domingo, fevereiro 25, 2024

Oppenheimer | Descubra 30 filmes recomendados por Christopher Nolan e Cillian Murphy

Oppenheimer – 13° longa-metragem de Christopher Nolanjá arrecadou quase meio bilhão nas bilheterias mundiais.

Com US$ 478.8 milhões arrecadados mundialmente, o longa de Christopher Nolan ultrapassou a bilheteria total de ‘Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania‘ (US$476M), tornando-se a sétima maior arrecadação do ano.

A produção também já superou outros títulos populares, como ‘Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1‘ (US$452.6M), ‘Transformers: O Despertar das Feras‘ (US$429.8M), ‘John Wick 4: Baba Yaga‘ (US$426.9M) e ‘Indiana Jones e o Chamado do Destino‘ (US$357.8M).

Em menos de duas semanas, a produção se tornou a maior arrecadação para um filme dirigido por Nolan em 28 mercados, incluindo Índia, Arábia Saudita e Turquia, além de representar o seu melhor desempenho – se não considerarmos seus filmes do Batman – no México, Brasil, Filipinas, Chile e mais de 30 outros países.

Por ocasião do lançamento na última semana, Christopher Nolan e Cillian Murphy participaram do programa Videoclube, do canal francês Konbini. A partir de um bate-papo descontraído em meio a mais de 40 mil filmes numa videolocadora, em Paris, o diretor e seu ator preferido compartilharam suas influências e seus filmes fundadores. 

Ambos elogiam interpretações, diretores de fotografia e compositores de trilhas sonoras como responsáveis dos elementos essenciais de uma obra-prima audiovisual. Desse modo, o CinePOP apresenta a lista das 30 recomendações apontadas pelos dois e os comentários feitos. 

Qual o melhor modo de navegar no misterioso mundo de Christopher Nolan do que conhecendo suas referências cinematográficas? Para te ajudar a remar entre essas informações, separamos os títulos em quatro períodos: I) Início do século XX; II) Final do século XX; III) Começo do século XXI; e IV) Os Últimos Dez Anos. Descubra todos abaixo! 

I) Início do século XX: de 1920-1959

1. Dr. Mabuse, o Jogador, Fritz Lang, 1922

Cena de Dr. Mabuse, o Jogador

Lançado toda semana como episódios de um folhetim, o compilado alemão Dr. Mabuse, o Jogador possui 271 minutos e foi uma das principais influências para o personagem do Coringa (Heath Ledger) em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008). Christopher Nolan fez o seu irmão e roteirista do filme, Jonathan Nolan, assistir todos os títulos do criminoso Dr. Mabuse, enquanto escrevia o roteiro do segundo filme da trilogia do homem-morcego. 

Não deixe de assistir:

2. Ouro e Maldição, Erich von Stroheim, 1924 

Segundo o diretor de Oppenheimer, esta é uma obra-prima perdida aos olhos do público ao passar dos anos. Ele ainda afirma que Ouro e Maldição possui um dos melhores finais de todos os tempos. O filme acompanha a transformação do caráter de três personagens dominados pela ganância. O corte original do diretor nunca foi encontrado, no entanto, as versões ainda em circulação são muito bem feitas.

3. Correspondente Estrangeiro, Alfred Hitchcock, 1940

Assistido para ajudar na filmagem de Dunkirk, os pontos mais interessantes da obra para o cineasta eram os efeitos práticos diante das câmeras. Como, por exemplo, a queda de um avião na qual os espectadores veem a água entrar no cockpit quebrando as janelas. 

Para Nolan – um opositor da técnica do GCI em seus filmes – a técnica prática de colocar telas de papel e reservatórios de água é fenomenal. Este era o efeito que buscava em Oppenheimer, isto é, ter soluções para filmagem em frente das lentes das câmeras.

4. Cidadão Kane, Orson Welles, 1946 

Cidadão Kane

“Quando me questionam porque Oppenheimer não segue uma ordem cronológica, eu cito o Cidadão Kane como [um exemplo]  brilhante de contar a vida inteira de uma pessoa em poucas horas”, confessa Christopher Nolan durante a conversa. A audácia de sair da narrativa estruturada fez desse filme sempre um marco da sétima arte. Além disso, o cineasta destaca a fantástica direção de fotografia de Gregg Toland (ganhador do Oscar por O Morro dos Ventos Uivantes [1939]).

