O mundo do cinema se estremeceu de novo! Na manhã desta terça-feira, 8 de fevereiro, foram anunciados os indicados ao Oscar 2022, a maior premiação da sétima arte mundial. A esta altura nem precisa mais ser dito que essa é a maior honraria que qualquer artista do mundo do cinema e entretenimento poderia conquistar. Sim, muitas vezes podemos não concordar com as nomeações. E todo ano sempre temos os famosos esnobados – que terminam de fora da festa, a ver navios. São quase 10 mil membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e os indicados são um grande consenso da maioria.

Aqui, nesta nova matéria iremos apresentar a nossa opinião exclusiva sobre quem achamos que merece ganhar (ou seja, nossos preferidos) e quem de fato achamos que irá levar os prêmios nas categorias principais. Confira abaixo.

MELHOR FILME

As surpresas das indicações a melhor filme este ano ficaram por conta de Drive My Car, filme japonês sobre o drama do desaparecimento de uma jovem mulher, parte de um casal de atores. O longa do cineasta Ryûsuke Hamaguchi vem inclusive sendo comparado ao fenômeno Parasita, da edição 2020 do Oscar. Outro que surpreendeu foi O Beco do Pesadelo, remake de um clássico do suspense dos anos 40, o longa tem um visual impactante, e sua nomeação demonstra a força do mexicano Guillermo del Toro atualmente junto aos votantes. Na “cota” das produções feel good, ou seja, filmes inspiradores que falam sobre superação e podem ser recomendados para toda a família devido à sua leveza estão outras duas quase surpresas: King Richard – Treinando Campeãs é a biografia das tenistas Venus e Serena Williams, e Coda – No Ritmo do Coração é o remake de uma produção francesa sobre uma família de surdos-mudos pescadores onde só a filha mais nova é ouvinte.


No terreno das superproduções, mais duas refilmagens. Steven Spielberg é quem comanda a nova versão do musical clássico Amor, Sublime Amor, que venceu o Oscar em 1962. Já Duna, de Denis Villeneuve, também já havia ganhado as telas em 1984, e trata-se de uma das histórias de ficção científica mais cultuadas de todos os tempos. Ainda temos a crítica social sobre o negacionismo Não Olhe para Cima – o filme mais atual e ácido do lote -, o coming of age artístico de Paul Thomas Anderson, Licorice Pizza, e o drama sobre a Guerra da Irlanda em preto e branco e visto sob o ponto de vista inocente de um menino, Belfast.

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Nossa previsão nesta categoria é Ataque dos Cães, da Netflix. O faroeste dramático é baseado no livro de Thomas Savage, e conta sobre dois irmãos bem diferentes, e a colisão de temperamentos quando um deles resolve se casar com uma jovem mulher mãe solteira. Um dos fatores que mais marca Ataque dos Cães é a direção da veterana Jane Campion, que não dirigia um filme desde 2009.

MELHOR DIREÇÃO

Como dito, Ataque dos Cães é o filme, neste momento, com mais chances de vencer o Oscar na categoria principal. E acreditamos que este prêmio virá atrelado ao prêmio de direção. A veterana Jane Campion é a única mulher indicada na categoria nesta edição, e seria muito bom ver novamente uma mulher vencendo o prêmio depois da chinesa Chloé Zhao no ano passado por Nomadland. Se vencer na categoria, a neozelandesa Campion – que também adaptou o roteiro e tem chances de vencer tal prêmio igualmente – será a terceira mulher da história a obter a vitória na categoria de direção, e a segunda em dois anos consecutivos. Campion já havia sido indicada anteriormente como diretora pelo filme O Piano (1993), que lhe rendeu o Oscar de roteiro original. Os outros indicados da categoria são Steven Spielberg (Amor, Sublime Amor), Kenneth Branagh (Belfast), Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza) e a surpresa que acreditamos ser o único a possivelmente tirar o Oscar de Campion: o japonês Ryûsuke Hamaguchi (Drive My Car).


MELHOR ATRIZ

A grande aposta aqui na categoria de atriz é a renovadíssima Kristen Stewart por Spencer, drama biográfico sobre a Lady Di, a Princesa Diana. Para os que ainda associavam a imagem da atriz à franquia adolescente dos vampiros de Crepúsculo e que nem mesmo com o César (o Oscar francês) de melhor atriz por Acima das Nuvens (2014) a consideravam uma intérprete de grande alcance, esta é a performance que serve como divisor de águas da carreira da jovem. E a nomeação no Oscar, mesmo que Stewart tenha falado demais e desdenhado da honraria, é a consagração dela. Era esperado e Stewart surge como favorita. A surpresa aqui veio da nomeação da espanhola Penélope Cruz pelo filme de seu mentor, Pedro Almodóvar, Mães Paralelas. Acontece que o filme não era o indicado da Espanha e não está entre os nomeados de produção estrangeira. Mesmo assim, pela segunda vez na carreira, Cruz é indicada por um filme de Almodóvar – depois de Volver (2007).

