Anti-herói está em evidência e ganhará ainda mais com futura série

Dentre o variado elenco recrutado por James Gunn para estrelar seu novo O Esquadrão Suicida, aquele que mais chama a atenção para si em entrevistas e na estética é o Pacificador interpretado por John Cena. Altamente especializado em técnicas de assassinato, ele não hesita em matar quantos ou quem for necessário para que se possa manter a paz. Apesar desta ser sua justificativa, a característica mais marcante do personagem é sua violência desenfreada.

Ainda assim, como boa parte dos nomes oriundos do panteão da DC Comics escolhidos para a produção, ele não conta com amplo conhecimento do público, tendo sido mantido na gaveta por muito tempo pela própria editora. Christopher Smith, nome verdadeiro do Pacificador, não é um produto original da DC mas sim da Charlton Comics (que existiu entre 1945 e 1986).

Sob o selo da Charlton ele teve sua estreia em Fightin’5 #40, por volta de 1966. A série tinha como foco o grupo de espiões com mesmo nome e sua eterna luta contra a organização Agents of D.E.A.T.H; a estreia do Pacificador acontece ao final do exemplar, em uma história isolada, servindo como um complemento para o leitor. 



O surgimento do Pacificador nas páginas da Charlton Comics.

Essa era uma prática antiga da indústria de quadrinhos e que foi importante para apresentar as primeiras aventuras de heróis que, anos depois, se tornaram pilares de diversas editoras tais como a Supergirl (em Action Comics #252) e o mago Zatara (Action Comics #1). Com a Charlton Comics essa estratégia não foi diferente.

O Pacificador é apresentado como um enviado dos EUA à conferência de armas em Genebra que se mostra bem preocupado com os conflitos ocorrendo em fronteiras de países sul-americanos. Ao escapar de um atentado ele identifica o mandante do mesmo e, rapidamente, percebe que não conseguirá pará-lo se utilizar os meios legais e diplomáticos à sua disposição. Relutantemente, Christopher Smith veste o traje do Pacificador com o pensamento de que algumas vezes a violência só pode ser impedida com violência.

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A Charlton Comics não era exatamente uma competidora direta à já mencionada casa do Superman ou à Marvel porém a possibilidade de alcance do seu público era bem mais extensa; isso se deu por alguns motivos como a empresa não focar apenas em histórias de super-heróis mas também dando espaço para ficção científica\terror\western bem como outros gêneros, e também fornecer ao consumidor um preço mais acessível ao que se tinha na indústria da época.

Mesmo assim, essa tática de mercado não impediu a editora de falir nos anos 80 e, com isso, ter alguns de seus personagens liberados para compra. A partir de 1983 a DC se tornou proprietária de um plantel que tinha nomes como Pacificador, Besouro Azul, Questão e Capitão Átomo. 



 

Os recém adquiridos personagens quase protagonizaram “Watchmen” de Alan Moore.

Um fato curioso é que o escritor renomado Alan Moore quis utilizar esses novos personagens para compor a trama de Watchmen. Entretanto, a DC negou o pedido por não achar apropriado que a primeira aventura dessas propriedades na nova casa começasse com o assassinato de um deles (no caso o Pacificador).

O anti-herói só teve sua primeira abordagem a partir de 1987 em uma minissérie de quatro partes, após a saga da Crise das Infinitas Terras quando os personagens da Charlton foram oficialmente incorporados à nova editora. A assinatura da história ficou a cargo de Paul Kupperberg, que já era um autor veterano da DC e que nos anos 80 auxiliou o também escritor John Ostrander no título do Esquadrão Suicida

Apesar de ter sido uma série de curta duração, ela forneceu alguns detalhes a mais para a história pregressa do personagem; principalmente no relacionamento entre ele e seu pai. Filho de um industrial bélico austríaco e uma escritora norte-americana, Christopher teve um início de vida cercado de riqueza e privilégio. Tudo mudou quando foi noticiado que seu pai era um nazista e responsável por todo um campo de concentração; atormentado ele deu fim a si próprio e Christopher foi criado pela mãe.

A violência é um legado que Christopher herdou do pai.

Mais velho ele foi para o exército onde lutou no Vietnã; mais tarde ele foi convidado para participar de um programa secreto conhecido como “Iniciativa Pacificadora”, um quadro de operações que visava desarticular potenciais ameaças terroristas no Oriente Médio. Mesmo o projeto não tendo ido para frente, Christopher assumiu a alcunha de Pacificador. Utilizando a herança do pai ele vive o eterno dilema de utilizar seus recursos para promover a paz por meios convencionais e sob a outra identidade ele combate violência com violência ainda maior.

Outra característica singular apresentada para o anti-herói é a relação problemática com seu pai, isso porque mesmo morto sua voz critica constantemente as decisões de Christopher. Ainda assim, sua participação ao longo das décadas em novas histórias da DC foi se tornando cada vez mais escassa; a mais recente sendo uma aparição na saga Doomsday Clock junto a outros personagens da Charlton Comics (a intenção dessa saga foi servir como uma sequência de Watchmen).

Com a maior atenção concedida a ele em O Esquadrão Suicida bem como uma vindoura série no HBO Max, é bem provável que James Gunn adapte para um cenário mais contemporâneo a origem de Christopher Smith, bem como a trama secundária do pai, causando um possível renascimento do Pacificador; agora, talvez, sendo definitivo. 



 

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