A 67ª edição do Grammy Awards ocorreu no último dia 02 de fevereiro – e começou, ainda que tardiamente, a reparar erros históricos em meio à premiação.
Uma das maiores surpresas e um dos prêmios mais merecidos entregues na noite foi o de Álbum do Ano. Após ter sido indicada quatro vezes à categoria de Álbum do Ano – e perdido em esnobações indesculpáveis e quase criminosas -, Beyoncé foi condecorada com o prêmio máximo pelo aplaudido álbum ‘Cowboy Carter’, que trouxe o country de volta à comunidade afro-americana em uma esplendorosa jornada narrativa que se tornou uma das melhores entradas da discografia da artista.
Porém, a vitória de Beyoncé reacendeu uma grande polêmica que permanece viva quando analisamos a premiação: a cantora e compositora, detentora do maior número de gramofones dourados da história (35), foi apenas a 12ª pessoa negra e a quarta mulher negra a levar o prêmio mais cobiçado da noite para casa (denotando que a Academia Fonográfica precisa prestar mais atenção a artistas negros em vez de cair no mesmo erro de dar plataforma apenas a artistas brancos).
Pensando nisso, preparamos uma lista apresentando as quatro mulheres negras que conquistaram Álbum do Ano no Grammy, mostrando, ao lado, o ano em que foram condecoradas.
Confira:
A lendária Natalie Cole, conhecida por inúmeros hits (incluindo a clássica “Unforgettable”) teve que lançar nada menos que doze álbuns de estúdio para finalmente ser reconhecida pela academia do Grammy. Com ‘Unforgettable… With Love’, ela conquistou a cobiçada estatueta de Álbum do Ano através de uma mistura bastante popular de jazz, pop e R&B que contou com regravações de icônicas canções de seu próprio pai, Nat King Cole.
Natalie tornou-se a primeira mulher negra a levar para casa a condecoração – e já havia feito história alguns anos antes: na 18ª cerimônia do Grammy, ocorrida em 1976, ela foi a primeira afro-americana a ser homenageada com o prêmio de Artista Revelação (e a primeira artista do segmento de R&B a realizar tal feito). Desde a vitória, ‘Unforgettable… With Love’ já vendeu mais de 6,2 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.
O legado d’A Voz, como Whitney Houston é conhecida até hoje, é inapagável – e se estende mesmo com a nova geração de artistas do cenário fonográfico. Logo, não é nenhuma surpresa que uma das maiores vocalistas de todos os tempos tenha conquistado o prêmio de Álbum do Ano em sua carreira, fazendo isso com a trilha sonora de ‘O Guarda-Costas’, que co-estrelou ao lado de Kevin Costner.
O disco, que também rendeu à artista mais dois gramofones dourados, é o mais bem-sucedido de uma artista feminina e a trilha sonora mais vendida de todos os tempos, ajudando a catapultar ainda Houston à imortalidade do estrelato. Como se não bastasse, o compilado conta com a clássica “I Will Always Love You”, que funciona como regravação da música homônima de Dolly Parton sob uma ótica mais pop.
Imagine lançar apenas um álbum de estúdio, levar o prêmio máximo do Grammy para casa e depois se aposentar da carreira musical?
Pois foi isso que Lauryn Hill fez em 1998: após o lançamento de ‘The Miseducation of Lauryn Hill’, a rapper fez história ao quebrar inúmeros recordes de vendas e de premiações, consagrando-se como a detentora do álbum de neo-soul mais comercializado de todos os tempos e de um legado infindável que, através de uma repaginação do cenário mainstream, influenciou nomes como Beyoncé, Nicki Minaj, Lucinda Williams, Adele, Ariana Grande e outros. No ano seguinte, Hill recebeu o gramofone de Álbum do Ano pelas mãos da própria Houston, que havia ganhado cinco anos antes.
COWBOY CARTER (2025)
É impensável imaginar que levou vinte e seis anos até que outra artista negra conquistasse o prêmio máximo do Grammy. Mas foi exatamente o que isso aconteceu: depois de Lauryn Hill, Beyoncé levou para casa a condecoração há apenas dois dias, pelo ovacionado ‘Cowboy Carter’.
Com o compilado, nossa Queen B foi finalmente reconhecida pela Academia após inúmeras falhas do próprio júri – que não a premiaram com títulos como ‘BEYONCÉ’, ‘Lemonade’ e ‘Renaissance’ -, e em um momento de extrema importância. A icônica vitória veio acompanhada de uma celebração da cultura afro-americana e do fato de que, sem artistas negros, o country simplesmente não existiria. E, como se não bastasse, Bey também tornou-se a primeira artista negra a levar prêmios nas categorias do gênero, que sempre foi marcado pela predominância de musicistas brancos.