A Pixar é lar de algumas das animações mais elogiadas da história do cinema – e o carro-chefe da companhia, que pertence à Walt Disney Studios, é a franquia ‘Toy Story’.
Tendo início em 1995 e dando o pontapé inicial em um dos estúdios mais prestigiados da sétima arte, a trama é centrada em brinquedos que ganham vida quando seus donos não estão olhando, passando por diversas aventuras que conquistaram a crítica e o público. Não é surpresa que o primeiro capítulo dessa impecável saga tenha dado origem a três sequências de igual sucesso (duas telas tendo conquistado o Oscar de Melhor Animação após a instituição da categoria na premiação).
Agora, mais de três décadas depois de ter estreado nos cinemas, a Pixar nos convida para a aguardada sequência ‘Toy Story 5’, que chega aos cinemas nacionais no próximo dia 18 de junho.

Nessa nova história, Woody (Tom Hanks), Buzz (Tim Allen), Jessie (Joan Cusack) e os nossos amados heróis enfrentam uma nova ameaça quando a jovem Bonnie (Scarlett Spears) ganha de presente um aparelho tecnológico conhecido como Lilypad (Greta Lee) dos pais – mostrando a ela um mundo totalmente diferente e virtual à medida que coloca o destino dos brinquedos em xeque.
Prometendo ser uma das melhores entradas não apenas da saga animada como do panteão Pixar, a produtora Lindsey Collins, responsável por elogiados títulos como ‘WALL-E’, ‘Procurando Dory’ e ‘Red: Crescer é uma Fera’, trouxe alguns detalhes de bastidores sobre o longa-metragem em uma coletiva de imprensa de que o CinePOP participou.
“Acho que havia alguns fatores que empolgaram a todos com este filme”, Collins disse, falando sobre o motivo da Pixar ter dado aval a mais uma sequência da franquia. “Um deles foi o fato de que, quando Woody entregou o distintivo de xerife para Jessie no final de ‘Toy Story 4’, houve uma certa expectativa em relação a como seria se Jessie comandasse tudo”.
“Jessie é um pouco desequilibrada. Jessie é um pouco imprevisível. Ela é uma personagem que nos deixa sem saber ao certo o que fará em seguida. Então, havia essa ideia de como seria para Jesse comandar tudo. E havia a ideia, obviamente, da tecnologia. Quer dizer, quando pensamos em ‘Toy Story’, sempre tentamos imaginar com o que os brinquedos estão lidando e nos colocar no lugar deles.
É a ideia de com o que as crianças estão lidando hoje em dia? Obviamente, elas estão lidando com a tecnologia. Isso é algo que todos nós sabemos. E o fato de que os brinquedos também lidariam com isso foi realmente empolgante para nós”.

Collins aproveitou o momento para explicar como a história ganhou vida, trazendo referências ao capítulo inicial da franquia e de que forma isso seria refletido mais de três décadas depois e com os incontáveis avanços tecnológicos.
“Isso meio que remete ao primeiro ‘Toy Story’, àquele momento em que Buzz cai na cama e a forma como Woody lidou com a situação. E aí surgiu a ideia de: ‘meu Deus, o que a Jessie faria com esse brinquedo tecnológico novinho em folha?’”, o que deixou todo mundo animado”, ela disse. “E, obviamente, uma coisa em que [o diretor] Andrew Stanton, que escreveu o roteiro, insistiu foi essa ideia maluca de cinquenta Buzz Lightyears. Ele disse: ‘só me acompanhem. Vai ter cinquenta Buzz Lightyears’. E a gente respondeu: ‘OK’”.
A produtora continua: “ele escreveu o rascunho e pensamos: ‘ah, ok, entendemos.” Então, acreditem, vale a pena. Com certeza”.
Enquanto os três primeiros filmes da saga acompanharam os brinquedos como parte da infância, da adolescência e até mesmo do início da vida adulta de Andy, ‘Toy Story 5’ abre espaço para conversas sobre os adventos tecnológicos e a atomização contínua da experiência humana, agora subjugada em monitores e telas brilhantes.
Acompanhando pautas que se tornaram muito relevantes nos dias de hoje, a história do novo capítulo serve como um reflexo da realidade – e foi aí que Lilypad surgiu como a principal antagonista da trama.

