Mariana Ximenes vai a Festival usando vestido de cartazes de filmes nacionais

ANCINE (Agência Nacional de Cinema) passou por uma grande e chocante mudança no começo do mês. O prédio da companhia amanheceu sem os costumeiros cartazes das produções brasileiras. Os filmes nacionais também foram retirados do site oficial. Confira aqui.

Como forma de protesto, a atriz Mariana Ximenes foi ao Festival do Rio usando um vestido todo estampado por cartazes de filmes nacionais… e não demorou muito para as imagens viralizarem na internet.

Confira:

O acontecimento na Ancine vem poucas semanas depois do presidente Jair Bolsonaro nomear o apresentador, pastor e jornalista Edilásio Barra foi nomeado para gerir o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

O FSA é responsável é uma categoria específica do Fundo Nacional da Cultura destinada ao desenvolvimento da indústria audiovisual brasileira. Instituído em 2006, seus recursos são provindos pela Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) e pela Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações).

Em 2018, o Fundo Setorial movimentou mais de 800 milhões de reais. Em 2019, essa categoria já movimentou mais de 390 milhões (segundo dados da ANCINE).

Alguns meses atrás, Bolsonaro confirmou em uma transmissão pelo Facebook que está empenhado em fechar a ANCINE. Sua declaração fomentou a união de um grupo e a criação de um abaixo-assinado para impedir que isso aconteça

A petição já ultrapassou as oito mil assinaturas que visava receber para que pudesse enviar a pauta ao Congresso.

Confira o texto:

O atual governo de Bolsonaro assinou um decreto onde transferiu o Conselho Superior de Cinema do Ministério da Cidadania para a Casa Civil.

Segundo o próprio presidente, a ideia é criar um “filtro” (nome disfarçado de censura) para a aprovação de outras obras audiovisuais. Esse “filtro” barraria filmes como Bruna Surfistinha e outros que tenham conteúdo considerado inapropriado pela nova censura. Além disso, disse que não admitira que o dinheiro público fosse usado na produção dessas obras.

Caso esse filtro não seja obedecido, ele ameaça fechar a Ancine. Isso não é democracia, nem liberdade de expressão. É censura.

Para assinar a petição, CLIQUE AQUI:

“Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá. Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir, em respeito às famílias, uma coisa que mudou com a chegada do governo”, afirmou Bolsonaro.

Raquel Pacheco (nome real de Surfistinha) rebateu com uma mensagem em seu Twitter respondendo às críticas. Confira:

Bruna Surfistinha‘ estreou em 2011 e é baseado no livro ‘O Doce Veneno do Escorpião‘, escrito por Raquel em 2005.

 

 

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Renato Marafon
Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.