Talvez a falta de criatividade de algumas pessoas de Hollywood contribua para a proliferação dos remakes. Talvez seja preguiça de criar algo novo quando se pode copiar uma coisa já pronta. Ou então (e muito provavelmente), talvez seja apenas vontade de ganhar dinheiro fácil – uma vez que o filme já existe, não é muito grande o desafio de refilmá-lo.

O fato é que cada vez é maior o número de filmes americanos lançados que são remakes de filmes europeus, de filmes independentes, ou então “baseados” em sucessos do passado.

Em pouquíssimos casos os remakes conseguem alcançar a qualidade dos filmes originais, na maior parte das vezes, são filmes bem ruinzinhos mesmo. Isso em se tratando de um remake de um bom filme, em algumas ocasiões vemos surgir remakes de filmes que de maneira nenhuma mereciam uma releitura, nesse caso é quase impossível esperar por alguma coisa boa.


Mas independente de serem bons filmes ou não, os remakes quase sempre atingem o objetivo de quem os idealiza: ganham dinheiro. E aí todo mundo fica feliz! – muitas vezes até os autores dos filmes originais, porque ninguém vive só de boas idéias. Nesta matéria; alguns dos remakes de Hollywood.

Original: “Preso na Escuridão” – diretor: Alejandro Amenábar – 1997
Remake: “Vanilla Sky” – diretor: Cameron Crowe – 2001

Aproveite para assistir:

A meia hora final dos dois filmes é uma coisa sem sentido. No caso de “Preso na Escuridão” a mudança de filme de suspense de altíssima categoria para uma coisa meio futurista é muito mais sentida do que em “Vanilla Sky”, isso porque o filme original é infinitamente melhor que o remake, então quando a trama se perde, o “baque” é mais forte. Como “Vanilla Sky” é ruim como um todo, tanto faz se o final é futurista ou não, tudo o que você quer é que o filme acabe logo.

Apesar de Cameron Crowe não ter alterado a história de Alejandro Amenábar, “Vanilla Sky” não chega nem aos pés de “Preso na Escuridão”. O filme original é extremamente bem dirigido, tem uma ótima trilha sonora, mantém o clima tenso durante a história e o protagonista (Eduardo Noriega) está muito melhor do que Tom Cruise. “Preso na Escuridão” foi refilmado porque Tom Cruise assistiu ao filme, gostou e resolveu comprar os direitos, ele disse que achava o filme muito bom e que como o público americano não tem o hábito de assistir a filmes estrangeiros, uma versão americana faria com que eles tivessem acesso a um grande filme. Ledo engano…quem só assistiu ao remake não sabe o quanto Cameron Crowe e Tom Cruise conseguiram estragar um ótimo filme (esqueça do final futurista e perceba a diferença entre os dois).

 

Original: “Psicose” – diretor: Alfred Hitchcock – 1960
Remake: “Psicose” – diretor: Gus Van Sant – 1998

Só a idéia de refilmar um dos melhores filmes de Alfred Hitchcock já é equivocada. Tirar essa idéia do papel e de fato colocá-la em prática é uma bobagem sem tamanho. Mas Gus Van Sant deve ter imaginado que conseguiria fazer um remake á altura do original. Não deu certo. “Psicose” precisava de um remake tanto quanto uma pessoa precisa beber detergente. O Norman Bates de Hitchcock (esplendidamente interpretado por Anthony Perkins) é um dos mais perfeitos personagens de suspense da história do cinema, e Vince Vaughn faz papel de bobo na versão de 98 (qualquer ator que tentasse interpretar Norman Bates faria papel de bobo). Esse remake leva uma única vantagem com relação ao original; o som é melhor (mas isso é óbvio, na época do original, Hitchcock não dispunha dos recursos tecnológicos de hoje), mas também de que adianta ter um som melhor se não existe clima tenso pra acompanhar a trilha sonora? – e clima tenso existe de sobra no filme original. Não sou fãnzoca do Hitchcock, mas de qualquer maneira é claro e patente pra qualquer pessoa que esse remake nunca deveria ter sido feito.

Original: “Lolita” – diretor: Stanley Kubrick – 1962
Remake: “Lolita” – diretor: Adrian Lyne – 1997

Sou fã incondicional de Stanley Kubrick, mas devo admitir que Adrian Lyne conseguiu criar uma Lolita muito mais sedutora que a de Kubrick. É exatamente nisso que o filme original perde para o remake; a atriz que interpreta Lolita na versão original (Sue Lyon) simplesmente não convence. Já a Lolita de Adrian Lyne (Dominique Swain) convence (e muito). Talvez Kubrick tenha tido certo pudor em criar sua “ninfeta” – ele filmou em 62 – e naquela época as poucas insinuações de sua Lolita já eram suficientes (o filme chegou a causar escândalo). Mas o tempo passa, e a personagem de Kubrick hoje chega a ser pudica. Peter Sellers é um dos meus atores favoritos e ele está excelente no filme original (tudo que ele fazia era excelente) , mas o clima de “humor” que Sellers carrega no filme não combina com a história da ninfeta que seduz o marido de sua própria mãe. Acredito que o filme de Adrian Lyne tem mais clima de “Lolita” (aliás o currículo de Lyne mostra que ele era mesmo o diretor perfeito para esse remake), mas não se trata de um remake superior ao original. “Lolita” de Stanley Kubrick tem mais classe, tem uma belíssima fotografia e tem Peter Sellers (que apesar do humor meio deslocado, consegue enriquecer o filme).