5. Crepúsculo dos Deuses, Billy Wilder, 1950  

Uma história de decadência fabulosa nos arredores de Hollywood. De acordo com Nolan, o roteiro de Crepúsculo dos Deuses é baseado no cineasta incrível Erich von Stroheim – supracitado nesta lista – o qual destruiu sua carreira na indústria cinematográfica. Este é um título tidos como atemporais pelo diretor e pelo ator. Afinal já se passaram mais de 70 anos e a sua narrativa continua pungente e conectada à nossa realidade.

6. O Salário do Medo, Henri-George Clouzot, 1953 

O drama de guerra francês O Salário do Medo foi a grande influência para o filme Dunkirk (2017). Antes de começar as filmagens do seu longa, o diretor mostrou para toda a equipe técnica como base visual de seus anseios para o projeto.

II) Final do século XX: de 1960-2000

7. Lawrence da Arábia, David Lean, 1963 

Esta é uma referência clássica para todos os filmes de aventura. Apesar de não soar como, Nolan nos lembra que Lawrence da Arábia é uma cinebiografia, além de uma das maiores obras-primas do cinema. Ele ressalta a fotografia extraordinária de uma beleza marcante e sua potência de nunca envelhecer. O diretor confessa assisti-lo a cada dois ou três anos e o filme sempre mantém um frescor de uma obra completa. 

8. Dr. Fantástico, Stanley Kubrick, 1964 

Christopher Nolan afirma ter evitado rever Dr. Fantástico durante o processo de Oppenheimer, por conta da temática extremamente próxima. Contudo, ele alega que as memórias do filme eram bastante fortes na sua mente durante as filmagens, já que o assunto tem imediata relação com a biografia de Julius Robert Oppenheimer e as cenas de discussão ao redor da mesa de reunião são inesquecíveis.

9. Zulu, Cyril R. Endfield, 1964 

Zulu é possivelmente um dos maiores filmes de guerra já feitos. Passado no continente africano, em 1879, o longa conta a história verídica do colonialismo britânico. Na trama, um grupo de soldados tenta defender sua posição em Rorke’s Drift contra uma batalhão de acirrados guerreiros zulus. Outro filme de referência para Dunkirk.

10. A Colina dos Homens Perdidos, Sidney Lumet, 1965 

Considerado maravilhoso pela fotografia em preto e branco, o longa também é lembrado pelos movimentos de câmera, conhecidos como steadicam, isto é, mesmo antes da invenção do estabilizador em 1974. Filmado em 35mm, o diretor lembra que na época não existia o maquinário de hoje e, então, era utilizado apenas um carrinho para o efeito.

 A Colina dos Homens Perdidos foi apresentado para o diretor de fotografia de Oppenheimer, Hoyte Van Hoytema, como um exemplo de como captar grandes movimentos e momentos de intimidade. 

11. A Filha de Ryan, David Lean, 1970 

Ganhador de dois Oscar, de ator para John Mills e Direção de Fotografia para Freddie Young — o mesmo de Lawrence da Arábia e Dr. Jivago, ambos premiados com a estatueta —, A Filha de Ryan é um dos filmes preferidos de Christopher Nolan. Na trama, após a Revolta da Páscoa de 1916, em uma pequena vila irlandesa, uma mulher casada (Sarah Miles) tem um caso com um atormentado oficial britânico (Christopher Jones), tido como um romance de adultério com toque do clássico da literatura Madame Bovary

12. Até os Deuses Erram, Sidney Lumet, 1972 

Assim como em A Colina dos Homens Perdidos do mesmo diretor estadunidense, Sean Connery encabeça o filme. Nolan, entretanto, declara jamais ter visto uma atuação tão emblemática de Sir Connery como nesta obra. Até os Deuses Erram é um filme de tirar o fôlego, mas muito depressivo, de acordo com Murphy e Nolan. 

