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J.K. Rowling responde apelo de Emma Watson sobre possível reconciliação


J.K. Rowling, autora de Harry Potter, usou suas redes sociais para responder à atriz Emma Watson, a eterna Hermione Granger, após a atriz ter expressado que ainda nutre carinho e gratidão pela criadora de sua personagem, apesar de discordar publicamente de suas posições sobre a comunidade trans.

A resposta de Rowling foi carregada de irritação, afirmando que Watson e Daniel Radcliffe a incomodam por continuarem assumindo o papel de porta-vozes do mundo que eu criei. 

Confira o desabafo da autora na íntegra:



“Tenho visto muitos comentários sobre isso, então gostaria de fazer alguns pontos. Não espero concordância eterna de nenhum ator que tenha interpretado um personagem que criei. A ideia é tão absurda quanto eu consultar o chefe que tive aos 21 anos para saber quais opiniões devo ter hoje em dia.

Emma Watson e seus colegas de elenco têm todo o direito de aderir à ideologia da identidade de gênero. Essas crenças são protegidas legalmente, e eu jamais gostaria de vê-los ameaçados de perder o emprego, sofrer violência ou morte por causa delas.

No entanto, Emma e Dan, em especial, deixaram claro ao longo dos últimos anos que acreditam que nossa antiga relação profissional lhes dá um direito, ou melhor, uma obrigação, de me criticar publicamente, assim como às minhas opiniões. Anos após terem encerrado sua participação em Harry Potter, continuam assumindo o papel de porta-vozes do mundo que eu criei.

Quando você conhece pessoas desde que tinham dez anos, é difícil abandonar um certo instinto de proteção. Até bem recentemente, eu ainda era guiada pela lembrança das crianças que precisavam ser conduzidas com cuidado para dizer suas falas num estúdio de cinema assustador. Nos últimos anos, recusei repetidamente pedidos de jornalistas para comentar especificamente sobre a Emma, principalmente no caso do documentário The Witch Trials of J.K. Rowling. Ironicamente, disse aos produtores que não queria que ela fosse atacada por conta de algo que eu dissesse.

A apresentadora de TV no vídeo anexado destaca o discurso da Emma, ‘todas as bruxas’, e, na verdade, aquilo foi um ponto de virada para mim, mas teve um pós-escrito que doeu muito mais do que o próprio discurso. Emma pediu para alguém me entregar uma nota escrita à mão, que continha apenas uma frase: ‘Sinto muito pelo que você está passando’
(Ela tem meu número de telefone).

Isso foi na época em que as ameaças de morte, estupro e tortura contra mim estavam no auge. Eu tive que reforçar seriamente minha segurança pessoal e estava constantemente preocupada com a segurança da minha família. Emma havia acabado de jogar mais gasolina na fogueira publicamente, e ainda assim achou que uma frase curta bastaria para me tranquilizar quanto à sua suposta empatia e bondade.

Como outras pessoas que nunca viveram a vida adulta sem o acolchoamento da fama e da riqueza, Emma tem tão pouca experiência da vida real que não percebe o quanto é ignorante. Ela nunca precisará de um abrigo para pessoas em situação de rua. Nunca será colocada numa enfermaria pública mista. Eu ficaria surpresa se ela tivesse usado um provador de loja popular desde a infância. Seu “banheiro público” é de uso individual, com um segurança postado do lado de fora da porta.

Ela já precisou se despir num vestiário recém-tornado misto numa piscina pública administrada pelo governo? Tem alguma chance de que venha a precisar de um centro público de acolhimento a vítimas de estupro que se recusa a garantir um atendimento exclusivamente feminino? Vai algum dia dividir cela com um estuprador que ‘se identificou’ como mulher e foi transferido para uma prisão feminina?

Eu não era multimilionária aos 14 anos. Vivi na pobreza enquanto escrevia o livro que tornou Emma famosa. Por isso, sei por experiência própria o que significa, para mulheres e meninas sem os privilégios dela, o ataque aos direitos femininos no qual Emma tem participado com tanto entusiasmo.

A maior ironia aqui é que, se Emma não tivesse decidido, em sua entrevista mais recente, declarar que me ama e me valoriza, mudança de postura que suspeito ter vindo do fato de ela ter percebido que condenar-me com veemência já não está mais tão na moda quanto antes, talvez eu nunca tivesse sido tão honesta.

Adultos não podem se alinhar com um movimento ativista que regularmente pede o assassinato de uma amiga, e depois exigir o amor dessa amiga como se ela fosse, na verdade, sua mãe. Emma tem, com razão, o direito de discordar de mim e até de falar publicamente sobre seus sentimentos a meu respeito, mas eu também tenho esse direito, e finalmente decidi exercê-lo”.

J.K. Rowling responde a Emma Watson após pedido de reconciliação

A postagem foi feita em resposta às declarações de Emma Watson, que, questionada por “Jay Shetty no podcast On Purpose”, afirmou desejar retomar o diálogo com a autora.

“Eu realmente não acredito que, por ter tido essa experiência e manter o amor, o apoio e as opiniões que tenho, signifique que não posso e não valorizo Jo e a pessoa com quem tive experiências pessoais”, disse Watson. “Eu nunca vou acreditar que um nega o outro e que minha experiência com essa pessoa, eu não consigo guardar e valorizar. Voltando à nossa coisa anterior, eu simplesmente não acho que essas coisas sejam ou. Acho que é meu desejo mais profundo esperar que as pessoas que não concordam com minha opinião me amem, e espero poder continuar amando pessoas com quem não necessariamente compartilho a mesma opinião”.

“Acho que o que mais me incomoda é que uma conversa nunca foi possível”, acrescentou Watson.

Quando Shetty perguntou se ela continuava aberta a ter esse diálogo, Watson respondeu: “Sim, e sempre o farei. Eu acredito nisso. Eu acredito nisso completamente”.

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O atrito entre Rowling e Watson começou em 2020, quando a autora começou a compartilhar opiniões sobre a comunidade transgênero que muitos consideraram transfóbicas.

Na época, Watson e outros colegas de elenco, como Daniel Radcliffe, se posicionaram publicamente em apoio à comunidade trans.

“As pessoas trans são quem dizem ser e merecem viver suas vidas sem serem constantemente questionadas ou informadas de que não são quem dizem ser”, disse Watson, na ocasião.

Rowling, mais tarde, declarou que “nunca perdoaria” Watson e outros atores por terem “se aproximado de um movimento com a intenção de corroer os direitos duramente conquistados das mulheres”.

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