Sally Field é uma das maiores atrizes de todos os tempos e, em uma carreira que já se estende por cinco décadas, conquistou diversos prêmios que reiteraram seu inegável status no cenário do entretenimento.
Na noite de hoje (14), Field foi condecorada com mais uma estatueta do Emmy Awards por seu incrível trabalho em ‘Criaturas Extraordinariamente Brilhantes’, onde canalizou toda sua veia dramática em uma performance memorável como Tova Sullivan, uma faxineira que forja um poderoso laço com um jovem desempregado e andarilho – cuja conexão emerge a partir de observações de um grande polvo do Pacífico.
Celebrando sua vitória na categoria de Melhor Atriz em Filme na 78ª edição de um dos principais prêmios do ano, preparamos uma breve lista separando outras dez grandes performances de Field que você precisa conferir.
Veja abaixo as nossas escolhas:
O GUARDA-COSTAS (1976)

Field começou sua grandiosa carreira na década de 1970 com uma pequena aparição do longa ‘O Guarda-Costas’, de Bob Rafelson, uma história tragicômica estrelada por um funcionário preguiçoso (Jeff Bridges) que trabalha para um sombrio promotor imobiliário. Ao decorrer da trama, Bridges é arrastado para dentro de um negócio cujas consequências residem no fechamento de uma academia e no confronto com um dos mais famosos fisiculturistas dos Estados Unidos (Arnold Schwarzenegger). Seria um erro sugerir que algo realmente inesperado acontece no filme, mas ‘O Guarda-Costas’ consegue explorar o talento em potencial de seu jovem elenco, incluindo Sally. E realmente não dá para levar a sério um filme no qual Schwarzenegger tenta ser cômico e intimidador ao mesmo tempo.
AGARRA-ME SE PUDERES (1977)

A suave comédia ‘Agarra-me se Puderes’ sobre um delinquente (Burt Reynolds) que aposta conseguir atravessar os limites entre estados com um grande carregamento de cerveja e contra a própria lei sob a guarda de um eloquente xerife (Jackie Gleason) pode ter parecido uma desculpa horrível para se fazer um filme, mas a mistura inteligente de humor e ação serviu de base para diversas produções que se sucederam, tornando-se praticamente uma fórmula de DNA. O longa inspirou duas sequências e legiões de imitadores – e ainda que alguns sejam mais elaborados e sagazes, poucos conseguiram a proeza de ‘Agarra-me se Puderes’, incluindo repetir a incrível química entre o personagem de Reynolds e de Sally Field, a qual interpreta Carrie, uma noiva em fuga cujo ex-futuro marido ironicamente é filho do xerife.
NORMA RAE (1979)

Field levou para casa seu primeiro Oscar de Melhor Atriz por sua performance como a heroína que deu nome ao longa ‘Norma Rae’ – uma organização institucional baseada em Crystal Lee Sutton, uma trabalhadora dos campos de algodão cuja luta para melhorias na qualidade de vida dos funcionários é retratada no livro best-seller de mesmo nome. Quando lançado em 1979, ‘Norma Rae’ emergiu como uma denúncia sobre as condições dos proletários e a luta de classes das primeiras décadas do século XX; hoje, serve como um lembrete de que a batalha está longe de acabar. De qualquer modo, o filme trouxe grande prestígio tanto ao diretor Martin Ritt quanto a Field.
AUSÊNCIA DE MALÍCIA (1981)

A denúncia midiática tornou-se tão tendenciosa nos últimos anos que hoje seria praticamente impossível saber que fazer parte do Quarto Estado era visto como uma profissão extremamente honrada – considerada até um serviço público. Claro que não estamos levando em consideração o fato de repórteres e jornalistas serem questionados por sua ética – e poucos diretores foram bons o suficiente em transformar um debate desse nível numa adaptação cinematográfica como Sydney Pollack. Em ‘Ausência de Malícia’, Paul Newman interpreta o filho de um chefe da Máfia que se tornou principal suspeito de homicídio. E tal escândalo é investigado por ninguém mais ninguém menos que Megan Carter, protagonista vivida por Field. E apesar de um grande número de críticos terem sentido que Pollack e o roteirista Kurt Luedtke falharam em apresentar um produto atraente, outros prestigiaram as incríveis performances e a inteligência sutil do filme em si, principalmente pela grande atuação de Field.
UM LUGAR NO CORAÇÃO (1984)

