Pedro Almodóvar critica ausência de tom político no Oscar: “Bastante notável”

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DestaquePedro Almodóvar critica ausência de tom político no Oscar: "Bastante notável"

O consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar, vencedor do Oscar e mente por trás de clássicos como ‘Tudo Sobre Minha Mãe’ e ‘Fale com Ela’, expressou publicamente sua insatisfação com a postura da indústria cinematográfica na última temporada de premiações.

Conforme a Variety, O diretor criticou a recente cerimônia do Oscar por aquilo que considerou uma omissão generalizada dos artistas diante de crises globais urgentes, como o conflito na Palestina e as diretrizes políticas do presidente norte-americano Donald Trump.

Você sabe, eu realmente não culpo ninguém em particular, mas foi bastante notável assistir à transmissão do Oscar sem muitos protestos contra a guerra ou contra Trump”, observou Almodóvar. “Talvez ele não tenha sido o único, mas o único exemplo real de que consigo me lembrar veio de um europeu, um amigo meu, Javier Bardem, que disse diretamente: ‘Palestina livre'”.

Para Almodóvar, a falta de manifestações reflete um cenário político mais profundo e alarmante que se instalou nos Estados Unidos após as últimas transições governamentais.

“As pessoas estão obviamente muito assustadas”, continuou o diretor. “Os EUA não são uma democracia neste momento. Algumas pessoas dizem que talvez seja uma democracia imperfeita, mas eu realmente não acho que os EUA sejam uma democracia agora. O mais doloroso e irônico é que a democracia deu origem, através do mecanismo correto de votação, a esse tipo de regime totalitário. E isso é tanto um paradoxo quanto incrivelmente triste”.

Esta não é a primeira vez que o cineasta adota um tom crítico em relação à gestão de Donald Trump. Durante o ano de 2025, ao ser homenageado com o prestigioso Prêmio Chaplin no Lincoln Center, em Nova York, Almodóvar já havia discursado afirmando que os Estados Unidos estavam sendo “governados por uma autoridade narcisista, que não respeita os direitos humanos”, prevendo ainda que o atual governo seria lembrado historicamente como uma “catástrofe”.

Indagado se pronunciamentos tão enfáticos poderiam fechar portas ou prejudicar o financiamento de seus futuros projetos na indústria internacional, o diretor foi categórico ao afastar qualquer tipo de receio profissional.

“Não tenho muitos medos. Em um sentido espanhol mais amplo, aqui não temos medo de chamar as coisas pelo que elas são. Temos um governo que chamou Gaza de genocídio, e o povo espanhol, em geral, não tem medo de definir essas guerras pelo que elas são”, explicou o diretor, acrescentando que “é mais fácil para mim ser claro” sobre suas convicções justamente por sua condição de cineasta estrangeiro que opera majoritariamente fora do sistema tradicional de Hollywood.

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José Guilherme
Jornalista e redator apaixonado por cinema, séries e animes, sempre em busca de boas histórias para contar e compartilhar.

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