Os Melhores Filmes de Terror dos Anos 1980

Os Melhores Filmes de Terror dos Anos 1980



A década de 1980 é um período de puro divertimento para os fãs do terror. Claro, levando em conta a extensa história do cinema, o gênero em questão havia ganhado um palanque considerável: temos, por exemplo, as memoráveis investidas do expressionismo alemão com Nosferatu em 1922 e Fausto, quatro anos mais tarde.

Entretanto, mesmo com a consagração dessas narrativas alguns anos mais tarde com produções como A Múmia (1932) e A Noiva de Frankenstein (1935), não seria até quase cinco décadas depois que o gênero seria reinventado e apresentado de forma expansiva dentro de uma indústria movida pelo drama e pela fantasia juvenil. Afinal, nomes como John Carpenter e Wes Craven ganhariam notoriedade nessa época, revitalizando certas fórmulas fílmicas e adicionando elementos que seriam utilizados por diversos cineastas com o passar dos anos.

Até hoje, as obras listadas nesta nova e especial matéria são capazes de nos deixar sem dormir. É certo que um ou outro fã pode alegar a duvidosa qualidade das tramas e das construções estéticas; entretanto, são poucos os longas-metragens que realmente envelheceram: num panorama geral, a suposta obviedade ainda é relida e revisitada por realizadores da contemporaneidade – James Wan não criaria a aclamada franquia Invocação do Mal sem ter como fonte os clássicos dos anos 1980.

E é em homenagem a essa polvorosa e chocante década que separamos quinze icônicos filmes de terror, que oscilam entre brinquedos demoníacos, serial killers indestrutíveis e a perfeita união do gore com o sci-fi.

Confira nossas escolhas abaixo e não se esqueça de deixar seu comentário. Quais são os seus favoritos?

15. Brinquedo Assassino (1988)

Em determinado momento, alguém deve ter percebido que todas as histórias já haviam sido contadas para o cinema. Nesse contexto, o diretor Tom Holland resolveu dar um passo a mais e assombrar o inocente cosmos infantil ao arquitetar uma trama que envolvia um brinquedo possuído pelo espírito de um serial killer – e assim nasceu Chucky, o psicótico boneco protagonista de Brinquedo Assassino.

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O filme tornou-se um instantâneo sucesso de bilheteria, arrecadando quase 45 milhões de dólares à época de seu lançamento. Apesar de suas inúmeras sequências não terem o mesmo frescor do original, é inegável dizer que o longa mudou o panorama do gênero – e conscientizou mães e pais a pensarem duas vezes antes de aceitarem presentes de estranhos.

14. Gremlins (1984)

As regras são claras: não os coloque em contato com a água; mantenha-os longe da luz do sol; e nunca os alimente depois da meia-noite.

Realmente, as responsabilidades para se ter um Mogwai são inúmeras, mas não impediu que o jovem Rand Peltzer (Hoyt Axton) comprasse a fofa criatura e, ignorando um dos avisos mais importantes, abre espaço para que o bichinho “desse a luz” aos terríveis Gremlins, monstros psicóticos que não param por nada até desencadearem um caótico reino de destruição e agonia.

13. Hellraiser – Renascido do Inferno (1987)

Hellraiser surge na tênue linha entre o terror e a insanidade, sendo um dos principais representantes do suis-generis do gore. A trama, encabeçada pelo diretor Clive Baker, chocou o público à época de seu lançamento devido às cenas explícitas de sadomasoquismo e da vulnerabilidade do corpo humano – tudo isso girando em torno de uma demoníaca criatura com pregos na cabeça.

O filme foi banido de vários cinemas pelo conteúdo e pela violência gráfica, e deu vida a uma interessante mitologia que seria explorada ao longo de sete sequências e um remake – que não fizeram o mesmo sucesso que o original.

12. Um Lobisomem Americano em Londres (1981)

John Landis fez história com Um Lobisomem Americano em Londres, cuja trama gira em torno de dois estudantes que são atacados pela criatura-título durante um mochilão pela Inglaterra – com um deles se transformando no terrível monstro em uma jornada tragicômica.

O filme foi aclamado quando estreou nos cinemas, além de ser considerado um dos pioneiros para os efeitos especiais utilizados na indústria contemporânea – levando para casa o Oscar de Melhor Maquiagem no ano seguinte. Talvez o maior mérito do longa-metragem seja, conforme disse o Daily Telegraph, “ter encontrado o equilíbrio entre o choque e a comédia com seu visual”.

