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Crítica | Yara – Filme baseado em história real mostra crime que PAROU a Itália e virou hit da Netflix

Um mar de fatos até a verdade. Dirigido por Marco Tullio Giordana, o longa-metragem italiano Yara – já disponível na Netflix – mostra os bastidores das investigações de um caso de assassinato que chocou a Itália anos atrás. Focando na busca incansável de uma investigadora sobre as verdades dos fatos, o projeto coloca uma enorme lupa sobre os métodos investigativos, alguma falta de preparo para determinadas situações e os conflitos entre os poderes legislativo e judiciários sempre ligados de alguma forma a uma política controladora. 

Na trama, conhecemos a experiente investigadora Letizia (Isabella Ragonese), uma mãe solteira que é designada para investigar o sumiço de uma jovem de 13 anos chamada Yara. Ao longo do tempo, que percorreu anos, sempre atrás de pistas toda a problemática e dificuldades do trajeto acabam de alguma forma influenciando também a vida de Letizia que mesmo com desconfiança do alto comando italiano não desiste de encontrar as verdades sobre esse caso.

O roteiro, assinado pela dupla Graziano Diana e Giacomo Martelli foca nas linhas investigativas de maneira profunda deixando margem para críticas sobre métodos de análise de resultados, questões sobre banco de dados de fichados e a enorme burocracia de uma região engessada por nunca ter visto um caso como esse. O papel da imprensa, aí de maneira mais superficial, acaba tendo um peso importante nas escolhas e esclarecimentos, às vezes mesmo sem atualizações, que pressionam as autoridades policiais por respostas para a sociedade que afita enxerga basicamente um crime sem solução e com o provável assassino à solta. O foco na protagonista mostra tudo o que se transforma sua vida pela pressão de todos ao seu redor.

Crítica | ‘Desligue!’ – Empolgante filme Tailandês na NETFLIX sobre ‘Golpistas do Call Center’

Você já deve ter ouvido falar das fraudes eletrônicas originadas de ligações suspeitas, nas quais criminosos, sem piedade, buscam obter altas quantias de dinheiro através de chantagens, pegando muita gente de surpresa. Isso, inclusive, acontece bastante no Brasil. Para jogar luz sobre esse tema – que atinge não apenas nosso país, mas várias partes do mundo -, chegou à Netflix, nesse final de março, Desligue!, um empolgante longa-metragem tailandês que aposta em afiadas críticas sociais construindo-se em torno de dramas emocionais.

Orn (Nittha Jirayungyurn) é uma mulher de ótima condição financeira que, certo dia, leva um terrível golpe financeiro. Completamente abalada com a situação e escondendo a real quantia perdida, ela busca apoio nas forças policiais – em vão. Sem saber o que fazer, um dia acaba encontrando a fisioterapeuta Fei (Esther Supreeleela) e a vendedora de cremes Wow (Ning Chutima Maholakul), que também foram vítimas dos mesmos golpistas. Sem apoio da polícia, elas resolvem bolar um plano para desmascarar a quadrilha – uma decisão que trará enormes consequências para suas vidas.

10 filmes para você que abriu a NETFLIX sem saber o que assistir

Com direção de Sitisiri Mongkolsiri, e roteiro assinado por Tinnapat Banyatpiyapoj e Kongdej Jaturanrasamee, a trama se desenvolve a partir do trauma de uma situação, virando a chave do drama para uma ação acelerada, com pitadas de suspense, em que a inconsequência se torna uma marca no desenvolvimentos das protagonistas. Ao abordar três classes sociais diferentes através de suas personagens, o projeto enriquece o contexto da narrativa, nos levando para uma estrada de possibilidades e com desfecho simbólico.

Com tantos ingredientes reunidos para abordar a vingança através do concreto de ações moralmente controversas – sem perder o fio do discurso –, as protagonistas logo se transformam em um reflexo do contraditório, caminhando a passos largos por uma linha tênue entre o certo e o errado.

Outro fator interessante é que a definição de vilão, nessa história, acaba ganhando papel amplo, ligado ao submundo do crime e às forças invisíveis por trás das ações cruéis retratadas. Dos crimes cibernéticos ao alpinismo social por meio da bandidagem, logo chegamos na lavagem de dinheiro, contas-fantasmas. Ainda sobra espaço para uma crítica à ineficiência das forças policiais no combate a esse tipo de crime – ainda que de forma superficial, já que o personagem que representa isso acaba sendo deixado completamente escanteado na trama.

Desligue! não reinventa a roda quando pensamos em linguagem, mas se lança em riscos narrativos ao explorar, com eficiência, uma temática provocativa que se constrói em torno do trauma.

10 MELHORES FILMES DE 2021; Adivinha qual é o 1º?

Enfim chegamos ao final de 2021 e nesse momento a maioria dos cinéfilos de todos os cantos do planeta gostam de parar e pensar: quais os melhores filmes que vi nesse ano?

O Renato Marafon traz o vídeo seus 10 MELHORES FILMES DE 2021; Adivinha qual é o 1º?

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Crítica | ‘Mike e Nick e Nick e Alice’ – Sci-fi MAL executado e sem qualquer consistência estreia no streaming

Com o objetivo apenas de entreter, sem maiores pretensões, o longa-metragem Mike & Nick & Nick & Alice, novo filme disponível no catálogo da Disney Plus, busca se sustentar em um roteiro que usa da sátira ao universo dos gângsters para apresentar o caos violento e generalizado de uma noite muito doida. É aquele show de mentirinhas que funciona como um passatempo momentâneo – e, provavelmente, esqueceremos rapidamente.

Mike (James Marsden) é membro de uma organização criminosa e acaba se apaixonando pela esposa do amigo, Alice (Eiza González). Esse amigo, Nick (Vince Vaughn), é um respeitado gângster que vive um momento intenso após descobrir um objeto capaz de fazê-lo voltar no tempo e confrontar as próprias ações em um dia cheio de revelações – quando Mike é condenado à morte, acusado de ser um informante. Ao longo de uma noite cheia de tiros e sangue, Mike, o Nike do presente, o Nike do futuro e Alice precisarão enfrentar a ira de Sosa (Keith David), chefe da organização criminosa.

Crítica | ‘40 Acres’ – Canibais e a luta pela sobrevivência em uma narrativa eficiente

Escrito e dirigido pelo cineasta norte-americano BenDavid Grabinski, a obra tenta se aproximar de temáticas pop, com direito a diálogos obre Gilmore Girls e até uma espécie de karaokê de uma grande obra musical, deixando de lado qualquer desenvolvimento mais profundo de seus caricatos personagens. O que sobra é um espetáculo de ação com muitos excessos, ritmo acelerado, desencontros narrativos e completamente sem propósito convincente.

Você pode até definir esse filme como um projeto de ficção científica – afinal, há uma viagem no tempo. No entanto, essa questão é completamente deixada de lado pelo roteiro, sendo apenas um elemento isolado em meio a um fluxo incessante de ação. Uma opção que se mostra uma tentativa arriscada e que, no final das contas, deixa a narrativa com uma sucessão de espaçamentos, quebrando até a continuidade da história.

Ainda dentro desse contexto limitado, ao construir os personagens de forma simplificada, repleto de exageros e diversas pontas não exploradas, a sátira não atinge todo seu potencial, resultando em um humor raso e bobo, marcado por provocações apenas superficiais.

Mike & Nick & Nick & Alice pode ser definido como uma experiência oca, uma obra que muitas vezes não leva a lugar a nenhum e insiste em uma ser uma comédia de erros camuflada de sci-fi mal executado e sem qualquer consistência.