Executivos da Netflix manifestaram-se recentemente para negar os rumores de que a plataforma orienta criadores a simplificarem tramas de filmes e séries. A polêmica sugere que os roteiros estariam sendo adaptados para espectadores que dividem a atenção entre a tela e o celular.
Conforme o Deadline, o chefe de filmes da Netflix, Dan Lin, refutou a ideia de que o streaming force a repetição de informações. Os comentários surgiram após uma esquete no Oscar, onde Conan O’Brien e Sterling K. Brown ironizaram a “modernização” de clássicos como Casablanca com diálogos excessivamente explicativos.
“Todos nós rimos da esquete no Oscar, mas esse princípio não existe”, afirmou Lin. “Se você assistir às nossas produções, verá que não repetimos a trama. Não sei de onde surgiu essa percepção; nosso foco é fazer cinema de qualidade.”
Apesar da negativa da empresa, figuras de peso como Matt Damon e Ben Affleck já apontaram para essa tendência. Durante a divulgação do filme de ação ‘Dinheiro Suspeito’, Damon relatou pressões da indústria para incluir cenas de impacto logo nos primeiros cinco minutos e repetir pontos cruciais do enredo nos diálogos, prevendo a distração do público com dispositivos móveis.
Bela Bajaria, diretora de conteúdo da Netflix, classificou essa visão como “ofensiva” para os cineastas. “Achar que daríamos uma orientação ruim dessas e que os criadores simplesmente aceitariam é subestimar os profissionais com quem trabalhamos”, pontuou Bajaria.
Jinny Howe, chefe de séries roteirizadas nos EUA e Canadá, acrescentou que a empresa conhece bem o público: “Sabemos o quão atento ele é. Tratamos os espectadores como sofisticados e inteligentes, porque eles percebem tudo”.
“Ele construiu isso a partir da visão de um cineasta. Veio da experiência no set para a IA, não o contrário. É uma ferramenta prática e útil para quem faz filmes, e isso é o mais empolgante”, disse Bajaria.


