Nos últimos anos a Disney tem anunciado uma série de mudanças na forma como ela apresenta e representa suas histórias. De lá para cá, tivemos história em que não há príncipe nenhum (‘Moana’) e com o foco centrado na relação entre duas irmãs (‘Frozen’). Porém, as versões live action têm causado polêmica na hora do anúncio do elenco, e o caso mais recente, da escalação de Halle Bailey para o papel de Ariel, ultrapassou os limites da predileção individual e entrou no campo da discriminação racial. O motivo de tanta revolta? O fato de Halle Bailey ser negra.

A história da princesa Ariel é simples: ela é uma jovem sereia que gosta muito de cantar e que, um dia, conhece um homem humano, se apaixona por ele e, em troca da possibilidade de se tornar humana para ficar com ele, Ariel sede seu dom mais precioso: sua voz.

Quando a gente resume a história assim, não tem como não se sentir incomodado. Como assim a princesa faz um sacrifício tão grande apenas para ficar com um homem? Como assim ela muda quem é apenas para ficar com ele? Como assim ela vê Eric apenas uma vez e isso já é suficiente para ela abrir mão de tudo na sua vida para ficar com ele?

Pois é. Se o mundo está lendo com outros olhos as histórias apresentadas pela Disney, bom, a própria Disney também está fazendo isso. E, ao fazê-lo, entende que o mundo mudou e que a forma narrativa precisa ser mudada, para que sua arte continue dialogando com o seu público – que, hoje, já não é mais composto apenas de brancos, héteros e de classe média alta; hoje, as pessoas que visitam os parques da Disney e assistem a seus filmes no cinema também são negras, latino-americanas, indianas, asiáticas, gays, adultas etc.

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Infelizmente, porém, os comentários contra a contratação de Halle Bailey para o papel da sereia não é um caso isolado. Recentemente também vimos as declarações de Idris Elba, que abriu mão de interpretar o papel do novo 007 por causa dos ataques raciais dos fãs do agente secreto.

Rob Marshall, diretor da live action, comunicou que Halle foi escolhida por “possuir aquela combinação rara de espírito, coração, juventude, inocência e substância. Além de uma voz maravilhosa. Todas as qualidades intrínsecas necessárias para desempenhar esse papel icônico”. E não são exatamente essas as características da jovem Ariel? O fundamental para interpretar este papel não seria exatamente ser uma boa cantora, já que Ariel fica cantando o tempo todo na animação? Então, por que a moça escolhida está causando tanta repercussão nas redes sociais, considerando que as próprias irmãs da Ariel no desenho têm cabelos e caudas de cores diferentes?

O que vemos é que as reações negativas com a escolha da cantora Halle Bailey têm a ver sim com o fato de ela ser uma menina negra, apesar de preencher todos os requisitos para o papel. E para isso a própria Disney manda o seu recado: os filmes dela vão ter, sim, representatividade para todos, porque esse é o mundo em que vivemos.

E para quem não concorda, bom, fiquem com a versão animada do desenho, tá tudo bem. Vale lembrar que em muitos países hispanohablantes Ariel é nome de homem. E que a moça vestida de Ariel que fica tirando foto com todo mundo nos parques também não é a Ariel original, e o cabelo que ela usa é peruca. Mas ela continuará por lá, tirando foto com quem quiser, assim como o desenho de 1989 continuará disponível para quem quiser assistir. Em breve teremos duas sereias, e o Oceano é grande demais para as pessoas ficarem apegadas a uma só.

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