Ryan, Jack Ryan.

Com o shakespeariano Kenneth Branagh na direção e a especialista em filmes britânicos de época, Keira Knightley, ganhamos… um filme de ação e espionagem sobre o governo americano!? Brincadeiras a parte, Jack Ryan – Operação Sombra é a nova tentativa de emplacar no gosto do grande público uma obra do escritor Tom Clancy. O autor, falecido em outubro passado, é o criador de algumas das séries literárias mais cultuadas do gênero. A mais famosa delas são os livros envolvendo o personagem Jack Ryan.

Ryan teve seus dias de glória no cinema. Em especial no início da década de 1990 quando foi personificado pelo então maior astro da época, Harrison Ford (o personagem já havia assumido as formas de Alec Baldwin anteriormente, em um filme no qual era coadjuvante). Em 2002, foi a vez de tentar emplacar um Ryan mais jovem nas formas de Ben Affleck. A tentativa não funcionou. O que os quatro primeiros filmes do agente no cinema tem em comum é o fato de serem obras muito mais sobre política, espionagem, suspense e realismo (até certo limite), do que sobre ação propriamente dita.

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Jack Ryan era a antítese de James Bond, espião cuja série é pontuada por acrobacias inacreditáveis, mais do que pela credibilidade do enredo. Por este prisma podemos considerar as investidas de Clancy no cinema como talvez a ponte mais genuína unindo o cinema de entretenimento com obras de espionagem. Algo acessível sem serem apenas produções pipoca.

O que ocorre é que uma série na qual um agente da CIA passa seu tempo viajando de continente para continente, desvendando teias de conspirações governamentais não é algo barato de se produzir. Então, se não gerar algum tipo de lucro para justificar seu grande orçamento não é cabível. O que chama a atenção do grande público são justamente cenas de ação, explosões, efeitos visuais e astros do momento. Desta forma, a franquia Jack Ryan se recicla em grande autocontradição. Novamente a aposta é por um Ryan mais jovem (lógica para manter o mesmo ator em diversos filmes) e ele chega nas formas do menino de ouro da Paramount, Chris Pine (o novo Capitão Kirk de Star Trek).

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Somos introduzidos ao passado de Ryan, desde que era um estudante em Londres, passando pela fase militar (na qual foi considerado um herói e quase se viu deficiente físico), até se tornar um analista na CIA e logo depois um operativo de campo.Operação Sombra se passa nos dias atuais, então Ryan presencia o atentado das Torres Gêmeas em 2001, quando ainda era um estudante (fato que lhe impulsiona a vontade de defender o país). E logo depois serve no Iraque. Mas os adversários da nova obra são velhos inimigos retirados lá da guerra fria. Os russos voltam com uma célula terrorista disposta a explodir uma bomba em Nova York.

Comandado pelo ricaço Viktor Cherevin (Branagh, também o vilão do filme), que possui negócios com bancos em Wall Street e laços com o governo russo, o ato terrorista tem como pano de fundo uma trama envolvendo oleodutos no Iraque. Um detalhe que pode passar despercebido por muitos: O membro do governo russo que negocia com o vilão é interpretado pelo dançarino e atorMikhail Baryshnikov (O Sol da Meia Noite), em uma ponta não creditada. O veterano Kevin Costner, que vem se renovando para toda uma nova geração, interpreta o superior e recrutador de Ryan. E a bela e muito talentosa Keira Knightley pega o papel de Cathy Muller, esposa do protagonista (interpretada anteriormente pelas atrizes Anne Archer e Bridget Moynahan).

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Não há como negar que Operação Sombra é um filme diferente de seus antecessores. É dinâmico e mais acelerado. Ryan pilota uma moto em alta velocidade e luta em sua primeira missão no estilo de Jason Bourne ou do novo Bond-Craig. Mas no fundo esta continua sendo uma boa e velha história de espionagem, na qual temos cenas de agentes se infiltrando em prédios sem permissão e com o objetivo de retirar arquivos de computadores, enquanto o “alvo” é distraído em um belo restaurante por uma bela mulher. O passeio turístico pela Rússia é igualmente satisfatório.

Com a entrada de Knightley (fazendo sotaque americano) na franquia, Cathy não é apenas “a garota” e tem seu serviço aumentado. Agora ela passa a não apenas atender o telefone, mas tem uma infiltração completa em um joguete que pode não terminar tão bem assim para ela. A série cinematográfica de Clancy é uma venda difícil. O tipo de blockbuster adulto que talvez não tenha mais espaço em um subgênero cada vez mais dominado por produtos infantis. E assim Operação Sombra segue como um filme meio perdido em um limbo. Porém, existem elementos satisfatórios o suficiente aqui para agradar tanto os fãs puristas de um bom thriller de espiões, quanto a garotada em busca da adrenalina semanal nas telonas.

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