Original: “Glória” – diretor: John Cassavetes – 1980
Remake: “Glória” – diretor: Sidney Lumet – 199900

O filme original tem estilo, tem ótima direção e tem Gena Rowlands excelente no papel título, apesar disso não é um grande filme. O remake não tem estilo, não tem uma ótima direção (coitado doSidney Lumet) e não tem Gena Rowlands (mas tem Sharon Stone que até tenta fazer uma Glória tão marcante quanto a de Gena – mas não consegue). “Glória” não precisava de um remake, uma das coisas mais legais do filme original é a Nova York do final dos anos 70 , e o remake de Sidney Lumet não chega nem perto de atingir o mesmo clima que John Cassavetes muito acertamente imprimiu ao filme original. Outro ponto fraco do remake é o menino que Glória protege; o ator mirim do filme original já é ruinzinho, mas o do remake chega a ser irritante.

Original: “Círculo do Medo” – diretor: J. Lee Thompson – 1962
Remake: “Cabo do Medo” – diretor: Martin Scorsese – 1991

“Cabo do Medo” é um remake que supera o original. O Max Cady de Robert De Niro é muito mais assustador e monstruoso que o de Robert Mitchum. A direção de Scorsese também é mais acertada que a de J. Lee Thompson; ele impõe um clima tenso e perturbador que combinam perfeitamente com a história. Scorsese fez um filme mais sombrio, muito mais violento e na minha opinião, mais bacana que o original.

Original: “Onze Homens e um Segredo” – diretor: Lewis Milestone – 1960
Remake: “Onze Homens e um Segredo” – diretor: Steven Soderbergh – 2001

Remake de filme ruim só pode resultar em filme ruim. Assisti ao filme original depois de ver o remake, e quase não consegui chegar até o final. O original só vale a pena por causa do elenco (Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford) , fora isso, o filme não é bom e nunca nessa vida merecia um remake. Mas, como todo mundo quer ganhar dinheiro, mais uma vez juntaram um bando de gente famosa e refilmaram “Onze Homens e um Segredo”. Resultado: um filme ruim, que novamente só vale a pena por causa do elenco (tanto aqui quanto no original o elenco só vale a pena a título de curiosidade, e não por causa do talento dos atores). O remake de Steven Soderbergh tem uma única sequência boa (aquela em que Elliot Gould conta as histórias dos assaltos frustrados aos cassinos), que só é bacana mesmo se for vista no cinema, como o filme não está mais no cinema, nem perca tempo e não alugue nem o remake nem o original.

Original: “Nikita” – diretor: Luc Besson – 1990
Remake: “A Assassina” – diretor: John Badham – 1993

“A Assassina” é um remake quase cena-a-cena de “Nikita”. Os dois filmes são praticamente idênticos. Mas a versão de Luc Besson é muito melhor. Esse é o tipo do remake que foi feito com a única e exclusiva intenção de ganhar dinheiro na terra do Tio Sam. Depois de assistir aos dois filmes, percebe-se o quanto “Nikita” é melhor. O filme original é cheio de estilo, tem ótimas interpretações enquanto “A Assassina” (apesar de não ser um filme horroroso) não consegue passar nenhum tipo de emoção.

Original: “O Planeta dos Macacos” – diretor: Franklin J. Schaffner – 1968
Remake: “Planeta dos Macacos” – diretor: Tim Burton – 2001



Esse remake eu entendo. Muita gente tinha vontade de ver o clássico de 68 ser refilmado com os recursos tecnológicos de hoje. E nesse ponto o filme de Tim Burton leva uma vantagem fenomenal em relação ao de Franklin J. Schaffner. Os macacos do remake são perfeitos, os cenários são ótimos e a fotografia de Tim Burton é sempre excelente.

Mas, cometeram o erro de escalar o canastríssimo Mark Wahlberg para o papel que no original foi de Charlton Heston. Além desse erro fatal, “Planeta dos Macacos” não tem o mesmo clima aterrador do original. Apesar de não contar com a tecnologia moderna “O Planeta dos Macacos” impressiona muito mais que o remake. A sombria previsão da terra dominada por macacos é muito mais assustadora na versão original. Para quem ainda não assistiu nenhum dos dois; veja o original e se algum dia o remake reestrear no cinema, assista ( no vídeo a versão de Tim Burton é muito ruim).

