Kesha Rose Sebert ganhou fama no final dos anos 2000 com a canção “Right Round”, em colaboração com o rapper Flo Rida – e, desde então, eternizou pop bangers que são ouvidos até hoje. Ao longo de sua carreira, Kesha trouxe aos ouvintes canções como “Tik Tok”, “Blah Blah Blah”, “Your Love Is My Drug”, “Die Young” e várias outras, criando uma expressão visual e sonora que veio à tona como reflexo do hedonismo, da diversão e do entretenimento – ainda mais para uma geração que começava a institucionalizar divas pop ao redor do mundo.
Após enfrentar um duro julgamento contra o produtor Dr. Luke, que foi acusado de abuso físico e psicológico, a cantora e compositora finalizou seu contrato com sua gravadora em 2023, com o lançamento de ‘Gag Order’, e deu início a um importante capítulo de sua carreira: ao fundar a própria label e ao recuperar todo sua avidez criativa, Kesha voltou neste último dia 4 de julho com o lançamento do aguardado ‘Period’.
O compilado de originais, composto por onze faixas, vinha sendo promovido desde o ano passado com o lead single “JOYRIDE.”, que a levou de volta ao início da própria discografia e que antecipou um ambicioso projeto que, mesmo com alguns defeitos óbvios, se mostrou bastante competente e aprazível.
Para celebrar o disco, preparamos uma breve lista elencando suas cinco melhores músicas.
Veja abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual a sua faixa favorita:
5. “DELUSIONAL.”
Kesha parece finalmente ter se reencontrado com o lançamento de ‘Period’, que foi estilizado desde seu anúncio oficial com o símbolo ‘.’. E, em meio a explorações que a livram de amarras passadas e que lhe permitem voltar a sentir prazer e alegria no que faz, é notável a predileção da artista por construções power-pop, pautadas em escolhas antêmicas que nos arrebatam desde os primeiros segundos. Em “DELUSIONAL.”, a performer arquiteta uma atmosfera única e ecoante à medida que lança o eu-lírico em uma jornada coming-of-age transformadora e revitalizadora.
4. “LOVE FOREVER.”
Como podemos perceber ao longo do álbum, Kesha tem uma afeição grandiosa por unir clássicos do cenário fonográfico à contemporaneidade – e a despojada “LOVE FOREVER.” é uma das melhores representantes desse vibrante cenário que ela nos apresenta: ponderada sob um ótimo baixo que ecoa com batidas bem demarcadas e pulsões do disco e do funk, a faixa é um sutil convite às pistas de dança e às noites intermináveis de festa e amor, construindo uma ponte entre o século XXI e os anos 70 e 80 com paixão irrefreável.
3. “FREEDOM.”
Na crítica completa do álbum, que você encontra aqui, comento a forma como Kesha se baseia no recente álbum ‘MAYHEM’, de Lady Gaga, para gestar seu próprio “caos controlado”, misturando inúmeros gêneros musicais em um mesmo escopo. E “FREEDOM.”, que abre o compilado de originais de maneira irretocável, é uma das faixas que melhor representa essa profusão estilística: a canção é um épico cinemático de quase seis minutos e meio que se inicia com as doces notas de um piano e poderosos vocais à la Florence Welch, até verterem-se em pulsões do disco e do funk guiados pelo teatral verso “eu só bebo quando estou feliz, e estou bêbada agora” e pela óbvia mensagem de emancipação promovida pela faixa.
2. “THE ONE.”
É muito provável que, em meio a várias promocionais lançadas antes da estreia oficial do álbum, algumas não tenham o reconhecimento que merecem – como é o caso de “THE ONE.”. Funcionando oficialmente como quinto single oficial do compilado, a faixa é pensada com cautela extrema e, ainda que traga batidas similares a outras faixas do compilado, ela se remodela para acompanhar a legião de trompetes que lhe confere uma altivez inescapável. O resultado não é só uma das entradas mais bem estruturadas do álbum, mas uma celebração do retorno da “filha pródiga” à casa (neste caso, ao seu próprio eu).
1. “JOYRIDE.”
O lead single de ‘Period’ foi lançado em julho de 2024 e, ao longo de breves dois minutos e meio, traz a Kesha de um passado não muito distante e uma Kesha atual unindo forças para uma faixa pronta para as pistas de dança. Emergindo como uma faixa de empoderamento remodelada com escolhas técnicas e artísticas bastante sensuais – incluindo versos falado e cantados que se aglutinam em uma vibrante atmosfera -, a artista se une com o produtor Zhone para mergulhar de cabeça no electro-pop, no synth e até mesmo na polka. E, ao apostar fichas em uma óbvia celebração testamentária, a track se sagra como a melhor do álbum e uma das melhores de sua discografia.
