A atriz Daryl Hannah manifestou-se publicamente contra a nova série de Ryan Murphy, ‘História De Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette’, condenando a forma como foi retratada na produção. Na trama, Hannah surge como a “vilã” do romance central, uma personagem que, na ficção, é mostrada consumindo cocaína, profanando heranças familiares e invadindo funerais privados.
Em um ensaio publicado via Deadline, Hannah classificou o projeto como uma “série que explora uma tragédia” e afirmou que a decisão de pintá-la como “irritante, egocêntrica e inadequada” foi deliberada.
Para Hannah, o uso de sua identidade como recurso narrativo é uma forma de misoginia moderna:
“Contar histórias exige tensão. Muitas vezes exige um obstáculo. Mas uma pessoa real, viva, não é um recurso narrativo. Há também uma dimensão de gênero nesse tipo de pensamento. A cultura popular há muito tempo eleva certas mulheres retratando outras como rivais, obstáculos ou vilãs. Não é misoginia clássica destruir uma mulher para construir outra?”, escreveu.
A atriz revelou que, desde a estreia, tem recebido “muitas mensagens hostis e até ameaçadoras de espectadores que parecem acreditar que a representação é factual”.
“Quando o entretenimento usa o nome de uma pessoa real. isso pode afetar permanentemente sua reputação”, acrescentou
A atriz ainda destacou algumas tramas da série que considera particularmente ofensivas.
“A personagem ‘Daryl Hannah’ retratada na série não é nem remotamente uma representação precisa da minha vida, do meu comportamento ou da minha relação com John. As ações e comportamentos atribuídos a mim são falsos. Nunca usei cocaína na minha vida nem organizei festas movidas a drogas. Nunca pressionei ninguém a se casar. Nunca profanei uma herança de família nem invadi um memorial privado. Nunca plantei histórias na imprensa. Nunca comparei a morte de Jacqueline Onassis à de um cachorro. É chocante que eu tenha que me defender por causa de um programa de televisão. Isso não são exageros criativos de personalidade. São alegações sobre comportamentos, e são falsas”, destacou.
Para quem ainda não assistiu, na série a personagem inspirada na atriz convida amigos usuários de drogas para o loft cheio de relíquias familiares em Tribeca que divide com John F. Kennedy Jr. e posteriormente aparece sem ser convidada no memorial de Jacqueline Kennedy Onassis.
Ela ainda acrescentou: “Sei que, como atriz, estarei sob os holofotes. Já enfrentei mentiras absurdas, histórias ruins e caracterizações desfavoráveis antes. Escolhi não combatê-las, mas focar no meu trabalho e respeitar meus entes queridos mantendo minha vida privada em sigilo. Mas meu silêncio não deve ser confundido com concordância com mentiras. Pelo visto, minha discrição me torna um alvo”.
A atriz ainda destacou que a família Kennedy é “notoriamente reservada” e que sempre respeitou essa privacidade: “Saibam que a maioria, se não todos, que afirmam ter conhecimento íntimo de nossas vidas pessoais são sensacionalistas interessados em si mesmos, negociando fofocas, insinuações e especulações”.
Hannah destacou o perigo de usar nomes reais em dramatizações na era digital, onde a linha entre fato e entretenimento se torna tênue para o público: “Em uma era digital, o entretenimento frequentemente se torna memória coletiva. Nomes reais não são ferramentas ficcionais. Eles pertencem a vidas reais”.
Ela relembrou um conselho que recebeu da própria Jacqueline Kennedy Onassis sobre a imprensa: “Ela me disse que tabloides, revistas e jornais muitas vezes vendiam mentiras ridículas, mas que no dia seguinte não passavam de papel para forrar gaiola de pássaro. Na época, essas palavras me trouxeram grande conforto. Mas hoje isso já não é verdade”.
Vale lembrar que Hannah teve um relacionamento intermitente com John F. Kennedy Jr. por cerca de cinco anos no início da década de 1990, relação que, segundo relatos, preocupava bastante sua mãe, Jacqueline Kennedy Onassis. Na série, a atriz é interpretada por Dree Hemingway e funciona como uma figura que ameaça o romance entre os protagonistas.

A história retrata o relacionamento de Kennedy Jr. com Carolyn Bessette-Kennedy, frequentemente visto como um “casal da realeza americana”. O relacionamento, porém, foi marcado pela intensa perseguição da imprensa e pela pressão constante dos tabloides.
A tragédia veio em 16 de julho de 1999, quando a pequena aeronave pilotada por Kennedy caiu no Oceano Atlântico, próximo à ilha de Martha’s Vineyard, em Massachusetts. O acidente matou Kennedy, sua esposa Carolyn e sua cunhada, Lauren Bessette. Conhecido entre amigos como “John-John”, ele era considerado uma figura carismática e magnética da vida pública americana.
O elenco da série inclui Paul Anthony Kelly como JFK Jr., Sarah Pidgeon como Carolyn Bessette, além de Naomi Watts no papel de Jackie Kennedy e Alessandro Nivola como Calvin Klein.
A produção conta com Ryan Murphy, Brad Falchuk, Nina Jacobson e Brad Simpson como produtores executivos, enquanto o episódio piloto foi dirigido por Max Winkler.
