Histórico realizador ensaia retorno à produções de alto nível em 2022

Nome amplamente reconhecido no cinema, Francis Ford Coppola, não manteve uma carreira estável. Um dos expoentes da geração de 70, este sendo um grupo de jovens diretores que ascenderam em um período em que Hollywood (seguindo tendências do cinema europeu de final da década de 60) passava por uma reformulação dos seus modelo narrativos, Coppola não tardou a alcancar a fama internacional.

Em 1972 ele lança O Poderoso Chefão, o primeiro capítulo da saga da família Corleone, e ali se solidifica como o primeiro membro dessa geração a alcançar um status sólido na indústria (Spielberg e George Lucas marcariam presença somente em meados e final da década, enquanto que Scorsese até então realizava documentários urbanos). Na cerimônia do Oscar de 1973 ele recebeu sua primeira indicação a melhor diretor e levou a de melhor filme.

Ao longo da década de 70 ele manteve uma regularidade de produções aclamadas e, talvez o mais interessante, diversas entre si. Em O Poderoso Chefão Parte II foi proposta a divisão da história em mais de uma linha temporal para trabalhar majoritariamente dois temas: A ampliação do poder do Michael e o assentamento de Vito em meio a crescente comunidade ítalo-americana nos anos 20.



Coppola (à esquerda) durante as filmagens da segunda parte de “O Poderoso Chefão

Foi a efetiva representação da cultura italiana, bem como familiar, tão cara à Coppola que ajudaram a construir a reverência ao redor da, até então, duologia. Ainda assim, o diretor demonstrou grande versatilidade narrativa em obras seguintes. Um exemplo é a trama abordada em  A Conversação (1974) em que seu objeto de análise deixa de ser a máfia e passa a ser sobre a invasão de privacidade praticada pelo protagonista de Gene Hackman.

Com Apocalypse Now (1979) o diretor presta seu comentário não só a respeito da guerra ocorrida no Vietnã, encerrada em 1975, mas também por temas como a desilusão com o próprio país (simbolizado pelo personagem de Marlon Brando) e como um líder carismático pode atrair seguidores para onde ele bem entender.

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Foi a partir do início dos anos 80 que Coppola iniciou uma nova etapa em sua carreira. Utilizando os lucros levantados na década anterior, o cineasta investiu no seu empreendimento em conjunto com George Lucas: Zoetrope Studios. A partir de 1980 eles passariam a financiar seus próprios filmes bem como ser responsável por todo o processo de distribuição.

O diretor já afirmou várias vezes que as filmagens de “Apocalypse Now” quase o matou

O que era para ser uma iniciativa para bater de frente ao monopólio dos grandes estúdios no cinema norte-americano acabou passando por grandes percalços já em 1982, quando a primeira obra do estúdio, O Fundo do Coração foi lançada. Desde a fase de financiamento, a produção já havia encontrado dificuldade de lidar com o financiamento, porém foi o desastre pós lançamento que mudou todo o panorama.



Amplamente recusado pela crítica, o desempenho nas bilheterias também foi negativo, arrecadando menos de um milhão na quantia final frente aos mais de vinte milhões de orçamento. Para pagar as dívidas geradas pela produção, Coppola fechou a filial da Zoetrope em Los Angeles e a instalou em São Francisco.

O resto da década ainda traria obras bem diversas do diretor porém com muitas delas compartilhando péssimos resultados financeiros, mesmo quando competindo em premiações (como foi o caso de The Cotton Club). 

As indicações de “The Cotton Club” não foram o suficiente para salvar a Zoetrop Studios

A partir de 1990 ele mudou de postura e mais uma vez atraiu a atenção do mundo todo com a terceira parte de O Poderoso Chefão. Ainda que sendo sucesso de público e crítica, não repetindo os fracassos financeiros anteriores, o filme ganhou a identificações negativas como o mais fraco da trilogia e pela atuação de Sofia Coppola (filha do diretor) em um dos papéis principais.

A produção marcou também o retorno de Francis Ford Coppola à lista de nomeações para melhor diretor no Oscar, dentre várias outras categorias. O sucesso comercial da obra gerou indagações sobre planos de uma quarta parte porém a ideia jamais conseguiu sair do papel.

Dois anos depois ele também assinou uma releitura da mais famosa história de vampiro com Drácula de Bram Stoker, optando nessa abordagem em específico puxar o enredo para uma base histórica inédita ao relacionar o personagem com o real Vlad Tepes. Essa se tornou uma leitura icônica do famoso monstro muito pelo trabalho de Gary Oldman no papel principal e do trabalho da equipe de maquiagem ao redor dele na primeira parte da película.

De modo geral, principalmente para um público amplo, os anos 90 foram o segundo período com mais obras conhecidas do diretor, mas também o fim de sua parceria, mesmo que pontual com grandes estúdios; principalmente no desenvolvimento de novos projetos. Nesse ponto a Zoetrope surge como protagonista no papel de produtora das obras e eventualmente na distribuição.

Com o vindouro Megalópole, bem como o orçamento acima de cem milhões previsto para ele e noticiado pelo portal Deadline, o clássico diretor volta a comandar uma produção de grande porte. Como esse projeto pode se encaixar tanto no conturbado calendário pós pandemia como também abarrotado de produções dos grandes estúdios ainda resta saber.



 

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