13. Espantalho, Jerry Schatzberg, 1973 

Fonte: British Film Institute

Qual o filme preferido de Cillian Murphy? Espantalho! Ambos os atores protagonistas estavam no topo das suas carreiras quando filmaram este filme, Al Pacino depois de O Poderoso Chefão (1972) e Gene Hackman logo depois de Operação França (1971). 

14. O Homem que Queria Ser Rei, John Huston, 1975 

Michael Caen e Sean Connery, os dois juntos, têm uma química perfeita. O Homem Que Queria Ser Rei é marcante por essa dinâmica. A narrativa desse épico baseada na disputa de dois soldados britânicos por terras na Índia é baseada no conto do imortal de literatura Rudyard Kipling (1865-1936).

15. O Comboio do Medo, William Friedkin, 1978

A versão norte-americana do supracitado O Salário do Medo (1953). O ritmo de O Comboio do Medo, entretanto, é diferente e começa com muita ação — como um filme de espionagem —, mas logo perde as aceleradas sequências e desestabiliza o compasso narrativo. Christopher Nolan, contudo, chama atenção para a marcante cena do caminhão preso na ponte sob uma tórrida chuva. Aliás, o final também é diferente, mas é igualmente controverso. 

Outro ponto a destacar é a trilha sonora de Tangerine Dream, banda alemã formada no fim dos anos 1960, considerada como um grande expoente do rock progressivo eletrônico, junto com o Kraftwerk. [Ouça aqui!]

16. Carruagens de Fogo, Hugh Hudson, 1982 

Ganhador de quatro Oscar®, Carruagens de Fogo é uma ótima história de rivalidade, sendo um dos primeiros longas desse gênero em competições esportivas. Além de uma trilha sonora fantástica do músico grego Vangelis Papathanassiou (1943-2022), remarcada como memorável tanto pelo diretor quanto pelo ator. [Ouça aqui!]

17. Furyo – Em Nome da Honra, Nagisa Oshima, 1983

Grande performance do ator Tom Conti, o qual tem o primoroso papel de Albert Einstein em Oppenheimer.  Neste drama de guerra estrelado por David Bowie e Ryuichi Sakamoto, o mestre japonês Nagisa Oshima  — realizador do polêmico O Império dos Sentidos  — arma uma intriga provocante baseada no livro de Sir Laurens Van der Post (1906-1966). Furyo – Em Nome da Honra relata o choque cultural entre orientais e ocidentais num campo de concentração em plena Segunda Guerra Mundial.

18. Amadeus, Milos Forman, 1984 

Christopher Nolan pediu a Cillian Murphy para rever o filme Amadeus antes das filmagens porque a dinâmica entre Mozart (Tom Hulce) e Antonio Salieri (F. Murray Abraham) era parecida com a entre Oppenheimer (Cillian Murphy) e Strauss (Robert Downey Jr.). O diretor detalha que marcou a perspectiva de cada personagem através das cores: do ponto de vista de Oppenheimer, as cenas são em cores; já por meio do olhar de Strauss, as cenas são em preto e branco. 

19. JFK: A Pergunta que Não Quer Calar, Oliver Stone, 1991

Grandes diálogos e suspense de pessoas lidando com grandes problemas a resolver, tal como Nolan desejava fazer em Oppenheimer. Segundo o cineasta, o espectador sente a pressão através dos diálogos, dando a impressão de um filme de ação. O diretor afirma, no entanto, que o seu recente filme é historicamente mais preciso do que JFK

20. Em Nome do Pai, Jim Sheridan, 1994 

Em Nome do Pai

Para Cillian Murphy, este foi um das obras que mais o influenciou durante a sua juventude na Irlanda, além de ter sido um grande sucesso no país. Segundo ele, Em Nome do Pai é a segunda maior interpretação de Daniel Day-Lewis na sua finita carreira. [A primeira aparecerá ainda nesta lista].

21. O Ódio, Mathieu Kassovitz, 1995 

Cillian Murphy declara ter apresentado recentemente aos seus filhos —  Malachy, de 17 anos, e Carrick, de 16 anos — este clássico contemporâneo francês, em preto e branco, sobre a juventude à margem da sociedade da periferia de Paris. Segundo ele, O Ódio é incrivelmente bem filmado e atemporal, além de continuar tendo a mesma relevância de quase 30 anos atrás. 

