Na última quinta-feira, dia 22 de outubro, uma notícia chocou o mundo do entretenimento, empreendedor e financeiro. Com apenas 6 meses desde o seu lançamento, o serviço de streaming Quibi encerrou suas atividades pedindo falência, sem que muitos sequer tenham ouvido falar dele e em seus programas originais – alguns bem promissores. O fato não seria tão impactante se por trás do projeto não tivessem nomes de tamanho prestígio. A começar pelo fundador da empresa, o mega empresário do ramo audiovisual Jeffrey Katzenberg, peso-pesado que foi presidente do conselho Disney por 10 anos, e que ao lado de Steven Spielberg fundou os estúdios Dreamworks – lançado no fim da década de 1990.

O mais recente passo de Katzenberg foi voltado ao gigante mercado do futuro: os streamings. Neste território há o domínio da Toda-poderosa Netflix, seguida de perto pela Amazon e Disney+ (que chegou forte – em novembro aporta no Brasil). A proposta da Quibi (junção dos termos Quick + Bites, algo como bites rápidos ou também mordidas rápidas), porém, era inovadora, se diferenciando bastante das concorrentes. Quibi era um serviço para consumo rápido, para ser visto enquanto “matamos o tempo” numa fila, sala de espera ou transporte público. Algo que os puristas e os que consideram as salas de cinema um templo são fervorosamente contra, mas que é exatamente a forma de consumo de tais mídias pela geração mais nova – muitos dos quais já nascem com um celular nas mãos.

Este era o exato público-alvo do Quibi e seus programas “revolucionários” exibidos no formato de pílulas de no máximo 10 minutos – bem no estilo vídeos do Youtube. Fora isso, a tela podia ser vista de maneira vertical (das famosas selfies e stories do Instagram), além do tradicional horizontal, que replica a tela de TV. O ponto é: seja por causa da pandemia (já que todos em casa elimina o fator transitivo onde deveriam ser consumidos os programas da casa), pela concorrência de respeito, ou qualquer outro – o Quibi faliu.

A matéria, no entanto, visa apresentar para você, após esta introdução, alguns dos programas mais interessantes da casa – alguns com nomes de astros e personalidades muito conhecidas – que nós talvez jamais tenhamos a oportunidade de assistir. Bem, a não ser que alguns deles sejam comprados por outra plataforma para que continuem sua trajetória. A verdade é que nenhum deles teve tempo de explodir, apesar de em alguns casos terem agradado os críticos. Veja abaixo:



O Fugitivo

Um dos carros-chefe do serviço de streaming era esta nova versão de um dos maiores clássicos da TV americana: O Fugitivo. O programa original data de 1963 e durou quatro temporadas contando a história do médico Richard Kimble (David Jenssen) fugindo da polícia para limpar seu nome, após ser condenado por um crime de assassinato que não cometeu. A ideia foi levada para o cinema e se tornou uma obra famosa protagonizada por Harrison Ford – que foi indicada para 7 prêmios no Oscar, incluindo melhor filme.

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Quase 30 anos depois e o Quibi lança sua nova roupagem para esta história, na qual somente o conceito foi mantido. Aqui, Mike Ferro (Boyd Holbrook, de Narcos) é um ex-presidiário que só deseja estar de novo ao lado da família. Até ser o principal suspeito, não de um assassinato, mas de um atentado terrorista à bomba. Umas das melhores sacadas foi ter colado no papel do policial implacável que persegue o protagonista ninguém menos que o “imortal” Jack Bauer em pessoa, Kieffer Sutherland. A série estreou em agosto e durou uma temporada de 14 episódios.

Most Dangerous Game



Seguindo por atores renomados, este programa traz o galã Liam Hemsworth e o duas vezes vencedor do Oscar Christoph Waltz. A trama é igualmente baseada numa material clássico e se trata da releitura do conto homônimo de Richard Connell – que já rendeu inúmeras adaptações para o cinema e TV. A história gira em torno de um grupo de ricos e poderosos participando de um esporte bem diferente: caçar pessoas por dinheiro. Hemsworth vive um sujeito falido e desesperado que termina aceitando a proposta de receber uma bolada, caso sobreviva ao “jogo”, e Waltz é o figurão por trás da “brincadeira”.  O programa, um dos mais ambiciosos da plataforma, estreou em abril e teve 15 episódios de uma temporada.

Die Hart

Este é uma comédia de grande conceito, que fez sua estreia em julho. O comediante sensação Kevin Hart (Jumanji) migrou para a telinha e aqui interpreta a si mesmo – ou uma versão de si mesmo. Na trama, Hart decide dar um tempo das comédias para se tornar um astro de filmes de ação e para isso precisa treinar com o melhor especialista do ramo: Ron Wilcox, papel de John Travolta. O problema são os métodos nada ortodoxos do sujeito, que colocam a vida do ator em risco. Die Hart conta ainda com Nathalie Emmanuel (Game of Thrones/ Velozes e Furiosos), Jean Reno e Josh Hartnett no elenco, e teve 10 episódios.

