Guillermo del Toro, aclamado cineasta conhecido por ‘O Labirinto do Fauno’ e ‘A Forma da Água’, revelou recentemente que está criando um estúdio pioneiro de stop-motion na prestigiada escola Gobelins, na França.
Segundo a Variety, o cineasta se unirá ao chefe da Netflix, Ted Sarandos, na iniciativa.
Na última sexta-feira, em Paris, a dupla anunciou a um grupo seleto de jornalistas que o projeto dará à próxima geração de artistas de animação a oportunidade de aprender, colaborar, inovar e ultrapassar os limites da arte do stop-motion.
O projeto também servirá como uma homenagem ao legado do falecido Mark Gustafson, que inspirou del Toro, criador do stop-motion ‘Pinóquio’.
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Refletindo sobre o apoio da Netflix, del Toro contou que foi abordado por Sarandos, que lhe perguntou o que estava em sua lista de desejos.
“Eu disse a ele: ‘Você é um bilionário. Se continuar comigo, farei de você um milionário’. Acredito que é fundamental olhar para as coisas que precisam ser preservadas, mesmo que, a curto prazo, você não veja claramente o porquê, exceto que, para algumas pessoas, elas são muito importantes. Quando ele apoiou ‘Pinóquio’ depois de quase 20 anos de busca por ele, isso foi importante”, afirmou del Toro.
Del Toro confirmou que ele e a Netflix estão embarcando em uma segunda aventura em stop-motion baseada no romance ‘O Gigante Enterrado’, do ganhador do Prêmio Nobel Kazuo Ishiguro.
“O momento para esta escola é perfeito, pois podemos integrar pessoas que entram ou saem dela ao projeto como aprendizes ou pessoas que aprendem a arte de criar cenários ou fantoches”, disse ele.
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Sarandos expressou sua admiração pelo stop-motion ser uma arte feita à mão.
“O que eu realmente adoro no stop-motion em um ambiente educacional é que aprendi com esse homem (del Toro) que stop-motion é fazer cinema. É figurino, é cenografia, é iluminação, é câmera, é tudo. Cada disciplina que você faz para fazer um filme, você está fazendo em animação stop-motion. O toque humano disso é algo que as pessoas percebem”, disse Sarandos.
No final das contas, del Toro deseja que o estúdio de stop-motion construa pontes entre criadores europeus e latino-americanos: “No México, em particular, o stop-motion sempre precisa urgentemente de apoio. Eles não recebem muito apoio do governo de lá. Acho que o importante é que a Europa e a América Latina estejam conectadas, isso abre um caminho de esperança”.
