O texto a seguir contempla os dois primeiros episódios da série.
Em 1975, James Clavell lançava uma das obras épicas mais conceituadas e respeitadas da história da literatura: ‘Xógum’. Narrando sobre o Período Sengoku do Japão Imperial – época marcada por uma grande instabilidade política e pela fragmentação do poder, precedendo a chegada dos colonizadores portugueses -, o romance vendeu mais de 15 milhões de cópias até os anos 1990 e foi extremamente aclamado pelos críticos e pelo público. Pouco depois, o livro ganhou uma minissérie que, apesar de ter sido bastante criticada pelos japoneses, levou para casa diversos prêmios, incluindo um Peabody Award. Agora, somos convidados a revisitar esse explosivo enredo com a adaptação ‘Xógum: A Gloriosa Saga do Japão’, que estreia amanhã, 27 de fevereiro, no catálogo do Star+.
A história expande-se para diversas subtramas confinadas em um escopo de época gigantesco e que demonstra o cuidado dos criadores em construir uma obra audiovisual de proporções espetaculares. A principal delas é centrada em um navegante inglês chamado John Blackthorne (Cosmo Jarvis), que, juntamente à sua tripulação, sobrevive a tempestuosos eventos em alto-mar até atracar, à beira da morte, em terras orientais; e em Lorde Toranaga (Hiroyuki Sanada), um daimiô (ou seja, um senhor de terras) que se vê obrigado a enfrentar seus rivais para reclamar o poder que lhe pertence e impedir que seu legado seja desonrado frente a embates políticos que podem premeditar sua morte. Como se não bastasse, também acompanhamos o arco de Toda Mariko (Anna Sawai), uma jovem extremamente habilidosa, mas cujos laços familiares são extremamente desonrados – levando-a em uma compulsória jornada de provação e de glória que aumenta as múltiplas camadas da adaptação.

Criada por Rachel Kondo e Justin Marks, é notável como os assinantes da plataforma de streaming e os fãs inveterados dos escritos de Clavell estavam animados para conferir essa ambiciosa investida criativa. Felizmente, o conjunto de habilidosas mãos por trás da produção é sólido o suficiente para transformá-la em uma das melhores incursões do ano até agora, bem como uma das melhores do catálogo do Star+, prezando por uma exímia delineação artística que não deixa a desejar em nenhum aspecto – seja na condução do enredo, na fabulosa direção, nas irretocáveis performances ou na densa atmosfera que se apodera dos capítulos.

