No nosso maior momento de descobertas – a adolescência – passamos por diversas transformações sobre nosso modo de pensar a vida. Com novos obstáculos se mostrando presentes no cotidiano, são tempos que, de muitas maneiras, desenvolvem nossa personalidade e se torna um alicerce para a fase adulta.

Nesse período de construção de valores e de fortalecimento dos vínculos familiares e das amizades que podemos levar para toda a vida, o cinema surge como uma forma de reflexão, nos abrindo os olhos para questões às quais nunca pensamos e ampliando nosso horizonte moral.

Acho que todo mundo tem um filme que causou impacto nessa fase tão importante da nossa vida. Histórias que nos perseguem até hoje como memórias saudosas de um tempo em que tudo era mais fácil e o amadurecimento ainda estava em processo.

No meu caso, nascido em meados dos anos 1980, comecei a ter as primeiras fortes ligações com a sétima arte quando assisti a alguns filmes no videocassete antigo do meu avô. Sim, naquela época ou você ia ao cinema, ou a um lugar que deixou muita saudade em nossos corações: as videolocadoras. Ali, uma série de fitas VHS – divididas, muitas vezes, por gêneros cinematográficos – fazia nossos olhos brilharem, nos matando de curiosidade através das sinopses.

Foi assim que conheci Um Sonho de Liberdade. Baseado na obra Rita Hayworth and Shawshank Redemption, do espetacular escritor Stephen King, esse filme é um caso bem peculiar na galeria das obras que marcaram uma geração de cinéfilos. Trazendo para o público a história angustiante de um banqueiro preso injustamente pelo assassinato de sua esposa e levado para uma jornada infernal de duas décadas numa penitenciária norte-americana, esse longa-metragem foi um fracasso de bilheteria – algo que mudou quando chegou as locadoras, onde se tornou um sucesso estrondoso. É um daqueles filmes que você assiste e nunca mais sai de sua memória. Pra quem ainda não viu, tem na HBO MAX.
Já dentro de uma sala de cinema, me lembro muito bem do dia em que assisti Oldboy. Um antigo cinema no recreio dos bandeirantes, no Rio de Janeiro, fazia as primeiras sessões de domingo por um preço bem popular – paguei, acreditem, 2 reais! Um custo-benefício difícil de encontrar! Que filme, galera! Saí da sala de queixo caído!
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2004, o filme conta a trajetória de Oh Dae-su (Choi Min-sik, em atuação impressionante), um homem que, após ser detido totalmente embriagado, é sequestrado e mantido em cativeiro por 15 longos anos. Quando enfim é libertado, aparentemente sem saber o motivo, tem alguns dias para ir atrás da verdade de seu encarceramento, embarcando em uma jornada de chocantes descobertas. Pra quem ainda não viu, tem na MUBI.

Esses dois filmes me marcaram até hoje – inclusive tenho menções a eles tatuados no braço. Duas histórias que nunca mais vou esquecer e só renovaram meu amor por essa arte que tanto amamos.

E vocês? Lembram dos filmes que marcaram a adolescência? Pode ter sido em uma sala de cinema, alguma obra que assistiu na ‘Sessão da tarde’, ou em algum outro lugar. Tenho certeza que boas memórias virão. Contem pra gente!