Outras surpresas foram as nomeações da veterana Nicole Kidman pelo filme da Amazon, Apresentando os Ricardos, biografia do ícone da TV americana Lucille Ball, do seriado I Love Lucy; e Jessica Chastain, por mais uma biografia, esta da televangelista polêmica Faye Bakker, no filme Os Olhos de Tammy Faye. O que acontece é que Chastain e Kidman fazem figuração aqui, já que seus filmes não têm tanta força. Mas tudo pode acontecer. Quem eu diria que pode tirar o doce da boca de Stewart é a nova queridinha da Academia, a britânica Olivia Colman por A Filha Perdida. Temos que levar em conta que Colman já venceu há três anos por A Favorita, e a Academia pode não querer premiá-la de novo em tão pouco tempo. Porém, seriam os mesmos três anos que separaram as vitórias na categoria principal de Frances McDormand, por Três Anúncios para um Crime (2018) e mais recentemente por Nomadland (2021). Então o precedente existe.

MELHOR ATOR

Ao que tudo indica esse prêmio irá para o Doutor Estranho em pessoa, Benedict Cumberbatch. Essa é a segunda indicação do ator depois de O Jogo da Imitação. Na possível limpa que Ataque dos Cães fará, em especial nas categorias melhor filme e direção, acredito que Cumberbatch possa ir com a maré e se beneficiar. Quem pode “chover no desfile” do ator britânico é o americano Will Smith. Veterano muito querido na indústria, Smith é mais conhecido por seus blockbusters, mas vira e mexe emplaca um trabalho mais sério e já tem duas outras indicações como melhor ator. O astro inclusive já participou da polêmica com o protesto do Oscar So White, um movimento ocorrido na premiação de 2016 em que nenhum dos indicados na categoria principal era negro. Smith e outras personalidades boicotaram o evento na ocasião e não foram à festa. O ator na época esperava ser nomeado por Um Homem Entre Gigantes. Este ano Smith chega forte como produtor também de King Richard – Treinando Campeãs. Na categoria, Andrew Garfield (Tick, Tick… Boom), Javier Bardem (Apresentando os Ricardos) e o grande Denzel Washington (A Tragédia de Macbeth) apenas coadjuvam. Lembrando novamente que tudo pode acontecer.


MELHORES COADJUVANTES

A categoria de atrizes e atores coadjuvantes parece ser as mais imprevisíveis desta edição do Oscar. Começando pelas atrizes, quase todas as indicações foram surpresas. Nossas torcidas na verdade vão para quase todas as nomeadas na categoria. Explico. Acontece que esta é uma corrida entre novatas, entre marinheiras de primeira viagem no Oscar, e por mais que adoremos a veterana Judi Dench, que aqui concorre por Belfast, ela já possui sua estatueta decorando a lareira. Seria ótimo se ela tivesse mais uma? Por seu talento e anos de estrada, sim! Ao mesmo tempo, as surpresas das indicações de Kirsten Dunst (por Ataque dos Cães) e Jessie Buckley (por A Filha Perdida) foram tão bem-vindas que passamos a torcer por elas – e acredito que uma das duas saia vitoriosa.

Outra surpresa mais que bem-vinda foi a representatividade das indicações de Aunjanue Ellis, que vive a esposa de Will Smith em King Richard, e a jovem Ariana DeBose por Amor, Sublime Amor. Uma curiosidade é que a atriz veterana Rita Moreno ganhou o Oscar na versão de 1961 do filme, pelo mesmo papel de Anita, agora vivido por DeBose. Se DeBose levar, será muita sorte que a personagem Anita traz para suas intérpretes.

Na categoria masculina, creio que os que fazem apenas figuração neste ano são Ciarán Hinds por Belfast e J.K. Simmons, que igualmente já tem sua estatueta do Oscar, por Apresentando os Ricardos. É provável que a estatueta fique mesmo nas mãos de um dos coadjuvantes de Ataque dos Cães, corroborando a ideia de que o filme possa vir a fazer a limpa na noite da premiação. Como aqui nesta categoria temos dois atores nomeados pelo filme, Jesse Plemons e Kodi Smit-McPhee, qualquer um deles que levar estará bem representado. Se tiver que escolher um, creio que Plemons tem a vantagem. Porém, pode ser o caso deles se anularem também. E aí, acredito que quem possui vantagem nesta é Troy Kotsur, ator surdo-mudo de Coda – No Ritmo do Coração. Caso vença, seria o primeiro surdo-mudo a levar o prêmio desde Marlee Matlin (que também está no elenco de Coda) em Filhos do Silêncio (1987).

OUTRAS CATEGORIAS


Nas categorias de roteiro, seria muito legal ver o criativo e ácido Não Olhe para Cima levando o prêmio de roteiro original. No entanto, o prêmio ficará provavelmente entre Belfast e Licorice Pizza. Já no roteiro adaptado, seria muito bom ver o texto de Maggie Gyllenhall em A Filha Perdida sair vitorioso, mas Jane Campion é quem deve vencer por Ataque dos Cães. E não é nada mal, já que permanece nas mãos de uma mulher. O ideal é que os prêmios pudessem ser mais divididos.

Finalizando nossos palpites, a categoria mais “batata” desta edição do Oscar definitivamente é a de filme estrangeiro. A certeza da vitória de Drive my Car é indiscutível, afinal o longa está indicado também na categoria principal de melhor filme. E quantos outros da categoria podem dizer o mesmo? Quando casos assim ocorrem, seja com filmes estrangeiros na categoria principal (como Parasita em 2020 ou Amor em 2013) ou animações na categoria principal (Toy Story 3 em 2011 ou Up – Altas Aventuras em 2010), a garantia é que ao menos da outra categoria de filme ao qual estão indicados eles saiam vitoriosos. Assim, filmes elogiados como A Pior Pessoa do Mundo (da Noruega) ou A Mão de Deus (Itália) não possuem muita chance.

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