‘Killing Satoshi’: Filme estrelado por Casey Affleck sobre o Bitcoin usará IA para ajustar performances de atores

O debate sobre o uso crescente de Inteligência Artificial em Hollywood voltou aos holofotes. A cinebiografia sobre o Bitcoin, Killing Satoshi, dirigida por Doug Liman e produzida por Ryan Kavanaugh, revelou em uma convocatória de elenco no Reino Unido que a produção independente utilizará IA para “ajustar” performances dos atores.

De acordo com a Variety, o longa será filmado em um palco de captura de performance sem marcadores, abrindo mão de locações físicas em favor de novas tecnologias de IA.

O comunicado de elenco adverte os profissionais que a produção reserva-se o direito de “alterar, acrescentar, remover, traduzir ou reprocessar” atuações via IA Generativa (GAI). Isso inclui ajustes finos em movimentos labiais, faciais e corporais.

Contudo, o aviso ressalta um limite ético: a tecnologia não será usada para criar uma “réplica digital identificável” da voz ou imagem de um ator sem consentimento prévio por escrito.

Em declaração à Variety, o produtor Ryan Kavanaugh buscou tranquilizar a categoria:

“Fomos muito cautelosos, sensíveis e extremamente protetores com nossos atores para garantir que utilizaremos apenas IA de captura de performance, o que significa que não teremos atores gerados por IA que não existam. A IA é uma ferramenta que estamos usando para tornar o processo de produção mais eficiente, mantendo os empregos de todos os chefes de departamento, todos os atores e, esperamos, ajudando a fazer a indústria crescer de forma positiva”, afirmou.

Embora o anúncio original mencionasse que atores reais poderiam “compartilhar cenas com performers gerados por IA”, fontes próximas à produção alegaram que esse trecho foi um erro.

Segundo a fonte, “não se atinge o nível necessário para um filme criando um ator totalmente por IA”.

O foco tecnológico será a criação integral de cenários e o ajuste de cenas para evitar refilmagens dispendiosas, otimizando expressões e movimentos que não ficaram perfeitos na primeira tomada.

As cláusulas de Killing Satoshi tocam no nervo exposto da indústria: remuneração e consentimento.

O sindicato SAG-AFTRA, que iniciou novas negociações contratuais em fevereiro, luta para definir os limites entre o trabalho humano e as “performances sintéticas”. A busca é por garantias legais que protejam o nome, a imagem e a semelhança dos atores em uma era de reaproveitamento digital.

Prestes a iniciar as filmagens no Reino Unido, o longa conta com Pete Davidson e Casey Affleck no elenco principal.

O roteiro, assinado por Nick Schenk, mergulha no mistério de Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin. Para a era digital, a busca pela identidade de Nakamoto tornou-se um enigma tão icônico quanto foi o informante “Garganta Profunda” para a geração de Watergate.

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José Guilherme
José Guilherme
José Guilherme é jornalista formado e apaixonado por boas histórias desde a infância. Atua na cobertura de cultura desde 2023, com foco em cinema, séries e animes. Entusiasta do audiovisual, também valoriza boas conversas tanto quanto grandes narrativas.