11. A Hora do Espanto (1985)

Três anos antes de trazer Chucky para as telonas, Tom Holland encontrou sucesso com A Hora do Espanto, abrindo espaço para uma das primeiras investidas cinematográficas a brincar com a metalinguagem – que seria elevada a outro patamar com Pânico (1996).

A trama gira em torno de um adolescente viciado em histórias de terror (o primeiro meta-traço que encontramos na obra) e tem plena convicção de que seu novo vizinho seja um vampiro. Logo depois, entra em contato com um pretensioso caçador que tenta ajudá-lo com esse problema. O resultado é um longa cujo legado é abraçado por diversos filmes que unem o melhor da comédia e do terror – além de ter superado a bilheteria de seu conterrâneo, A Hora do Pesadelo.

10. Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio (1981)

Sam Raimi é conhecido por diversos feitos – e um deles é ter revolucionado o gênero do terror com Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio. O clássico cult de humor ácido fez um estrondo à época de seu lançamento e ganhou aclame universal da crítica especializada, além de ter dado início a um império intelectual considerável nos anos seguintes.

A história coloca em foco um grupo de cinco estudantes que viajam para uma remota cabana no meio da floresta e encontram uma estranha fita-cassete que liberta uma legião de demônio e espíritos. Com essa premissa, é quase engraçado pensar que Raimi, décadas depois, seria responsável pela primeira franquia do super-herói Homem-Aranha.

9. Holocausto Canibal (1980)

Muito antes de A Bruxa de Blair (1999), que popularizou a importância do found footage, Holocausto Canibal já se aventurava pelo mockumentary e chocava o público italiano. Não é à toa que a produção de Ruggero Deodato foi considerado um dos mais controversos da história do cinema – principalmente por levar a audiência a crer que os atores realmente morriam com o desenrolar dos trágicos eventos.

O enredo gira em torno de uma equipe de quatro documentaristas que viajam para a Amazônia com o intuito de filmar tribos canibais. Entretanto, eles desaparecem e deixam para trás apenas as fitas de gravação, que são reavidas anos depois por um grupo de resgate.

8. A Mosca (1986)

David Cronenberg é um nome que muitos conhecem – ainda que indiretamente. Suas habilidades fílmicas colocaram em voga uma outra vertente do terror, o corporal, em que seus personagens passavam por mutações viscerais e horrendas. O cineasta, em sua extensa filmografia, mergulha na busca entre terror e sci-fi que alcançaria o ápice com A Mosca.

Conquistando o Oscar de Melhor Maquiagem no ano seguinte, a narrativa traz o físico Seth Brundle como protagonista (interpretado por Jeff Goldblum), cujo objetivo é construir uma máquina de teletransporte. Entretanto, ao entrar na cabine para testá-la, seu corpo se funde ao de uma mosca e dá origem a uma monstruosa criatura movida pelo medo.

7. Poltergeist – O Fenômeno (1982)

Poucos longas-metragens causaram tanto medo quando Poltergeist – O Fenômeno’. Perdendo esse posto para filmes como O Exorcista, a obra dirigida por Tobe Hooper na verdade seria uma continuação do sci-fi Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, mas o diretor resolveu trilhar outro caminho considerando seu apreço  pelo sobrenatural e pelo gore.

A narrativa progressiva traz como centro de um caótico espetáculo uma família da Califórnia que começa a se comunicar com espíritos através de um aparelho de TV. Entretanto, os supostamente amigáveis fantasmas mostram sua verdadeira face ao raptar a filha mais nova do casal e levá-la para outra dimensão. O sucesso de Poltergeist foi tamanho, que a obra foi indicada a três estatuetas do Oscar e gerou duas sequências e um remake em 2015.

6. Halloween II (1981)

John Carpenter tem uma filmografia controversa: afinal, grande parte de suas dúzias de longas-metragens se tornaram fracassos de crítica e de bilheteria. Uma das exceções, entretanto, foi uma de suas primeiras investidas. Halloween, lançado em 1978, colocou nos holofotes uma das scream queens mais notáveis do cinema (Jamie Lee Curtis) e gerou inúmeras produções – inclusive o reinício da franquia no ano passado.

