Primeiras Impressões | Silo: Apple TV+ entrega ambicioso sci-fi distópico com Rebecca Ferguson


A assustadora realidade de um mundo mergulhado em caos, onde a toxicidade humana e ambiental se entrelaçam em uma coisa só, tem sido a razão de alguns dos devaneios literários mais fascinantes já publicados. De Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, passando por O Homem do Castelo Alto – ambos de Philip K. Dick -, chegando a 1984 de George Orwell, a distopia é hoje mais do que um entretenimento inventivo e hiperbólico. Como um retrato futurista da nossa própria humanidade, o gênero é de fato uma análise intrínseca de um desastre global anunciado. E nunca estivemos tão perto do apogeu apocalíptico, foco central de Silo – nova série original da Apple TV+.

Seguindo o bom e velho molde da dizimação ambiental, Silo se apropria dessa proposta para apenas usá-la como um trampolim para discussões mais densas. Fugindo da literalidade dos debates sobre o meio ambiente, que reduziram a raça humana a escravos de seus próprios erros e escolhas, a produção usa esse alicerce como um ponto de partida para expandir uma reflexão sobre poder, conhecimento e domínio através do medo. Em uma sociedade regida por um rigoroso sistema que data de 140 anos, o restante da população hoje vive debaixo de um regime autoritário, controlado por leis pouco explicadas nascidas após uma rebelião. Usando o gatilho do desconhecido e de histórias antigas que são recontadas quase como assustadoras lendas urbanas, Silo faz do “não pergunte, não fale” seu método para nos arrebatar nas profundezas desse misterioso universo.

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Com um elenco de peso, conduzido por Rebecca Ferguson e David Oyelowo, Silo é um sci-fi distópico que flerta com o experimental. Trazendo um design de produção impecável, que faz dos tons terrosos uma linguagem não verbal para emanar a sensação de sujeira, poeira e até mesmo abandono, a série original da Apple TV+ é uma experiência sinestésica para os amantes do subgênero. Um pouco lenta, mas tomada por gatilhos que nos convidam a entrar nesse submundo, ela é adepta à narrativa “slow burn”, se revelando gradativamente como uma pequena chama que cresce a cada novo episódio. E sob a liderança do criador Graham Yost, Silo se apresenta para a audiência como um vasto leque de possibilidades, onde todos os personagens são conectados pelas mesma perguntas jamais respondidas.

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E assim como a curiosidade é o fio condutor que carrega os protagonistas, ela também nos mantém atentos, sedentos por respostas que não parecem vir tão cedo. Mas construindo uma atmosfera sombria e pulsante que nos angustia e nos deixa perplexos, Silo consegue romper sua lentidão ao fazer jogos mentais com a audiência. Revelando novas camadas de seu universo conforme caminhamos com a trama, a série é um deleite para quem não tem pressa e um primor para amantes de tramas complexas. Com personagens intrigantes e um elenco de peso que sustenta cada nível de profundidade narrativa mostrado até o momento, a produção é uma tacada certeira da Apple TV+, que sempre foca no “menos é mais”. Com uma direção belíssima, que destaca o tom mais sóbrio e frio dessa nova sociedade, Silo já promete ser uma das grandes surpresas de 2023. Seu sucesso vai depender do quão longe Yost é capaz de nos levar, sem nos frustrar.

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