“Acho que o que tentamos fazer foi, obviamente, apresentar a realidade, que é o primeiro ponto. Ora, as crianças estão cada vez mais novas tendo acesso à tecnologia. E começamos por aí, decidindo apresentar a realidade como ela é. Não vamos julgá-la, mas tentaremos ser realistas”, Collins explica.
“Logo, em vez de esquadrinhar isso como um tema amplo, começamos a pensar: ‘OK, vamos apresentar a tecnologia como uma personagem’. Se apresentássemos a tecnologia como uma personagem e a trouxéssemos para a sala, qual seria o seu propósito? E se a tratássemos como um brinquedo qualquer, que pensasse que está ali para fazer o melhor para a Bonnie, qual seria a tensão nisso? Então, temos a Jessie, que é pura experiência e nenhum dado. E temos a Lilypad, que é pura informação e zero experiência – e toda a diversão que isso traz. Aí você começa a entender que ambas acham que estão fazendo o melhor. E todos eles têm essa filosofia que os guia. Você começa a entender a tensão que imediatamente se instala no ambiente”.
“Não há competição quando se trata de tecnologia”, a produtora acrescenta. “Ela vence. É como se não houvesse luta, na verdade. É como se ela dissesse: ‘ah, eu posso te contar qualquer coisa a qualquer momento. Tenho tudo acessível imediatamente’. Então, a vontade de lutar se esvai em qualquer um diante de um dispositivo tecnológico, exceto em Jessie. Ela pensa: ‘ah, não, eu não vou desistir’. O interessante em ser a Jessie era que ela se recusa a desistir. E ela é esse tipo de personagem que continuaria lutando não importa o que acontecesse”.
“O que estamos tentando explorar é a ideia de como realmente encontrar uma conexão, e essa versão nostálgica do que poderia ser, essa ideia de estarmos imersos em nossa própria imaginação, à qual temos acesso o tempo todo. E o que vocês verão no filme é isso, uma representação realmente bela da imaginação e do que ela poderia ser. Tentamos criar uma bela visualização da imaginação no filme porque, na verdade, ela é o contraponto ao que acreditamos que a tecnologia está fazendo: a imaginação e as brincadeiras da infância são o contraponto à tecnologia”.

Collins, então, deu continuidade para falar sobre alguns personagens novos que darão as caras no filme: a já mencionada Lilypad, interpretada pela indicada ao Oscar Greta Lee, um tablet que os pais de Bonnie lhe dão como presente para que ela possa fazer amizade; e o Amigo Rolinho, interpretado por Conan O’Brien, um brinquedo educativo eletrônico em formato de rolo de papel higiênico que também se tornou obsoleto.
“Temos Lilypad, mas também temos alguns brinquedos tecnológicos clássicos, aqueles da primeira geração que tinham uma única função. A Lilypad, obviamente, é multifuncional, e hoje em dia todos nós usamos dispositivos que fazem praticamente tudo de uma vez. Mas para quem teve filhos ou brincava com brinquedos tecnológicos de função única, temos alguns desses.
Temos o Amigo Rolinho [Smarty Pants, no original em inglês], um brinquedo para ensinar a usar o penico. […] E temos o Snappy, que era a primeira geração de câmeras digitais, daquelas que só funcionavam com câmeras digitais simples. E temos o dispositivo de geocaching. Era uma época muito rara. Não sei se alguém chegou a ter um dispositivo de geocaching de verdade. Mas, novamente, temos esses brinquedos tecnológicos clássicos que são muito divertidos de se ver.
Também temos uma nova personagem feminina, Blaze, que com certeza será uma personagem importantíssima no filme. E o porquinho dela, Jimmy Dean, que é um dos favoritos dos fãs da Pixar. A gente ficava assistindo às cenas dele sem parar. Enfim, temos muitos personagens novos no filme que eu acho que vão se encaixar muito bem no universo de ‘Toy Story’”.
A animação será lançada nos cinemas nacionais no dia 18 de junho.
Desta vez, a aventura coloca Woody, Buzz e companhia diante de um desafio bastante atual, competir com celulares, tablets e dispositivos eletrônicos pela atenção das crianças.
A produção conta com as vozes de Tom Hanks (Woody), Tim Allen (Buzz Lightyear), Joan Cusack (Jessie), Greta Lee (Lilypad), Blake Clark (Slinky), Ernie Hudson (Combat Carl) e Conan O’Brien (Smarty Pants).
Andrew Stanton (‘Procurando Nemo’) e McKenna Harris são responsáveis pela direção.