Halloween II’, estreado poucos anos depois, não fez grande barulho à época do lançamento, mas tornou-se um clássico cult nos dias de hoje e até mesmo foi considerado como uma “melhora” do filme original. A história tentou finalizar o arco do mortal Michael Myers e da jovem Laurie Strode, construindo um plot twist interessante que seria base para as continuações.

5. Aliens – O Resgate (1986)

Ninguém poderia ter imaginado o sucesso de ‘Alien – O Oitavo Passageiro’, de Ridley Scott. E ninguém poderia imaginar que sua sequência, ‘Aliens – O Resgate’, conseguiria superar o estrondo do filme original e alcançar um patamar de aclame inefável – sendo indicado a sete prêmios do Oscar de 1987.

A continuação da memorável franquia intergaláctica se passa cinquenta e sete anos depois dos eventos que dizimaram a tripulação da nave Nostromo, deixando para trás uma sobrevivente – Ripley (Sigourney Weaver) -, que acorda de um coma induzido para acatar a missão de destruir as perigosas criaturas alienígenas de uma vez por todas (não que isso tenha funcionado).

4. O Enigma de Outro Mundo (1982)

Mais uma vez, John Carpenter observou impotente uma de suas obras receber críticas mistas e se tornar um fracasso de bilheteria. Entretanto, poucas obras foram revisitadas com a mesma paixão que O Enigma de Outro Mundo – que hoje é uma das mais marcantes do terror sci-fi e reside com uma das maiores notas dos agregadores de reviews.

A história gira em torno de um grupo de cientistas estadunidenses que tem base fixada na Antártida e que se vê num jogo de vida ou morte quando caçados por uma criatura metamorfa sedenta por sangue. O time, então, deve capturar a destruir a fera antes que seja tarde demais.

3. Sexta-Feira 13 (1980)

Um assassino em série demoníaco; uma cabana no meio da floresta; um grupo de jovens promíscuos. Esses elementos podem parecer datados nos dias de hoje, mas no início dos anos 1980, fizeram parte de uma das maiores franquias do terror de todos os tempos: Sexta-Feira 13.

A obra de Sean Cunningham tornou-se uma das mais lucrativas desde seu lançamento (alcançando a marca, com todas as suas sequências e remakes, de mais de 500 milhões de dólares) e deu vida a Jason Voorhees, uma problemática criança que supostamente morreu afogada e reviveu décadas depois para se vingar. E, como se não bastasse, a história detém uma das maiores reviravoltas de todos os tempos – numa sutil inclinação para o trágico Complexo de Édipo.

2. A Hora do Pesadelo (1984)

Em 2015, o mundo perdeu um de seus nomes mais importantes do gênero: Wes Craven. O realizador construiu sua carreira no início da década de 1970 com o arrepiante Aniversário Macabro, mantendo-se ativo até os anos 2010 como produtor executivo da série Pânico. Porém, uma de suas mais icônicas entregas seria feita em 1984 com A Hora do Pesadelo e a imortalização de Robert Englund como o famigerado Freddy Krueger.

Freddy é o amedrontador serial killer que morreu num incêndio e, desde então, ataca suas vítimas no único lugar onde não têm controle de suas ações: os sonhos. E, além de lançar o nome de Johnny Depp no cenário fílmico, o longa é relembrado até hoje como um dos pioneiros a quebrar a barreira entre o real e o onírico – tendo gerado seis sequências e um infeliz remake.

1. O Iluminado (1980)

Por incrível que pareça, Stanley Kubrick criou um dos melhores filmes de terror psicológico de todos os tempos, mas falhou em agradar Stephen King, autor do romance original. É claro que alguns fãs do novelista alegam que a obra cinematográfica se afastou muito dos escritos; entretanto, é quase automático entender o motivo de O Iluminado estar em primeiro lugar na nossa lista.

Construindo uma belíssima narrativa que juntou em um mesmo lugar elementos psicológicos e sobrenaturais, explorando até mesmo os conceitos de esquizofrenia, o longa de 1980 tem um legado soberbo e arranca uma das melhores atuações de Jack Nicholson como Jack Torrence, o frustrado romancista que viaja com sua família para o Hotel Overlook e se transforma numa máquina psicótica perigosíssima.

Kubrick não alcança sucesso apenas por sua competente adaptação, mas também por uma estética milimetricamente pensada e de tirar o fôlego. Não é à toa que o filme cause arrepios até hoje – e, quase quarenta anos mais tarde, sirva de inspiração para vários diretores e roteiristas.



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