“THELMA & LOUISE” MODERNO

 A jornada do filme Simplesmente uma Mulher, co-produção entre Reino Unido, Estados Unidos e França, é curiosa. Primeiramente exibido na TV francesa em dezembro de 2012, o filme seguiu com a estreia oficial nos cinemas em março desse ano, na Itália. Em abril e maio foi exibido nos Estados Unidos, na Califórnia e em Seattle em festivais de cinema, para um lançamento em maior circuito pelo país em junho. Depois disso a obra só foi mostrada para os gregos em julho, e agora chega para os brasileiros.

O filme não é imprescindível, mas com certeza é anos luz superior a muita coisa dispensável que chega aos cinemas dos grandes shoppings, e o pior, faz sucesso. Essa é uma história simples, mas que conta com uma coisa que a maioria das superproduções hollywoodianas se vê em falta: humanidade. O roteiro remete imediatamente ao clássico moderno da década de 1990, Thelma & Louise, ao apresentar duas mulheres insatisfeitas com suas vidas, que decidem recomeçar colocando o pé na estrada.

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A americana Sienna Miller é a protagonista aqui, como Marilyn. Embora não muito conhecida do grande público, a atriz de 31 anos já interpretou a vilã Baronesa do blockbuster G.I. Joe: A Origem de Cobra, foi o objeto de afeto de Andy Warhol (Guy Pearce), Edie Sedwick, em Uma Garota Irresistível, e viveu a icônica Tippi Hedren, no “outro” filme sobre Alfred Hitchcock de 2012, A Garota (feito para a TV). No filme, Marilyn (Miller) é uma mulher sofrida, que encontra nas aulas de dança do ventre a energia para seguir com seu dia a dia.

De uma tacada só a personagem perde seu emprego, que já não era grande coisa, e descobre a traição do companheiro, desempregado, encostado e sustentado por ela. Após o baque, a mulher deseja simplesmente ir. Temos também Mona, personagem de uma das atrizes mais belas da atualidade, a iraniana de nome difícil, Golshifteh Farahani. A atriz de 30 anos esteve em obras elogiadas em festivais como Frango com Ameixas e A Pedra da Paciência, mas seu trabalho mais famoso foi ao lado de Leonardo DiCaprio em Rede Mentiras (2008), thriller político de Ridley Scott.

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Mona veio do Oriente Médio para morar na América do Norte, mas nunca saiu de seu bairro. Sua rotina limita-se ao trabalho na loja de conveniências da família, e em casa. Casada, a jovem é hostilizada diariamente pela sogra, por não conseguir lhe dar netos. Todo tipo de tratamento humilhante para fertilidade já foi tentado com ela. Mona também encontra forças para se libertar, após um incidente fatal envolvendo a intrusiva mulher. Assim as duas protagonistas, que se conheciam apenas através da loja, embarcam juntas numa aventura pelas estradas sem destino.

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Elas começam a ganhar a vida como dançarinas exóticas de dança do ventre, por bares e restaurantes de beira de estrada. Essa é uma história sobre amizade, e sobre um relacionamento baseado em nada mais do que apenas a vontade de recomeçar. Acreditamos nas personagens como pessoas porque o filme do diretor francês Rachid Bouchareb não exagera nenhum de seus clichês.

O diretor do Cult London River – Destinos Cruzados sabe desenvolver boas histórias sobre relacionamentos humanos, que embora simples, são muito precisas no retrato de comportamentos. As atrizes aqui são a alma da obra, e funcionam bem, entrando em sintonia com o filme que entrega um sabor doce e amargo ao mesmo tempo. Tudo isso sem precisar ir a extremos como o citado filme protagonizado por Susan Sarandon e Geena Davis.

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