‘Deixe-me Viver’, dirigido por Walther Neto e protagonizado pela atriz Mônica Carvalho, começou suas gravações na cidade de Campinas, interior de São Paulo, em agosto deste ano – dando início a uma narrativa que promete encantar o público.
As filmagens do projeto acontecem, em sua maior parte, em Trancoso, na Bahia. Além de Campinas, o longa estende sua produção para Presidente Prudente e para a capital paulista.
A obra traz uma narrativa intensa e comovente sobre amor e a fé. Nele a jovem Julia (Cat Dantas), ao receber o diagnóstico de um câncer terminal, suplica à mãe, Andrea (Carvalho), que interrompa o tratamento e a tire do hospital. Seu desejo: viver plenamente o que ainda lhe resta, longe das limitações de um leito. Entre medos, julgamentos e conflitos com o pai de Julia (Humberto Martins) e o sistema hospitalar, Andrea embarca em uma jornada que transforma mãe e filha para sempre.
O CinePOP teve a oportunidade de cobrir as gravações do projeto e, em conversa exclusiva, Carvalho trouxe detalhes inéditos do filme, explicando de que maneira suas experiências pessoais impactaram na construção da narrativa. “É um filme que vai falar sobre o tempo. Eu acho que hoje a gente se atropela no tempo, a gente não presta atenção, não observa, que é o que nós temos de mais valioso na vida. É o tempo presente”, ela começa.
“A Andréia, ela é uma mãe, uma mulher como outra qualquer hoje em dia, uma mulher normal que trabalha, que se separou do marido, embora tenha uma relação boa [com ele], mas que tem toda essa função de assumir uma casa, de assumir a criação de uma adolescente, e que pensa muito no futuro da filha. Então ,ela trabalha porque ela quer dar um futuro melhor pra filha, porque ela pensa na faculdade da filha, e esse futuro não chega. E ela leva esse susto quando ela fala, nossa, se passaram catorze anos e eu não percebi o tempo passar”.
Carvalho continua:
“E esse futuro que ela tanto sonhava pra filha, não vai chegar, vai ficar no passado. E ela toma uma decisão muito drástica, que é a ortotanásia, a pedido da filha, e resolve realizar os seus últimos desejos. Se essa decisão está certa ou errada, ela não pensa sobre isso. Ela pensa sobre o amor, esse amor que ela tem pela filha ao atender esse pedido, e de realizar seus últimos desejos. E ali ela consegue, em meio a uma tragédia, reunir toda a família pela primeira vez. Porque é engraçado isso, que às vezes é preciso uma coisa triste acontecer pra você conseguir realizar e ter todo esse amor, e ver o quanto você amava”.
“Nessa dor, nessa perda, você percebe: ‘nossa, eu sou amada’. Então eu acho que é um filme que vai mandar uma mensagem muito bacana sobre tempo, reconexão familiar, amor, e valorizar realmente quem a gente ama no momento certo, que é o presente. E além dessa história bastante complexa, bastante densa, eu acho que abre espaço para aquelas coisas universais de, meu Deus, o tempo está passando muito rápido, não consegui fazer o que eu queria, através de uma história particular”, ela conclui.
Quando questionada sobre o que a motivou a participar do projeto, Carvalho trouxe algumas reflexões sobre o nível de conexão entre sua vida pessoal e a narrativa que criou.
“Eu comecei a escrever esse filme no momento que eu estava em Trancoso, eu tenho uma casa em Trancoso, e é um lugar muito bonito, que tem aquela solitude, é um campo verde. Eu falava, meu Deus, eu tenho que escrever alguma coisa aqui, nesse lugar que é tão maravilhoso”, ela conta. “E eu comecei a pensar nessa história de mãe e filha, e acabou indo pra esse lugar. Eu até chorava enquanto escrevia”.
“E nesse lugar fica a pergunta, e se fosse com você? Você faria a mesma coisa? Você tiraria a sua filha? Interromperia esse tratamento? Não! E assim, até hoje eu não tenho muito bem essa resposta. A gente vai seguir o coração de mãe, que eu sei que mãe é sempre muito emocional. Já o pai jamais teria uma atitude dessa. Nenhum pai teria, porque acredita na medicina, acredita na doença, e acho que a gente tem que acreditar sempre. Mas é essa emoção que eu falo. Eu estou falando sobre sentimentos, de humanos, e às vezes a gente toma algumas decisões, porque essa decisão também muda a perspectiva de vida da Andreia, tanto que ela não volta mais para São Paulo”.
“E eu falo que Trancoso virou um personagem dentro do filme, porque eu precisava dessa natureza para ter esse lugar de tempo, porque São Paulo é essa metrópole, aquela loucura, e quando vai para lá tem um outro tempo. Então eu comecei a escrever para poder falar desse lugar, para também poder mostrar um pouco o nosso Nordeste, nesse lugar de beleza. Eu falo, saindo um pouco do que a gente conhece do cinema, que às vezes é de seca, daquela pobreza, que a gente tem lugares maravilhosos e começar a valorizar, sim, os nossos lugares, o nosso Nordeste, as nossas praias”.
“Então o público pode esperar muita emoção, uma fotografia incrível, porque, assim, a gente escolheu cada lugar tão maravilhoso para mostrar que a natureza é importante. Você vê que é engraçado. Ontem apareceu um vídeo para mim, e que eu nunca tinha feito essa pesquisa, mas estava falando que quem tem câncer tem que ir para a praia, que a praia ajuda, cura”, ela conclui. “Eu estou muito feliz, muito feliz por esse elenco incrível que topou, aceitou o convite, que estão apaixonados pelos seus personagens. É um filme que tem personagens humanos, né? E o simples, a gente tem muita dificuldade de fazer, até na vida”.
Martins, que integra o elenco protagonista da produção, também deu uma palavrinha sobre o motivo que o fez participar do projeto. “Uma das coisas que me fez fazer parte foi aa consistência e oo personagem. O personagem é muito importante, para mim é muito importante, porque eu faço o Albert e ele está dentro de uma história de roteiro muito bem traçada, muito bem elaborada, de um conflito de circunstância, de situação, que surge sobre a filha”, ele afirma.
“É uma situação de doença grave da filha, que abala toda a estrutura de todos da família, e com isso ele estremece um bocado, porque é um homem de negócio, um homem um pouco frio, bem calculista, bem atuante no mercado financeiro, empresário, de forma a não ter vivido muito tempo com a família e com os filhos, no convívio diário. E essa situação mexe com ele a ponto de ele ficar, de ele se perder, e querer a todo custo reverter essa situação, e ele dá de cara com um monte de dificuldades, que o leva a perder um pouco a cabeça com tudo isso”.
O elenco conta ainda com atores conhecidos da TV, do teatro, e do cinema como Luciana Vendramini, que faz o papel de uma rigorosa Juíza, Oscar Magrini, o CEO da empresa onde Andrea trabalha, Stephano Strand, interpreta Miguel, o par romântico de Julia, Roberta Rodrigues, mãe de Miguel e Chef em Trancoso, Eduardo Silva, advogado de Andrea, Daniela Albuquerque, interpreta uma enfermeira, além de uma participação especial de Gilmelândia e João Pataxó, líder Pataxó.
Nomes da nova geração como Cat Dantas, que interpreta Júlia, a protagonista do filme, Stephano Strand, o par romântico de Júlia, e Juju Covas, que faz o papel da amiga de Júlia, também estão no elenco.
‘Deixe-Me Viver’ ainda não tem previsão de lançamento.