Dummy

Seguindo pelas comédias, agora temos uma elogiada pela imprensa. Quem protagoniza aqui é a indicada ao Oscar Anna Kendrick no papel de uma aspirante a escritora. Levemente baseado na vida do criador do programa Cody Heller, Kendrick vive sua ex-namorada, que faz amizade com a boneca sexual dele – com quem ela consegue conversar. As duas partem em aventuras pelas estradas. O programa estreou no fim de abril.

The Stranger

Em matéria de suspense e tensão, este The Stranger é um dos mais interessantes, remetendo diretamente ao clássico dos anos 1980, A Morte Pede Carona. Não por menos é um dos seriados com a nota mais alta da imprensa, somando 86% de aprovação no Rotten Tomatoes. A jovem Maika Monroe (A Corrente do Mal) vive uma motorista de Uber que pega seu mais recente passageiro numa bela mansão. O sujeito, interpretado por Dane DeHaan (mestre em papeis desconcertantes), no entanto, confessa a ela que não é o dono da casa, mas sim acabou de matar seus moradores. Desta forma, o maníaco agora faz de seu novo alvo a jovem e bela motorista, que precisa escapar do psicopata ao longo da noite. Com 13 episódios de sua primeira temporada, The Stranger estreou em abril.



Survive

Outra jovem estrela recém-saída de Game of Thrones é que protagoniza esta série de roer as unhas. A ruivinha Sophie Turner, mais conhecida como Sansa Stark, fica loira para estrelar como Jane, uma suicida em potencial prestes a tirar a própria vida durante um voo, em pleno ar. Antes que possa se matar, porém, o seu avião cai nas montanhas geladas e agora ela se vê numa batalha por sobrevivência, delineando uma grande ironia. Ao seu lado, o único outro sobrevivente do desastre, o personagem vivido por Corey Hawkins (Straight Outta Compton).

When the Street Lights Go On

Igualmente bem avaliado pela crítica, este programa foi definido como um “Stranger Things sem os elementos sobrenaturais”. Curiosamente, o piloto havia sido produzido para a exibição na plataforma Hulu, que desistiu do projeto, sendo então lançado pelo Quibi. Passado no verão de 1995, um grupo de adolescentes de uma pequena cidade passam por seu ritual de amadurecimento, ao mesmo tempo em que se deparam com o assassinato de um casal de jovens – onde todos são suspeitos. O rosto mais conhecido do elenco é o de Queen Latifah, que vive uma policial investigando o caso. O programa estreou em abril.

50 Stages of Fright


Igualmente com 85% de aprovação da imprensa no Rotten Tomatoes, promessas (que talvez não sejam cumpridas) de novas temporadas e nomes como Rachel Brosnahan, Christina Ricci, Asa Butterfield, Taissa Farmiga, Karen Allen, Travis Fimmel, Rory Culkin, Lulu Wilson, Elizabeth Reaser, Jacob Batalon, Ming-Na Wen, Ron Livingston e Victoria Justice, 50 Stages of Fright é uma série de antologia, com cada episódio contando uma história diferente de terror sobre lendas urbanas oriundas dos Estados Unidos.  Como se não bastasse, a série tem produção de ninguém menos que Sam Raimi.

Thanks a Million

Passando para os reality shows – os quais toda plataforma de streaming precisa ter – aqui vemos uma ideia que parece surgida do filme A Corrente do Bem (2000). O mote é o seguinte: dez celebridades bem intencionadas (entre elas Jennifer Lopez, Kevin Hart, Tracy Morgan e Nick Jonas) doam US$100 mil para pessoas que julguem ter feito alguma diferença em suas vidas. No entanto, a pegadinha da boa ação está no fato de que estas mesmas pessoas precisam doar metade deste valor para alguém de sua escolha. O programa estreou em abril.

Fierce Queens

Reese Witherspoon teve uma das reviravoltas mais interessantes em Hollywood, se tornando uma das mulheres mais influentes e bem sucedidas da atualidade. Muito graças a pegar as rédeas da carreira, e assumir o cargo de produtora. A atriz viu seu ressurgimento na TV, onde está realmente o prestígio para muitos artistas. Whiterspoon já ajudou a alavancar a audiência de produções da HBO, Hulu e Apple TV+, protagonizando e produzindo séries como Big Little Lies, Pequenos Incêndios Por Toda Parte e The Morning Show. E ela também aderiu ao Quibi, emprestando sua voz como narradora deste programa documental sobre as rainhas da natureza, diversas espécies de fêmeas do reino animal.

Elba Vs. Block

O astro Idris Elba (Hobbs & Shawn) também marca presença num reality da casa. E um criado pelo próprio. Entusiasta de carrões e alta velocidade, Elba bolou uma disputa bem-humorada com o piloto de rally Ken Block, que através de uma série de provas e façanhas pra lá de inusitadas, e algumas bem perigosas, descobrirão quem é o melhor automobilista. Um prato cheio para quem curte o esporte. O programa estreou em abril.

Gone Mental With Lior

Fechando a lista dos programas mais interessantes do Quibi, este é um dos mais curiosos e divertidos. O ilusionista Lior Suchard realiza seus truques de mágica absurdamente impressionantes para “explodir” a mente de algumas personalidades, como James Corden, Zooey Deschanel, Kate Hudson, Ludacris e Ben Stiller, entre outros. O programa também estreou em abril.

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