Peter Jackson receberá Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes 2026

Anunciado nesta quinta-feira (6), o diretor neozelandês Peter Jackson receberá a Palma de Ouro honorária durante a cerimônia de abertura da 79ª edição do Festival de Cannes, marcada para o dia 12 de maio, em reconhecimento a uma carreira que mudou para sempre o cinema blockbuster e o cinema de autor.

Ao longo de décadas, Jackson construiu uma filmografia que combina ambição artística, inovação tecnológica e um talento singular para contar histórias épicas. O reconhecimento em Cannes o coloca ao lado de nomes que já receberam a mesma honraria, como Agnès Varda, Marco Bellocchio, Jodie Foster e Meryl Streep, além de Robert De Niro, homenageado no último ano.

Uma carreira que transformou Hollywood

Responsável por algumas das maiores produções da história do cinema, Jackson revolucionou o gênero da fantasia com a trilogia O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001), As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003), inspirada na obra do escritor J. R. R. Tolkien.

Filmados simultaneamente na Nova Zelândia, os três longas foram um desafio logístico gigantesco: mais de 20 mil figurantes, cerca de 2.400 técnicos e quase três anos de pós-produção. O resultado histórico: a saga conquistou 17 Oscars, sendo 11 apenas para o capítulo final, igualando recordes de clássicos como Ben-Hur (1959) e Titanic (1997). Além do sucesso crítico, a trilogia também se tornou um fenômeno comercial, arrecadando bilhões de dólares.

Cannes na trajetória do cineasta

O Festival de Cannes teve um papel importante na trajetória do diretor. Em 2001, meses antes do lançamento mundial de A Sociedade do Anel, Jackson apresentou 26 minutos inéditos do filme para a imprensa no evento. A reação inicial de desconfiança rapidamente se transformou em entusiasmo e, ali, começava a jornada rumo ao enorme sucesso.

Em comunicado à imprensa, o próprio diretor relembrou a importância do festival em sua carreira: “Ser homenageado com uma Palma de Ouro honorária em Cannes é um dos maiores privilégios da minha carreira. Cannes sempre celebrou um cinema ousado e visionário, e sou extremamente grato ao festival por esse reconhecimento.

Muito além da Terra-média

Antes de se tornar um dos maiores nomes do cinema blockbuster, Jackson chamou atenção com produções cult como Trash – Náusea Total (1987), Fome Animal (1993) e Almas Gêmeas (1994), este último é o primeiro filme de Kate Winslet aos 19 anos.

Kate Winslet em seu primeiro filme: Almas Gêmes (1994).

Após o sucesso global de O Senhor dos Anéis, ele dirigiu o remake de King Kong (2005) e retornou ao universo de Tolkien com a trilogia O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012), O Hobbit: A Desolação de Smaug (2013) e O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014).

Nos últimos anos, o cineasta também explorou projetos documentais ambiciosos. Entre eles estão Eles Não Envelhecerão (2018), que restaurou imagens da Primeira Guerra Mundial, e a minissérie The Beatles: Get Back (2021), que reuniu horas de imagens inéditas da gravação do álbum Let It Be da banda The Beatles.

“Existe um antes e um depois de Peter Jackson”

Para o diretor do festival, Thierry Frémaux, a influência do cineasta é impossível de ignorar: “Existe claramente um antes e um depois de Peter Jackson. O cinema grandioso é sua marca registrada, e sua arte abrangente do entretenimento é particularmente ambiciosa. Ele transformou permanentemente o cinema de Hollywood e a própria concepção de espetáculo”, declarou em seu depoimento à imprensa. 

A 79ª edição do Festival de Cannes acontece entre 12 e 23 de maio de 2026, e a Palma de Ouro honorária para Peter Jackson será entregue na cerimônia de abertura do evento. A Seleção Oficial será anunciada na quinta-feira, 9 de abril de 2026, às 16h de Brasília.

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.