Lembra dele? | Clássico esquecido, ‘Pokémon 3: O Feitiço dos Unown’ completa 25 anos


Esta segunda-feira (6) marca os 25 anos do lançamento internacional de Pokémon 3: O Feitiço dos Unown, terceiro capítulo cinematográfico da franquia mais bem-sucedida da história da Cultura Pop. O lançamento desse filme é curioso porque aconteceu num momento específico da chamada PokéMania, em que parte do mercado acreditava que a franquia começaria a dar sinais de cansaço, deixando de ser uma febre mundial.

Por isso, o longa contou com menos investimento publicitário da 4Kids e da Warner Bros. Animation para divulgar a aventura no cenário internacional, ao contrário do que havia acontecido em Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca e Pokémon: O Filme 2000. Curiosamente, esse longa chama atenção de como as produções japonesas ainda enfrentavam um grande hiato até chegarem ao Ocidente nesse período. Pokémon 3 foi lançado oficialmente no Japão em 8 de julho de 2000, mas só começou sua jornada mundo afora em 6 de abril de 2001, quando estreou nos Estados Unidos. No Brasil, o longa estrearia apenas em 6 de julho do mesmo ano, aproveitando a janela das férias de inverno.

Foto: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

Por mais que o terceiro capítulo seja menos lembrado que os dois anteriores, ele não fez feio nas bilheterias. Na verdade, teve um desempenho tão interessante que segue como o sexto maior público de um anime nos cinemas brasileiros até hoje, tendo vendido quase 584 mil ingressos. Talvez o filme não tenha ficado tanto na memória dos fãs justamente pela falta de investimento na divulgação, já que, ao contrário dos dois capítulos anteriores e de seu sucessor, o terceiro filme não deu cartas colecionáveis de brinde para quem comprava os ingressos.

Mesmo com esse rótulo extraoficial de “esquecido”, Pokémon 3 segue como um dos capítulos mais interessantes de toda a saga por adotar uma trama que se assemelha a um conto de fadas sob a perspectiva do terror psicológico. A história é ambientada na brilhante região de Johto, onde o Dr. Spencer Hale dedica sua vida e recursos financeiros a pesquisar sobre os Unown, misteriosos Pokémon ancestrais que supostamente teriam envolvimento na própria criação da vida. Sua obsessão por essa espécie fez com que sua esposa o abandonasse, deixando o rapaz sozinho com a filha, a pequena Molly. Durante a noite, ele recebe uma chamada urgente de suas equipes de escavações, afirmando terem encontrado pistas determinantes sobre os Unown. O cientista deixa seu lar e vai em direção ao sítio arqueológico, onde acaba sendo absorvido pelos Pokémon.

Foto: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

O assistente do Dr. Hale encontra o computador do rapaz e as peças arqueológicas relacionadas aos Unown. Com peso na consciência, ele leva o material de volta para a casa do doutor, onde dá a notícia à pequena Molly. Desesperada, a menina pega as peças e começa a chorar, despertando os Unown, que decidem ajudá-la a ter uma nova família. Com seus poderes psíquicos, os Pokémon invocam o cão lendário Entei para assumir o papel de pai da garotinha e acabam sequestrando a mãe de Ash Ketchum, que estava pela região, para assumir o papel de mãe de Molly.

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Agora, com o poder de um Pokémon lendário e as habilidades especiais de criação dos Unown ao seu lado, a garotinha cria um palácio mágico de gelo, sequestrando a cidade com um inverno eterno para formar seu mundo perfeito. Em meio a esse caos, Ash, Pikachu e seus amigos tentam invadir o castelo para resgatar a mãe do protagonista e convencer Molly de que suas ações podem ser perigosas. É curioso ver como essa trama acabou sendo ‘esquecida’ dentro da franquia, mas foi praticamente reaproveitada no fenômeno do streaming, WandaVision, da Disney.

Foto: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

Com essa pegada mais mística, apostando em uma antagonista que não é verdadeiramente uma vilã, mas uma menininha assustada que só quer sua família de volta, o filme é conduzido como uma grande negociação… Como um policial tentando negociar com um sequestrador. No início, a mãe de Ash está sob o feitiço dos Unown e sob a guarda de Entei, então age de forma automática. Quando o transe termina, ela não perde a paciência e nem se desespera. Pelo contrário: ela entende a situação de Molly e tenta negociar com a menina, mostrando a ela que suas ações trazem consequências.

Paralelamente, Ash não mede esforços para encarar o lendário cão de fogo no processo para salvar sua mãe. Em uma das sequências mais espetaculares de toda a franquia animada, um velho conhecido retorna mais poderoso do que nunca, trazendo esperança para o público e criando algumas das cenas mais sensacionais da saga. Sim, o Charizard ouve o pedido de ajuda de Ash e voa do Vale Charicífico, onde foi deixado para treinar, diretamente para ajudar seu treinador e amigo no embate contra um dos Pokémon mais poderosos da região. É simplesmente espetacular!

Foto: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

Mais do que isso, Pokémon 3: O Feitiço dos Unown é o último filme da franquia a ser animado em célula. Ou seja, de forma artesanal, com os artistas desenhando cenários e personagens individualmente em células de acetato. A partir do quarto filme, a animação digital tomou conta — apesar de ainda haver alguns detalhes manuais. Esse fator confere ao filme um visual único, de muito valor nos dias de hoje, em que a animação 3D tomou conta dos cinemas e das TVs. É um filme esteticamente belíssimo, completamente diferente das produções atuais. Dá para sentir o esmero dos artistas em cena, compondo cenários fantásticos e surrealistas criados pela mente de uma criança de cinco anos que acabou de perder o pai.

As batalhas Pokémon dessa aventura talvez sejam as mais agradáveis da saga, visualmente falando. A começar pelos cenários, que são mais próximos da vida real, como parques públicos, praças e campos. Cá entre nós, se os Pokémon existissem de verdade, o que mais teria por aí seriam batalhas nos parquinhos das cidades. A sequência de abertura, em que Ash enfrenta uma adversária no parque ao som da música tema da temporada, é a mais incrível da franquia justamente por apostar nessa simplicidade de imaginar uma batalha no mundo real. A fluidez dos movimentos da luta somada aos monstrinhos aproveitando os brinquedos do parque como apoio ou obstáculos, faz dessa sequência simplesmente hipnótica. É o auge estético da franquia.

Infelizmente, no momento, Pokémon 3: O Feitiço dos Unown não está disponível no catálogo de nenhum streaming. O longa, porém, pode ser encontrado para compra ou aluguel no YouTube Filmes.

Pedro Sobreiro
Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.

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