Se você ainda não foi mordido pelo bichinho chamado novela turca, então prepare-se que sua hora está chegando. As produções do país europeu invadiram as telinhas brasileiras, após conquistar os lares de boa parte da América Latina. Um verdadeiro fenômeno que, após a invasão dos doramas principalmente nos streamings, começa a chegar com força nos últimos anos aqui no Brasil – com a diferença que não é só nos streamings, mas também nas plataformas de vídeo, como o Youtube, que lançou esse mês a sua vertente Noverama TV, um braço dedicado ao conteúdo digital e que estreou com a novelinha ‘Amor de Aluguel’ (“Kiralık Aşk”), já disponível na plataforma.

Na moderna Istambul vive Defne (Elçin Sangu), uma jovem humilde cujo irmão se mete numa confusão financeira e acaba devendo dinheiro para perigosos gângsters. Apesar de trabalhar como garçonete em um restaurante, a vida não é fácil para Defne e sua família. Só que o restaurante recebe pessoas endinheiradas, como o rico designer Ömer (Baris Arduç), um rapaz bonito e bem-sucedido que não consegue se envolver emocionalmente com ninguém. Quando seu avô, que é o verdadeiro dono da fortuna, pressiona sua tia Neriman İplikçi (Nergis Kumbasar) e seu tio Necmi İplikçi (Levent Ülgen) a darem um jeito de casarem Ömer em seis meses ou, do contrário, perderão acesso à fortuna da família, os dois começam a bolar planos de encontros entre o sobrinho e socialites influentes. Porém, num desses encontros, numa tentativa de escapar de uma grande cilada, Ömer acaba usando Defne e a beija, fingindo ser sua namorada. De olho no possível interesse do rapaz, Neriman e Nacmi propõe um trato a Defne: conquistar Ömer em troca de uma boa quantia em dinheiro, suficiente para tirar sua família do apuro. O que Defne não podia imaginar é que negócios e sentimentos não podem se envolver em nenhuma situação.
Não é preciso muito esforço para perceber que ‘Amor de Aluguel’ segue na linha do conto da Gata Borralheira: a pobre menina esforçada mas cuja vida não facilita em nada e ainda é responsável pela família inteira que, num ato de mágica, acaba conhecendo um bonitão rico e, de uma maneira quase inexplicável, passa a se envolver emocionalmente com ele. Um conto de fadas que já vimos em inúmeros formatos, como no longa ‘Uma Linda Mulher’ ou na animação ‘A Bela e a Fera’.

O que torna ‘Amor de Aluguel’ altamente viciante é justamente seu exagero: tudo é exageradamente belo, os personagens são exageradamente bonitos e ricos, os lugares são exageradamente deslumbrantes, a trama é exageradamente forçada. Um balde de clichê com um filete de groselha e duas pedrinhas de gelo.
Mas é exatamente essa chuva de clichês que faz com que a trama seja entregue ao espectador de mão beijada, com personagens cujos tropos ficam bastante claros e o enredo seja de fácil identificação. Com tudo assim mastigadinho, ‘Amor de Aluguel’ acaba se tornando uma novelinha fácil de acompanhar, para passar o tempo e que de certa forma ainda preserva certa aura de inocência no envolvimento dos personagens – o que, por sua vez, explica e justifica seu enorme sucesso no Brasil, funcionando como uma alternativa para quem busca novelas para além das ofertadas na tv aberta.
Por conseguir misturar romance, humor e emoção, e sustentada por personagens carismáticos e de alta identificação com o público, ‘Amor de Aluguel’ é aquela novelinha água com açúcar bem estilo “prazer culposo”, ideal para maratonar sem se preocupar com os afazeres. No total, são 148 episódios, falados originalmente em turco mas exibidos dublados em português, disponível de segunda à sábado, sempre às 19hs.



