A noite do dia 15 de março de 2026 já ficou marcada na história do nosso cinema, independentemente do resultado. O equipe de O Agente Secreto, com suas quatro indicações, e o diretor de fotografia Adolpho Veloso – com um belíssimo trabalho no ótimo Sonhos de Trem – representaram o Brasil na maior cerimônia do cinema mundial, o Oscar.
E que orgulho de todos eles! A cada menção exibida na tela de milhões de pessoas pelo mundo, surgiam gritos eufóricos em vários cantos do nosso país – com direito até a salas de cinemas cheias apenas para acompanhar o evento. Também foi lindo, pelas redes sociais, a mobilização positiva que foi vista ao longo das mais de três horas de duração de cerimônia. A negativa a gente finge que não vê, para não estragar a nossa alegria em celebrar o nosso cinema.
OSCAR 2026: 21 filmes indicados e imperdíveis para assistir no streaming
Na categoria de Melhor Filme Internacional – talvez a nossa maior chance – a estatueta dourada ficou com o também excelente filme dinamarquês Valor Sentimental. Na categoria de Melhor Elenco, uma estreia no Oscar, o prêmio ficou com os ótimos artistas de Pecadores. Nosso Wagner Moura passou perto, mas quem venceu o prêmio de Melhor Ator foi Michael B.Jordan, por um trabalho muito bem realizado no já mencionado Pecadores, líder em indicações neste ano. Adolpho Veloso também não venceu: o Oscar de Melhor Fotografia ficou com Autumn Durald Arkapaw (também por Pecadores) – a primeira mulher na história a conquistar o prêmio nessa categoria.
Aí, com a frustração e o calor do momento, você pode se perguntar: é possível dizer que houve injustiça? Que fomos roubados? Não. Um absurdo pensar assim. Todos os prêmios mencionados foram justos. Qualquer cerimônia de cinema nunca foi – e nunca será – uma disputa, e sim uma celebração. O fato de termos sido indicados já é uma enorme conquista, um reconhecimento mundial das nossas histórias, dos nossos talentos, das nossas verdades. E esse prêmio ninguém tira de nós!

Nosso cinema é plural, rico em narrativas, e marcado por uma diversidade que revela nossas realidades, nossas angustias e nossos desejos – deixando para todos que assistem várias reflexões. Ao longo da história do cinema brasileiro, passamos por várias fases, algumas de grande dificuldade, mas sobrevivemos e seguimos em frente, trazendo histórias que precisam ser contadas e vistas pelo mundo. Não veio o Oscar, mas o cinema brasileiro continua com o molho.