Field ganhou um Oscar de Melhor Atriz e John Malkovich foi indicado à categoria de Melhor Ator Coadjuvante por seus trabalhos no drama ‘Um Lugar no Coração’, que conta a história de uma viúva que luta para manter sua fazenda no estado do Texas sem passar pelas consequências advindas da Grande Depressão, enquanto sua irmã (Lindsay Crouse) tenta lidar com seu conturbado casamento com um beberrão (Ed Harris). É o tipo de filme que parece lidar com sua totalidade pela própria trama, mas que traz temas inequivocadamente pesados (como racismo, adultério e compromisso com a família). ‘Um Lugar no Coração’ não foi necessariamente um dos mais interessantes filmes do ano em que foi lançado, mas se tornou um favorito da Academia e um produto admirado por vários críticos.
O ROMANCE DE MURPHY (1985)

Mesmo na década de 1980, já não haviam muitos filmes sendo feitos no estilo ‘O Romance de Murphy’ – o que poderia ser razão o suficiente para celebrar esse conto suburbano e simples sobre uma mãe solteira e divorciada que encontra o amor com um homem mais velho, mesmo que a trama não seja uma vitrine grande o bastante para mostrar o talento de Sally Field e James Garner. Previsivelmente, Field (que também atuou como produtora) teve que lutar – e bastante – para que o filme ficasse do jeito que queria, a ponto de insistir para Garner ser cogitado como co-protagonista – resultado: foi indicado para o Oscar de Melhor Ator -, mas logo seus ânimos se acalmaram pela maioria de críticas positivas que recebeu durante a bilheteria razoavelmente bem-sucedida.
SEGREDOS DE UMA NOVELA (1991)

O extravagante melodrama sobre sabões diz por si só o apelo duradouro que teve, mas e se as coisas fossem tão loucas na frente das câmeras e nos bastidores? Esse é o grande plot twist com ares novelescos criado por ‘Segredos de uma Novela’, no qual uma atriz de soap opera (Field) se vê sob ataque profissional por uma rival (Cathy Moriarty) e seu produtor extremamente desencantador (Robert Downey Jr.). Seus esforços acabam por desenterrar segredos obscuros após o retorno de um ator aposentado (Kevin Kline) e a ascensão de um novo membro do elenco (Elisabeth Shue) – fatos que tiveram a consequência não-intencional de tornar o show e a personagem de Field mais populares que nunca. Resultado: a maioria das críticas classificou ‘Segredos de uma Novela’ com um dos filmes mais engraçados e satisfatórios da década.
UMA BABÁ QUASE PERFEITA (1993)

Robin Williams foi definitivamente o fator que arrancou mais risadas do público nessa comédia de 1993 – e que praticamente carregou o filme das costas junto com razoáveis quilos de maquiagem, látex e roupas engraçadas. Mas deixando de lado a grande e convincente performance do ator, temos também a presença tragicômica de Field como Miranda Hillard, ex-mulher de Daniel (o próprio Williams), a qual é levada ao extremo e forçada a se separar do marido. E assim que Euphegenia Doubtfire (o alter-ego de Daniel) finalmente é contratada como babá de seus próprios filhos, Miranda começa a ter relações com Stuart (Pierce Brosnan), desencadeando uma trama de gato-e-rato entre os três protagonistas. ‘Uma Babá Quase Perfeita’, além do bom divertimento, traz ao público os dilemas da parentalidade no período pós-divórcio com sutileza e clareza.
FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS (1994)

Considerando todos os fatores, Field provavelmente não deveria ter interpretado a mãe de Forrest Gump – afinal, é apenas uma década mais velha que Tom Hanks. Mas deixando de lado o sofismo de Hollywood, não há nada errado com a performance da atriz nesse longa ganhador de seis estatuetas do Oscar. Afinal, quem melhor para personificar o equilíbrio perfeito de doçura e pragmatismo que leva a Sra. Gump a discutir com um diretor de escola a fim de colocar seu filho numa instituição pública? Tornando-se um sucesso sem precedentes, ‘Forrest Gump – O Contador de Histórias’ acabou por ganhar mais críticas positivas a negativas, principalmente pelo fato de o longa, mesmo com todos seus erros visíveis, conseguir tocar o coração de quem o assistisse.
LINCOLN (2012)

Ele esteve no comando durante o período mais turbulento na história dos Estados Unidos, realizando grandes feitos e terminando sua vida da forma mais trágica possível. É inútil dizer que a vida de Abraham Lincoln leva consigo a essência de filmes ganhadores do Oscar – e com Steven Spielberg no comando, dirigindo um elenco dos sonhos que incluía Tommy Lee Jones, Hal Holbrok, Sally Field, Joseph Gordon-Levitt e um quase irreconhecível Daniel Day-Lewis como o próprio 16º presidente dos E.U.A., ‘Lincoln’ foi uma das primeiras apostas à indicação para o Oscar de Melhor Filme antes mesmo de chegar aos cinemas. É claro que devemos levar em conta que o projeto se tornou um dos melhores filmes e 2012 – mesmo com seu aparente desejo de levar o público às lágrimas em meio a uma trilha sonora escrachada.