22. Fogo Contra Fogo, Michael Mann, 1996 

A sequência de tiroteio no banco de Batman: O Cavaleiro das Trevas é totalmente inspirada nesse filme. Fogo Contra Fogo reúne as feras Al Pacino, Robert De Niro e Jon Voight em excelente obra de fuga e perseguição policial. 

23. Além da Linha Vermelha, Terrence Malick, 1999 

Para Christopher Nolan, Além da Linha Vermelha é um fantástico filme de guerra e extremamente poético. Ele ressalta igualmente a impecável trilha sonora de Hans Zimmer, Journey to the Line, por exemplo, a qual encontra os acordes perfeitos nos momentos precisos. 

24. Psicopata Americano, Mary Harron, 2000

Excelente performance de Christian Bale, protagonista da trilogia do Batman de Christopher Nolan. Provavelmente, o convite para interpretar o papel do super-herói veio depois de ter impressionado o diretor com a sua atuação no papel do psicótico Patrick Bateman.

Leia mais: Psicopata Americano | Os 20 Anos da produção MAIS POLÊMICA e INCORRETA de Hollywood

III) Começo do século XXI: de 2001-2012

25. Embriagado de Amor, Paul Thomas Anderson, 2003 

Cillian Murphy e Christopher Nolan são fãs do trabalho de Paul Thomas Anderson. Embriagado de Amor, para o ator, é o segundo melhor filme do cineasta estadunidense. Protagonizado por Adam Sandler e Emily Watson, este é um drama psicológico que mistura os sentimentos de raiva, paixão, luxúria e confusão.

Leia mais: Redescubra Ótimas Comédias Românticas de 20 anos Atrás

26. Sangue Negro, Paul Thomas Anderson, 2008

Na opinião de Christopher Nolan, Sangue Negro é o melhor filme de Paul Thomas Anderson. Já para Cillian Murphy, o drama apresenta a melhor performance do ator Daniel Day-Lewis de todos os tempos. Além disso, para construir a ambientação do início do século XX de Oppenheimer, Nolan convidou a chefe de decoração de Sangue Negro, Ruth De Jong

27. Bronson, Nicolas Winding Refn, 2009 

Novamente, Christopher Nolan coloca em evidência o trabalho de um dos atores com que ele trabalhou junto em três oportunidades posteriores a este filme. Com elogios a dinâmica de direção de Refn e a hipnotizante atuação de Tom Hardy, Bronson pode ser considerado o pontapé inicial da parceria entre Hardy e Nolan. Eles trabalharam juntos em A Origem (2010), Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) e Dunkirk (2017).

IV) Os Últimos Dez Anos: de 2013-2023

28. Eu, Daniel Blake, Ken Loach, 2016
 

Cillian Murphy revela que trabalhar com Ken Loach mudou a sua forma de atuar, como em Ventos da Liberdade (2006). Ele ainda afirma que o cineasta britânico é um dos maiores diretores do cinema ainda vivos. O ator também compartilha que Loach não diz “Corta” ou “Ação”, ele diz “Off” e “Go”, além de não dar marcação de palco para o elenco durante as filmagens. Por outro lado, Nolan confessa ter a impressão que todos os filmes de Ken Loach são como documentários, tal como Eu, Daniel Blake.

29. Westworld, Jonathan Nolan et Lisa Joy, 2016-2022 

Estávamos falando de filmes, certo? Christopher Nolan, entretanto, abriu uma brecha nas regras para elogiar o trabalho do seu irmão no comando da série de ficção-científica da HBO. Segundo o diretor, Westworld é excelente e executada de forma fantástica. Concordamos até a metade da segunda temporada. 

30. Chernobyl, Craig Mazin, 2019 

Já que falamos de séries, Murphy e Nolan citam igualmente a acachapante Chernobyl. Para eles, a produção é excelente e verdadeiramente depressiva, o que realmente comunica os perigos da radioatividade. 

Realizada pela islandesa Hildur Guðnadóttir, ganhadora do Oscar pela sua composição para Coringa (2019), de Todd Phillips, eles também destacam a trilha sonora impactante e poderosa na ambientação da história.  [Ouça aqui!]

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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