Original: “Os Sete Samurais” – diretor: Akira Kurosawa – 1954
Remake: “Sete Homens e um Destino” – diretor: John Sturges – 1960

Original e remake são bons filmes, mas, novamente o original é superior. Os dois filmes são clássicos e os dois merecem atenção. Tanto em “Os Sete Samurais” quanto em “Sete Homens e um Destino”, os personagens são fortes e incrivelmente bem interpretados. No original, a direção de Kurosawa dá ainda maior excelência ao filme. O remake além de ótima direção, tem uma trilha sonora inesquecível (de tão perfeita, ela se tornou modelo para o gênero de faroeste). O filme de Akira Kurosawa leva vantagem por desenvolver melhor os personagens, ter mais estilo e por ser mais “real”, mais humano. Recomendo que se assista primeiro “Sete Homens e um Destino” e depois “Os Sete Samurais”, assim não há como se decepcionar com o primeiro.

Original: “A Gaiola das Loucas” – diretor: Edouard Molinaro – 1978
Remake: “Birdcage: A Gaiola das Loucas” – diretor: Mike Nichols – 1996

Já faz muito tempo que eu assisti ao original, mas depois de assistir ao remake (por mais que eu não me lembre perfeitamente do original) tive certeza que o filme de Edouard Molinaro é melhor que o de Mike Nichols. Fica meio difícil comparar uma vez que eu não me recordo perfeitamente do primeiro. Destaco a atuação de Nathan Lane no remake (ele está ótimo, caricato, mas divertido), mas recomendo o original (me lembro de ter achado o filme extremamente engraçado).


Original: “O Pai da Noiva” – diretor: Vincente Minnelli – 1950
Remake: “O Pai da Noiva” – diretor: Charles Shyer – 1991

Os dois filmes são engraçados. O original tem muito mais classe, a direção de Vicente Minnelli é melhor que a de Charles Shyer e o filme conta com as ótimas interpretações de Spencer Tracy, Joan Bennet e Elizabeth Taylor. No remake com Steve Martin, quem rouba a cena é Martin Short – hilário como o organizador de casamentos efeminado (é preciso assistir ao filme legendado, na versão dublada a atuação de Martin Short é assassinada). Recomendo o original como melhor filme e o remake pela interpretação impagável de Martin Short.

Original: “Nasce uma estrela” – diretor: William A. Wellman – 1937
Remake: “Nasce uma Estrela” – diretor: George Cukor – 1954
Remake: “Nasce uma Estrela” – diretor: Frank Pierson – 1976

Não assisti o original de 1937, mas assisti os outros dois. Posso estar enganada dizendo isso (acho pouco provável), mas o filme de 1954 é sem sombra de dúvida o melhor dos três. Judy Garland está excepcionalmente bem na versão de George Cukor (merecia o Oscar, mas foi roubada). James Mason também está brilhante. “Nasce uma Estrela” de 1954 é cinema da melhor qualidade. Já o remake de 1976, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson é uma asneira (a não ser que você assista o filme como uma comédia, aí sim, ele vale a pena). Pra quem quer assistir um filme com Barbra Streisand, alugue “Nosso Amor de Ontem”, porque essa equivocada versão de “Nasce uma Estrela” faz qualquer um perder o respeito pela atriz.

Mais remakes:


Original: “Dragão Vermelho” – diretor: Michael Mann – 1986
Remake: “Dragão Vermelho” – diretor: Brett Ratner – 2002

Não assisti nenhum dos dois, mas me parece que o original é melhor
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Original: “O Galante Mr. Deeds” – diretor: Frank Capra – 1936
Remake: “A Herança de Mr. Deeds” – diretor: Steven Brill – 2002

Nem preciso ver o remake pra saber que assassinaram um clássico do Frank Capra
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Original: “Por um Destino Insólito” – diretora: Lina Wertmuller – 1974
Remake: “Destino Insólito” – diretor: Guy Ritchie – 20022

Não vi nenhum dos dois, mas ao que parece é um remake desnecessário
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Original: “Solyaris” – diretor: Andrei Tartovsky – 1972
Remake: “Solaris” – diretor: Steven Soderbergh – 2003

O original é um clássico da ficção científica, não sei o que esperar do remake.

Original: “O Massacre da Serra Elétrica” – diretor: Tobe Hooper – 1974
Remake: “O Massacre da Serra Elétrica” – diretor: Marcus Nispel – 2003

Remake de um “clássico trash” sem previsão de estreia.


Original: “Barbarella” – diretor: Roger Vadim – 1968
Remake: “Barbarella” – diretor: (nome ainda não confirmado) – 2004

O remake terá Drew Barrymore no papel que foi de Jane Fonda. Deve vir por aí uma bobeira.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A lista de remakes de Hollywood ainda tem muitos outros títulos, e quase invariavelmente o original é superior ao remake, então da próxima vez que você ouvir que determinado filme é um remake, ao invés de assisti-lo, procure pelo original. Muito provavelmente você vai sair ganhando.

Feito por: Juliana de Paula


 

 

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