a solidão do artista e o que realmente significa “fazer os outros rirem”. Sandler está em um dos melhores desempenhos de sua carreira, entregando uma performance contida, amarga e melancólica, que brinca com sua imagem pública sem medo de expor fragilidades. Com participações especiais de vários comediantes e uma vibe quase autobiográfica, ‘Tá Rindo do Quê?’ é uma obra madura e ambiciosa que eleva o nome de Sandler no cinema.
04 | Espanglês (2004)

Este é um daqueles filmes que pegam o espectador de surpresa: vendido como comédia leve, entrega uma história emocionalmente rica, com toques de drama e momentos de sensibilidade rara. Dirigido por James L. Brooks (‘Melhor é Impossível’), o longa acompanha a relação entre Flor (Paz Vega), uma imigrante mexicana que vai trabalhar como empregada doméstica em Los Angeles, e a família de John Clasky (Adam Sandler), um chef de cozinha gentil, porém emocionalmente apagado, casado com uma mulher instável (vivida por Téa Leoni).
Sandler surpreende ao abandonar completamente o estilo escrachado e mergulhar em um personagem introspectivo, sensível e ético, que tenta manter a harmonia da casa mesmo diante do caos emocional ao seu redor. Sua atuação é contida, madura e tocante, provando que ele é capaz de muito mais do que piadas de banheiro. ‘Espanglês’ trata de barreiras culturais, comunicação, família e identidade com delicadeza e humanidade — e, ainda assim, encontra espaço para boas risadas, sobretudo nas diferenças linguísticas e nos mal-entendidos afetivos.
Embora não tenha sido um grande sucesso comercial, ‘Espanglês’ permanece como uma joia rara na filmografia de Sandler, respeitado por quem viu e lembrado como um dos papeis mais sinceros de sua carreira.
Disponível no Mercado Play.
03 | Click (2006)

Subindo ao pódio, chegamos ao 3º lugar — a medalha de bronze vai para um dos filmes mais queridos (e surpreendentemente emocionantes) da carreira de Adam Sandler. ‘Click’ é aquele típico filme que começa como uma comédia nonsense e termina te pegando pelo colarinho emocional. Na trama, Adam Sandler vive Michael Newman, um arquiteto sobrecarregado e frustrado, que descobre um controle remoto universal capaz de manipular o tempo e todos os aspectos da realidade ao seu redor. A princípio, a ideia de avançar momentos tediosos ou brigas familiares parece genial — até que ele começa a perceber o preço de não viver o presente.
Dirigido por Frank Coraci, ‘Click’ mistura humor físico, situações absurdas e aquela típica fantasia dos anos 2000 com um tom inesperadamente melancólico no terceiro ato. Sandler entrega uma de suas performances mais equilibradas: engraçado quando precisa ser, mas também vulnerável e comovente quando a narrativa exige. O filme discute temas como tempo, prioridades, carreira, paternidade e arrependimento de forma acessível, tocando tanto o público jovem quanto os mais velhos. Apesar de alguns críticos subestimarem a produção à época do lançamento, ‘Click’ foi um grande sucesso de bilheteria e é frequentemente lembrado pelos fãs como uma das obras mais marcantes de Sandler — e que, sim, fez muita gente rir… e chorar.
Disponível na Netflix.
02 | Como Se Fosse a Primeira Vez (2004)

Com a medalha de prata, chegamos a um dos filmes mais adorados tanto pelos fãs de comédia quanto de romances. Se existe um filme que consolidou Adam Sandler como um astro capaz de equilibrar humor e romance com doçura, esse filme é ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ (50 First Dates). Na trama, ele interpreta Henry Roth, um veterinário galanteador no Havaí que finalmente se apaixona de verdade — por Lucy Whitmore (Drew Barrymore), uma mulher encantadora com um detalhe inesperado: ela sofre de perda de memória recente e esquece tudo o que viveu no dia anterior. Assim, Henry decide conquistá-la… todos os dias.
Dirigido por Peter Segal, o filme tem uma premissa inusitada que poderia cair facilmente no absurdo, mas funciona maravilhosamente bem graças à química infalível entre Sandler e Barrymore. É uma comédia romântica com coração, que fala sobre paciência, dedicação e a beleza do amor que insiste — sem nunca perder o charme leve e o toque de loucura típico dos filmes de Sandler. O roteiro ainda consegue emocionar sem forçar, arrancando risadas e suspiros com a mesma naturalidade.
‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ não é só um dos melhores filmes da carreira de Sandler — é também um dos mais amados do gênero nos anos 2000. Uma prova de que o amor verdadeiro talvez não precise durar para sempre de uma só vez… mas pode ser vivido de novo, todos os dias.
Disponível na Amazon Prime Video.
01 | Um Maluco no Golfe (1996)

O primeiríssimo lugar da lista — a medalha de ouro vai para um clássico absoluto da comédia sandleriana. ‘Um Maluco no Golfe’ (Happy Gilmore) é, para muitos fãs (incluindo este amigo que vos fala), o ápice do humor caótico, irreverente e marcante de Adam Sandler nos anos 90. No filme, ele interpreta Happy Gilmore, um aspirante a jogador de hóquei com sérios problemas de controle emocional… e um talento inusitado para o golfe. Quando sua avó perde a casa para a Receita Federal, Happy decide entrar no circuito profissional de golfe — com seu jeito bruto e imprevisível — para ganhar dinheiro e ajudá-la. O problema? Ele está cercado por jogadores refinados, regras rígidas e um vilão hilário: o arrogante Shooter McGavin (Christopher McDonald).
Dirigido por Dennis Dugan, o filme captura a essência do humor que fez de Sandler um ícone da comédia americana: personagens absurdos, violência cartunesca, situações improváveis e um protagonista explosivo, mas com um coração enorme. Cada cena é memorável — da luta com Bob Barker ao treino com um ex-golfista com mão de madeira (interpretado por Carl Weathers). É uma comédia descompromissada, divertida do começo ao fim, que se tornou cult entre os fãs e é frequentemente citada como um dos filmes mais engraçados dos anos 90.
Mais do que um sucesso de bilheteria, ‘Um Maluco no Golfe’ ajudou a consolidar o estilo “Adam Sandler” de fazer comédia: exagerado, imprevisível e estranhamente adorável. Adam Sandler possui outros filmes melhores, alguns inclusive contidos aqui na lista, mas sua melhor comédia é ‘Um Maluco no Golfe’.
Disponível na Netflix.
