Primeiras Impressões | ‘The Boys’ retorna com uma 5ª temporada ARRISCADA e inebriante

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Baseada na aclamada série de quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson, a adaptação televisiva de The Boys encontrou sucesso imediato por trazer uma perspectiva totalmente nova ao saturado gênero de super-heróis no audiovisual, servindo como uma incisiva e sangrenta crítica social que escolheu como alvo a ascensão desenfreada da extrema-direita e o rompante cenário político que se estabeleceu nos Estados Unidos desde que Donald Trump ascendeu à presidência pela primeira vez. Ao desmistificar a falha máxima do “herói norte-americano” e fincando as garras na problemática do ultranacionalismo, a série mergulhou em território controverso e encontrou sucesso crítico e de público imediato.

Agora, após os chocantes eventos da quarta temporada, que não pensou duas vezes antes de analisar a realidade da maneira mais ácida e exagerada possível, estamos de volta com o aguardado ciclo de encerramento. Os dois primeiros episódios foram lançados recentemente na grade de programação do Prime Video e, como já era de se esperar, deram os primeiros passos para uma épica conclusão que colocará um fim no interminável reino de caos do autoritário Capitão Pátria (Antony Starr), cujas pulsões fascistas ganham mais palanque quando ele, enfim, toma controle dos EUA e começa a modelar o país a seu bel-prazer.

Logo de cara, a dobradinha de capítulos já deixa bem claro que o time de roteiristas não terá escrúpulos para sacrificar personagens de extremo protagonismo no universo da série a fim de mostrar que ninguém está a salvo – e isso fica bem claro com a inescapável insanidade de que o Capitão Pátria se vale para dizimar seus opositores. Ao assumir indiretamente a presidência dos Estados Unidos através de um líder que lhe jurou lealdade incontestável, o super é atacado pela força de Luz-Estrela (Erin Moriarty), cujo objetivo é desmoralizar o caráter duvidoso de seu inimigo e garantir que sua aceitação nunca seja plena. É claro que as coisas não saem como o planejado e, aliando-se à Irmã Sábia (Susan Heyward), Profundo (Chace Crawford) e Black Noir II (Nathan Mitchell), Capitão Pátria cria uma cortina de fumaça que descredibiliza um problemático vídeo envolvendo um avião e centenas de vítimas.

Os problemas para Luz-Estrela e seus aliados não param por aí: o retorno de Billy Bruto (Karl Urban) prenuncia o reagrupamento do desbandado grupo The Boys para destruir Capitão Pátria de uma vez por todas com um vírus capaz de exterminar qualquer super-herói. Reencontrando-se com Kimiko (Karen Fukuhara), Billy avisa a Luz-Estrela que Hughie (Jack Quaid), Frenchie (Tomer Capone) e M.M. (Laz Alonso) estão presos em uma espécie de campo de concentração e serão exterminados em menos de dois dias. Porém, Billy sabe que aquilo é uma armadilha para que o Capitão Pátria os embosque – e, mesmo sabendo do imenso perigo, o grupo cria um plano para resgatá-los, principalmente porque Frenchie é o único capaz de manusear o vírus e garantir que ele funcione.

Paul Grellong e Jessica Chou, que assinam os roteiros dos episódios iniciais, trabalham de maneira assídua para garantir que o escopo macrocósmico que ditará o destino do planeta seja um reflexo dos arcos pessoais dos personagens, e vice-versa. O crescente conflito entre duas esferas totalmente opostas de uma mesma estrutura é alimentado pela desmantelada moral de Luz-Estrela e sua tentativa máxima de redenção ao se sacrificar para um bem-comum, singrando pela área cinzenta que existe entre o bem e o mal; e pelos ímpetos narcisistas e destrutivos do Capitão Pátria, movido por uma sede incontrolável pelo poder e que consolida uma temida e derradeira fachada.

É perceptível como as incursões narrativas se mostram muito mais sólidas e ousadas do que na temporada anterior, afastando-se de alguns convencionalismos explorados não muito tempo atrás e procurando formas novas de se contar uma história bastante conhecida. Nada disso seria possível, entretanto, sem o exímio comprometimento do elenco, com destaque à presença marcante de Starr no ato final de um dos maiores antagonistas da televisão contemporânea; de Moriarty e Urban, que brincam em lados opostos de uma mesma moeda; e de Heyward em uma performance aplaudível que reafirma a total falta de consciência moral da Irmã Sábia.

Esse comprometimento aparece também na direção de Phil Sgriccia e Shana Stein. Sgriccia, veterano desse vibrante universo, tem a missão de nos reintroduzir à angustiante e agourenta atmosfera que vem sendo alimentada desde 2019 – e faz isso com paixão indelével e com a ideia de permanecer preso numa melancolia que coloca os personagens em becos sem saída. Stein, por sua vez, expande a estética de seu conterrâneo ao passo que traz elementos do drama e do suspense psicológico para nos deixar ansiosos para as próximas semanas, principalmente com o final do segundo capítulo.

The Boys retorna com força total para o que pode se tornar a melhor temporada da série – e, considerando que este é o último ano da adaptação, os fãs aguardam ansiosamente para um grand finale satisfatório e memorável. E, caso o nível das vindouras semanas permaneça tão alto quanto o da estreia, não temos nada com o que nos preocupar.

Lembrando que o terceiro episódio vai ao ar em 15 de abril.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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