Estilo de enredo tem recebido nova atenção nos últimos anos

Antes da estreia de O Esquadrão Suicida, o diretor e roteirista James Gunn respondeu a questionamentos sobre que tipo de material o inspirou a produzir a obra. A fase nos quadrinhos conduzida por John Ostrander foi, obviamente, o principal; porém outra fonte de inspiração citada foi o filme Os Doze Condenados de 1967. Ambos possuem tramas bem parecidas centradas ao redor de um grupo de criminosos em uma missão perigosa.

Mesmo assim, o filme protagonizado por Lee Marvin é apenas um exemplar de um estilo que se tornou comum na fase final da década de 60 e início de 70 que eram tramas de assalto ambientadas na Segunda Guerra. Geralmente envolvendo esquadrões de soldados indisciplinados que, para serem punidos de alguma forma, são enviados nos já mencionados tipos de missão.

Tamanho foi o impacto desses tipos de filme que até mesmo o famoso seriado Os Simpsons utilizou o conceito como base para o vigésimo segundo episódio da sétima temporada Vovô Simpson e Seu Neto em “ a Maldição dos Peixes Infernais” em que o estilo de trama é satirizado em meio a uma caçada entre o vovô Simpson e o Sr. Burns (ambos sendo ex-colegas de esquadrão) a um tesouro escondido desde a Segunda Guerra.



Os Doze Condenados” reuniu, à época, um elenco de respeito.

O exemplar mais recente do tipo foi em 2014, quando George Clooney comandou Caçadores de Obras Primas com uma trama sobre como um grupo de soldados do lado aliado seguiu pela Europa para impedir que os nazistas, já na fase final da guerra, destruíssem obras artísticas. Com isso em mente, abaixo seguem dois dos principais filmes mais antigos que tem o mesmo estilo.

Lançado na esteira do sucesso de Os Doze Condenados alguns anos antes, também pela MGM, Os Guerreiros Pilantras apresenta um grupo de soldados que precisa se infiltrar pelas linhas inimigas com o objetivo de saquear um esconderijo com tesouros dos nazistas. Da mesma forma que a obra de 1967 apostava em alguns nomes conhecidos do público para chamar a atenção (casos de Lee Marvin e John Cassavetes) o filme de 1970 não faz diferente.

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É confiado à Clint Eastwood o protagonismo maior, conforme esperado por ele já ser àquela altura um nome consolidado, mas o filme também oferece as interpretações de Donald Sutherland, Telly Savalas (ambos tendo participado também de Os Doze Condenados) e Harry Dean Stanton. Dessa maneira o diretor Brian G. Hutton entrega uma trama que não tenta mudar muito o que estava dando certo e a ele coube apenas lidar com possíveis problemas na relação com o elenco.

Clint Eastwood (à direita) é o astro da produção.

Um dos elementos mais interessantes dos bastidores envolvendo o diretor e a grande estrela da companhia é que Eastwood apenas aceitou participar do filme porque inicialmente a direção seria conferida a Don Siegel, a quem o astro tinha grande apreço e havia trabalhado anteriormente em Meu Nome é Coogan; porém Siegel não pôde assumir e Eastwood não pôde rescindir o contrato.



Dois anos antes o mesmo Brian G. Hutton ensaiou uma aventura similar a de Os Guerreiros Pilantras, também realizando uma parceria com Clint Eastwood. A trama da vez trazia uma operação de resgate em que militares norte-americanos deveriam invadir um castelo controlado pelos alemães e libertar um oficial graduado das forças aliadas. Como de praxe para esse tipo de produção, o elenco contou com pelo menos dois grandes nomes; sendo eles o já mencionado Clint e Richard Burton.

A própria concepção para o filme nasceu da vontade do enteado de Burton em vê-lo em uma espécie de aventura à moda antiga. Ao abordar um produtor que lhe era conhecido eles foram atrás do escritor Alistair MacLean para escrever os primeiros esboços do roteiro. O texto, inclusive, foi um motivo de complicação entre os dois astros mencionados; isso porque Eastwood não teria gostado do roteiro e requisitado menos falas e mais cenas de ação.

Mais uma missão em que soldados terão que se infiltrar em território perigoso.

Esses conflitos foram refletidos no desempenho financeiro da produção cujo orçamento foi de mais de US$ 7 milhões e o retorno de bilheteria não ultrapassou essa faixa, gerando assim um prejuízo.

Ao final, o casamento entre estilos tão distintos acabou sendo um estranho entretenimento na segunda metade do século passado, quase uma passagem de bastão entre os filmes idílicos de aventura dos anos 40 para uma visão mais violenta e estilizada da Nova Hollywood a partir dos anos 70. Tão inesperado como quando surgiu essa onda, se foi e teve praticamente nenhuma ramificação, apesar do legado de produções bastante divertidas.

 

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